Crespo, Roger, Arboleda, Enzo e Cédric e mais: onde o São Paulo está errando?

Trocas de técnicos, jogadores afastados, contratos difíceis e salários atrasados expõem falhas de gestão no São Paulo. Entenda os casos.

Fonte SPFC.net
26 de Setembro de 2026

Este é um texto de opinião. O São Paulo pode explicar individualmente cada problema vivido em 2026. Arboleda errou ao se ausentar, Enzo Díaz perdeu rendimento, Cédric deixou de ser útil, Maik precisava evoluir e técnicos podem ser demitidos. O problema aparece quando se olha tudo em conjunto: são decisões demais terminando em afastamentos, contratos difíceis de encerrar, mudanças de rumo e perda de valor esportivo ou financeiro.


Rui Costa deixou o clube, Rafinha ganhou protagonismo no futebol e Harry Massis assumiu a presidência, mas a troca de nomes não resolveu o problema. Na nossa avaliação, o São Paulo continua mostrando dificuldade para gerir pessoas, proteger seus ativos e manter uma linha esportiva coerente.


Crespo e Roger: duas trocas que resumem a falta de direção

Crespo foi demitido com o São Paulo brigando na parte de cima do Brasileiro. Meses depois, o próprio Rafinha admitiu que o momento da saída pode ter sido equivocado. Rui Costa, ainda antes de deixar o clube, também reconheceu que a forma como a demissão foi conduzida poderia ter sido diferente.


Roger Machado chegou justamente para substituir Crespo e durou somente 17 jogos: sete vitórias, quatro empates e seis derrotas. Saiu após a eliminação para o Juventude, mas deixou o São Paulo no G-4 do Brasileiro e líder de seu grupo na Sul-Americana. Depois, o clube precisou buscar seu terceiro treinador no mesmo ano.


Não se trata de afirmar que nenhum técnico pode ser demitido. A questão é outra: qual era o planejamento? Se Crespo saiu para trazer Roger e, poucas semanas depois, Roger também deixou de servir, houve erro de avaliação em algum ponto do processo.


Arboleda, Enzo, Cédric, Maik: ativos que viraram problemas

Arboleda cometeu uma indisciplina séria ao permanecer semanas fora sem justificativa. O São Paulo o afastou, cogitou justa causa, tentou negociá-lo e depois o reintegrou. A punição era justificável; o que chama atenção é o caminho errático até a solução.


Com Enzo Díaz e Cédric, o prejuízo potencial é ainda mais evidente. Enzo tem contrato até 2028, não está nos planos e foi liberado para procurar clube. Cédric tem vínculo até 2027 e também passou a treinar separado. O São Paulo chegou ao ponto de depender de fluxo de caixa até para negociar algumas rescisões.


E houve ainda o caso de Maik. O garoto de Cotia ganhou espaço com Crespo, perdeu prestígio com Roger, foi colocado para treinar separado, acabou reintegrado na chegada de Dorival e posteriormente saiu por empréstimo. Um jogador de 21 anos, formado pelo clube e com valor potencial de mercado, passou por quatro situações diferentes em poucos meses.


Luan, Matheus Belém e Young também apareceram em listas de jogadores fora dos planos. O problema não é negociar quem não será utilizado. Boa gestão é chegar a essa decisão antes de o mercado saber que o clube precisa desesperadamente se desfazer do atleta. A partir daí, o poder de negociação despenca.


Rui Costa saiu, mas a gestão de Rafinha e Massis precisa responder

Rui Costa participou de boa parte das decisões que construíram esse cenário e sua saída encerrou um ciclo. Mas seria cômodo transformar o ex-executivo no único culpado. Rafinha já dividia decisões do futebol antes de assumir formalmente o cargo e hoje é o principal executivo da área. Se o departamento melhorou, ele merece crédito; se os mesmos problemas continuam, precisa ser cobrado.


Harry Massis também herdou uma situação financeira difícil, mas sua administração prometeu colocar os direitos de imagem em dia e não cumpriu o primeiro prazo. Em setembro, o clube chegou a ter três meses de direitos de imagem atrasados e atrasou também o salário registrado em carteira. Jogadores passaram a demonstrar publicamente incômodo com a situação.


E aqui gestão financeira encontra gestão de pessoas. Não existe ambiente profissional saudável quando o clube promete uma data ao elenco e não consegue cumpri-la. Não existe boa gestão de ativos quando jogadores com contratos longos são afastados sem que exista uma saída encaminhada. E não existe planejamento esportivo consistente quando três treinadores comandam a equipe em poucos meses.


Rafinha não criou sozinho a crise. Massis não assinou sozinho todos esses contratos. Rui Costa também não pode responder eternamente por tudo depois de sua saída. Mas os três fizeram ou fazem parte de uma estrutura que precisa ser cobrada pelo resultado das decisões.


Na nossa avaliação, o São Paulo não sofre apenas com falta de dinheiro. Sofre com falta de processo. Contratar melhor, proteger ativos, saber administrar conflitos, cumprir compromissos, escolher técnicos com convicção e planejar saídas antes que elas virem urgência também fazem parte de administrar um grande clube.


E os casos de Crespo, Roger, Arboleda, Enzo, Cédric, Maik e dos próprios atrasos salariais mostram que a gestão de pessoas e ativos do São Paulo precisa melhorar muito. Trocar nomes no organograma sem mudar a maneira de decidir não basta.

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