O clima político e jurídico segue extremamente turbulento no São Paulo. O ex-presidente Julio Casares não compareceu nesta terça-feira à 3ª Delegacia de Polícia Civil da capital paulista, onde prestaria depoimento sobre investigações envolvendo supostos escândalos ocorridos durante sua gestão no clube.
Segundo as informações divulgadas, Casares avisou cerca de uma hora antes do horário previsto que não iria comparecer, decisão tomada em conjunto com seus advogados. A defesa optou pelo direito ao silêncio e informou que o ex-dirigente não terá uma nova oportunidade de prestar depoimento.
A investigação conduzida pela força-tarefa envolve dois dos três inquéritos ligados ao São Paulo: o caso dos camarotes e possíveis práticas de lavagem de dinheiro. O terceiro inquérito, relacionado ao clube social, ainda não envolve diretamente o ex-presidente.
Representantes da força-tarefa afirmaram que a ausência de Casares não surpreendeu os investigadores diante do material já reunido durante o processo.
Em declaração divulgada à imprensa, integrantes da investigação afirmaram que Julio Casares teve oportunidade de apresentar sua versão dos fatos e que o andamento do caso seguirá normalmente.
Investigação envolve camarotes e suspeita de lavagem de dinheiro
O caso está sendo conduzido pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) em conjunto com o Ministério Público. As apurações investigam possíveis irregularidades cometidas por dirigentes do São Paulo entre 2021 e janeiro de 2026, período da gestão Julio Casares.
Entre os casos investigados estão suspeitas envolvendo exploração irregular de camarotes, lavagem de dinheiro e corrupção no clube social.
O escândalo ganhou ainda mais repercussão após a divulgação de um áudio envolvendo nomes ligados à antiga diretoria do clube em um suposto esquema relacionado à venda de camarotes do Morumbi.
Segundo as investigações, ingressos para um camarote identificado internamente como “sala presidencial” chegaram a ser vendidos por valores de até R$ 2,1 mil durante o show da cantora Shakira, realizado em fevereiro de 2025. Apenas o camarote 3A teria gerado faturamento estimado em R$ 132 mil.
Defesa de Casares questiona investigaçãoOs advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine afirmaram que solicitaram o adiamento do interrogatório e alegaram irregularidades na condução do processo.
A defesa sustenta que não teve acesso integral aos documentos da investigação e afirma que Julio Casares permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos posteriormente.
Enquanto isso, o caso segue aumentando a pressão política nos bastidores do São Paulo, em um momento já extremamente conturbado dentro do clube.