R$ 95 milhões em jogo: São Paulo pode sofrer com fim das bets

Proibição das bets coloca contrato milionário entre São Paulo e Superbet em risco. Acordo prevê R$ 95 milhões somente em 2026.

Fonte SPFC.net
26 de Setembro de 2026

O São Paulo ganhou uma nova e enorme preocupação fora de campo. A Medida Provisória publicada pelo governo federal na sexta-feira (25) proibiu a exploração e a publicidade das apostas esportivas no Brasil, colocando diretamente em xeque o milionário contrato do Tricolor com a Superbet, patrocinadora máster do clube.


O impacto potencial é grande. Somente em 2026, o acordo prevê R$ 95 milhões em valores fixos para o São Paulo. O vínculo foi renovado até 2030 e possui aumentos programados ano após ano, tornando-se uma das receitas comerciais mais importantes do clube justamente em um período de grave dificuldade financeira.


O que mudou com a nova medida?

A Medida Provisória nº 1.394, publicada em 25 de setembro, proíbe em território nacional a exploração, oferta, intermediação e publicidade das chamadas apostas de quota fixa.


A regra inclui tanto apostas em eventos esportivos quanto jogos online.


Por ser uma medida provisória, a norma entrou em vigor imediatamente após sua publicação, embora ainda precise passar pelo Congresso Nacional para continuar válida de maneira definitiva.


O governo estabeleceu um período de transição para o encerramento das operações. As empresas deverão retirar materiais publicitários e de patrocínio até 5 de outubro, e os sites e aplicativos de apostas deverão deixar de funcionar no país a partir de 6 de outubro.


Superbet é uma das principais receitas do São Paulo

O problema para o Tricolor está no tamanho do contrato firmado com a Superbet.


O São Paulo renovou o vínculo com a empresa em abril de 2025, estendendo a parceria até 2030, ano do centenário do clube.


Além de ocupar o espaço de maior destaque na camisa, a empresa adquiriu também os naming rights do CT da Barra Funda, que passou a ser chamado comercialmente de SuperCT.


Os valores fixos previstos no acordo aumentam a cada temporada:



2026: R$ 95 milhões
2027: R$ 105 milhões
2028: R$ 112 milhões
2029: R$ 118 milhões
2030: R$ 120 milhões


A partir de 2027, os valores ainda possuem correção prevista pelo IPCA.


Contrato fixo chega a R$ 680 milhões

Somados os pagamentos fixos desde o início da parceria, o contrato com a Superbet prevê aproximadamente R$ 680 milhões garantidos.


O acordo possui ainda uma série de bonificações relacionadas ao desempenho esportivo. Caso o São Paulo atingisse praticamente todas as metas previstas até 2030, o valor poderia ultrapassar a marca de R$ 1 bilhão.


Entre os bônus previstos estão premiações por títulos. Uma conquista do Campeonato Brasileiro, por exemplo, poderia acrescentar R$ 20 milhões, enquanto Libertadores ou Sul-Americana renderiam outros R$ 10 milhões.


Em 2025, Superbet já representava parcela importante do caixa

O peso da patrocinadora pode ser percebido pelos números do último balanço.


Em 2025, os aproximadamente R$ 80 milhões pagos pela Superbet representaram cerca de 7,3% de toda a receita do São Paulo e aproximadamente 11% das receitas recorrentes, segundo levantamento publicado pela TMC.


Em 2026, a importância tende a ser ainda maior. O contrato subiu para R$ 95 milhões e o clube não conseguiu repetir o mesmo volume de receitas obtidas com venda de jogadores registrado no exercício anterior.


Problema pode chegar também ao FIDC

A preocupação não se limita à perda de uma receita de patrocínio.


Segundo apuração da TMC, o contrato da Superbet foi utilizado como uma das garantias ligadas ao FIDC criado pelo São Paulo.


O Fundo de Investimento em Direitos Creditórios foi estruturado pelo clube para captar recursos e reorganizar parte de suas dívidas, utilizando receitas futuras como garantias.


Assim, caso o contrato com a Superbet seja efetivamente encerrado, o São Paulo poderá precisar apresentar outra fonte de receita para substituir essa garantia.


Uma fonte da diretoria ouvida pela TMC explicou que o clube já precisou realizar movimento semelhante quando outro contrato deixou de compor as garantias, mas destacou que a situação da Superbet é mais delicada justamente pelo tamanho do patrocínio máster.


Superbet já havia alertado sobre possível rescisão

Antes mesmo da publicação da Medida Provisória, empresas de apostas começaram a se movimentar diante da possibilidade de proibição do setor.


Segundo informações publicadas pelo UOL, a Superbet notificou São Paulo e Fluminense sobre a possibilidade de rescisão do patrocínio caso apostas esportivas e jogos online fossem proibidos no país.


Naquele momento, os clubes não haviam confirmado publicamente o recebimento da comunicação.


Com a publicação da MP proibindo justamente a atividade explorada pela empresa, o cenário passou de uma hipótese regulatória para um problema concreto a ser discutido entre as partes.


São Paulo pode até precisar devolver valores

Ainda não há anúncio oficial de rescisão do contrato entre São Paulo e Superbet.


No entanto, a diretoria já trabalha internamente com diferentes cenários para o encerramento da parceria. Segundo a TMC, existe inclusive a possibilidade de discussão sobre ressarcimento de valores pagos antecipadamente, já que parte das propriedades comerciais contratadas não poderá continuar sendo utilizada durante todo o período previsto.


A definição dependerá das cláusulas do contrato, da negociação entre clube e patrocinadora e dos desdobramentos jurídicos e legislativos da Medida Provisória.


São Paulo pode jogar clássico sem a marca logo depois

O calendário também cria uma situação curiosa.


O São Paulo enfrenta o Santos no dia 2 de outubro, no MorumBIS. Como o prazo estabelecido para retirada das publicidades termina posteriormente, o clássico poderá estar entre as últimas partidas do clube com a Superbet estampada normalmente na camisa.


A partir da sequência seguinte, caso não exista uma mudança no cenário, o clube poderá precisar utilizar o uniforme sem o patrocínio da empresa ou preencher temporariamente o espaço com alguma propriedade própria.


Problema chega em momento delicado no caixa

A possível perda do patrocínio ocorre justamente quando o São Paulo procura novas fontes de recursos para cumprir seus compromissos financeiros.


O clube tem dívidas elevadas, enfrenta cobranças relacionadas a pagamentos do elenco e trabalha paralelamente para concluir o novo contrato de gestão de ingressos do MorumBIS com a Ticketmaster.


Esse acordo prevê uma antecipação de receitas que pode chegar a R$ 140 milhões, dinheiro considerado importante para aliviar obrigações de curto prazo.


Nesse cenário, deixar de receber dezenas de milhões previstos da Superbet representaria uma nova dificuldade para o planejamento financeiro.


R$ 95 milhões não estão simplesmente perdidos

Apesar do tamanho da preocupação, é importante fazer uma distinção: o São Paulo não perdeu automaticamente R$ 95 milhões com a publicação da MP.


Esse é o valor fixo previsto para 2026 pelo contrato, mas parte dele pode já ter sido paga. Além disso, ainda será necessário definir juridicamente como ocorrerá um eventual encerramento e quais obrigações permanecerão entre as partes.


Também não há, até o momento, anúncio oficial do São Paulo ou da Superbet detalhando valores que deixariam de ser recebidos ou eventualmente devolvidos.


O que já é possível afirmar é que a continuidade do acordo nos moldes atuais se tornou extremamente difícil, uma vez que a própria legislação passou a proibir a publicidade da atividade exercida pela patrocinadora.


Contrato que iria até 2030 vira problema imediato

Quando renovou com a Superbet, o São Paulo acreditava ter garantido uma de suas principais receitas comerciais até o centenário.


Agora, pouco mais de um ano depois, uma mudança regulatória coloca o planejamento em dúvida.


São R$ 95 milhões previstos apenas para 2026 e centenas de milhões de reais programados até 2030. Além disso, o contrato tem ligação com garantias usadas pelo clube em sua estrutura financeira.


Por isso, o fim das bets representa muito mais do que a possível retirada de uma marca da camisa. Para um São Paulo que já busca recursos para administrar suas dívidas, a eventual saída da Superbet pode obrigar a diretoria a encontrar rapidamente um novo patrocinador de grande porte e reorganizar parte do planejamento financeiro dos próximos anos.

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