São Paulo pagou salários com fundo da gestão Casares; entenda.
São Paulo recorreu ao FIDC criado na gestão Casares e administrado pela Galápagos para conseguir recursos e quitar salários em carteira atrasados.
Em meio às dificuldades de caixa e aos atrasos que provocaram insatisfação no elenco, o São Paulo precisou buscar uma alternativa financeira para colocar em dia os salários registrados em carteira.
Segundo apuração do UOL, o clube recorreu ao Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), criado durante a gestão de Julio Casares e administrado pela Galápagos, para obter os recursos utilizados na quitação dos salários que estavam atrasados.
O movimento ajuda a explicar de onde saiu o dinheiro em um momento no qual o Tricolor enfrenta dificuldades para cumprir compromissos de curto prazo.
Como funciona o fundo usado pelo São Paulo?
O FIDC funciona, de maneira simplificada, como uma forma de antecipar dinheiro que o São Paulo tem para receber no futuro.
Receitas futuras do clube, como valores provenientes de direitos de transmissão, patrocínios e naming rights, podem ser utilizadas na estrutura da operação. Investidores disponibilizam os recursos antecipadamente e o clube arca com os custos financeiros previstos.
Portanto, não se trata simplesmente de dinheiro que já estava disponível no caixa do São Paulo. O clube obtém recursos agora utilizando recebíveis futuros dentro da operação financeira.
FIDC nasceu na gestão Julio Casares
O fundo foi aprovado pelo Conselho Deliberativo do São Paulo em outubro de 2024, durante a presidência de Julio Casares.
Na ocasião, 185 conselheiros votaram favoravelmente e 40 foram contrários à criação do FIDC. A estrutura foi desenvolvida em parceria com Galápagos Capital e OutField.
O projeto previa uma captação de até R$ 240 milhões e nasceu principalmente com o objetivo de reorganizar a dívida bancária do clube, alongar prazos, reduzir custos financeiros e melhorar o capital de giro.
Quanto foi usado para pagar os salários?
Esse é um ponto importante: não foi divulgado o valor retirado do FIDC especificamente para quitar os salários atrasados.
A informação apurada é que o São Paulo utilizou a estrutura do fundo para conseguir o dinheiro necessário diante da dificuldade de fluxo de caixa.
Por isso, não é possível afirmar neste momento quanto da operação foi destinado diretamente à folha salarial.
Salários de agosto atrasaram
Os salários registrados em carteira referentes ao mês de agosto deveriam ter sido pagos no dia 8 de setembro, mas o depósito não aconteceu no prazo previsto.
O clube começou inicialmente a pagar jogadores de menor remuneração, incluindo atletas formados nas categorias de base, e posteriormente quitou os salários em carteira com três dias de atraso.
O episódio provocou forte incômodo no elenco, principalmente porque os problemas financeiros já vinham atingindo também os direitos de imagem.
Direitos de imagem continuam sendo outro problema
A quitação dos salários em carteira não significa que todas as pendências com o elenco tenham sido resolvidas.
O São Paulo vem acumulando atrasos relacionados aos direitos de imagem, além de dívidas anteriores com alguns jogadores.
A situação ganhou repercussão pública depois da eliminação para o Boca Juniors, quando Luciano falou sobre os recorrentes atrasos enfrentados durante sua passagem pelo clube.
Posteriormente, o goleiro Rafael também reconheceu que a questão financeira causa incômodo entre os jogadores.
São Paulo também procura outras fontes de crédito
O FIDC não tem sido a única alternativa utilizada pelo São Paulo para enfrentar a falta de recursos no curto prazo.
De acordo com a mesma apuração, o clube também vem recorrendo a linhas de crédito de instituições como Tricury e Daycoval.
A utilização dessas alternativas mostra a pressão existente sobre o fluxo de caixa são-paulino durante a temporada.
Problemas de caixa já afetaram outras obrigações
Um exemplo recente aconteceu na dívida com a Lazio relacionada à contratação de Marcos Antônio. O débito provocou um transfer ban imposto pela Fifa, impedindo temporariamente o São Paulo de registrar novos jogadores.
O clube precisou desembolsar cerca de R$ 6 milhões para resolver a pendência e conseguir a liberação.
Agora, a revelação de que o São Paulo precisou recorrer ao FIDC para conseguir quitar a folha reforça o tamanho do desafio financeiro enfrentado pela atual administração.
Fundo criado para reorganizar finanças vira alternativa de caixa
Quando o FIDC foi criado, em 2024, a principal justificativa apresentada era substituir dívidas bancárias mais caras por uma estrutura de financiamento com prazos e regras diferentes.
Quase dois anos depois, a ferramenta também aparece como uma alternativa para garantir liquidez em um momento de dificuldade para pagar compromissos imediatos.
O fundo permite antecipar receitas, mas essas operações possuem custos e significam comprometer hoje uma parcela do dinheiro que o clube receberia no futuro.
A utilização do FIDC para solucionar o atraso salarial, portanto, resolve uma necessidade urgente, mas mantém no centro do debate uma questão fundamental para o São Paulo: como recuperar o fluxo de caixa e voltar a cumprir seus compromissos sem depender constantemente da antecipação de receitas e de novas operações de crédito?
E você, torcedor: o uso do FIDC para colocar os salários em dia preocupa pensando nas finanças futuras do São Paulo?
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