Para dar continuidade à política de contenção de gastos e reforçar o discurso de tolerância zero contra irregularidades, o presidente do São Paulo, Harry Massis Jr., decidiu abrir mão de benefícios pessoais aos quais teria direito por ocupar o cargo máximo do clube. A medida foi adotada em meio às polêmicas que marcaram a gestão anterior e busca sinalizar uma mudança de postura administrativa.
Segundo apuração, o dirigente optou por não utilizar o cartão corporativo disponibilizado ao presidente do clube, benefício que vinha sendo alvo de questionamentos nos bastidores após os episódios que culminaram na renúncia de Julio Casares. A decisão é tratada internamente como simbólica, mas considerada importante para sustentar o discurso de responsabilidade e transparência.
Além disso, Harry Massis Jr. também abriu mão do plano de saúde oferecido pelo São Paulo a funcionários e dirigentes. O entendimento do presidente é de que, ao recusar esse tipo de benefício, contribui diretamente para o processo de economia que passou a ser prioridade desde que assumiu o comando do clube.
O incômodo com salários atrasados e compromissos financeiros pendentes foi determinante para que o novo presidente adotasse medidas imediatas de contenção. Outras ações já atingiram o departamento de futebol, com redução no número de funcionários e centralização de decisões sob responsabilidade do executivo Rui Costa.
Paralelamente ao corte de custos, Harry Massis Jr. tem reforçado que a nova gestão não pretende relativizar denúncias internas. Na semana passada, o Conselho Deliberativo recebeu uma representação envolvendo sua própria filha, Christina Massis, acusada de suposta participação em revendas irregulares de ingressos de shows realizados no Morumbis.
Nos bastidores, o presidente deixou claro que o grau de parentesco não será considerado em eventuais investigações. O entendimento é de que qualquer pessoa envolvida em práticas ilícitas deve ser responsabilizada, independentemente de vínculos familiares ou políticos dentro do clube.
Uma das primeiras decisões tomadas por Harry Massis Jr. ao assumir a presidência foi justamente afastar parentes dos ciclos de poder do São Paulo. Ele afirma que, caso haja necessidade de aprofundamento das apurações no caso envolvendo Christina, o processo seguirá seu curso normal nos órgãos internos do clube.
Existe ainda a avaliação, nos bastidores do Morumbis, de que a denúncia atual possa ter relação com outro caso de venda irregular de ingressos envolvendo ex-dirigentes, episódio que foi decisivo para a queda da gestão anterior. Para alguns conselheiros, o movimento poderia ter como objetivo diluir responsabilidades e evitar punições mais severas.
Em declaração recente, Harry Massis Jr. afirmou ter tomado conhecimento da denúncia envolvendo a filha há cerca de uma semana e classificou a situação como lamentável. O presidente defendeu que a Comissão de Ética aprofunde as investigações e adote as medidas cabíveis, reforçando o compromisso de sua gestão com apurações completas e sem interferência.