A Comissão de Ética do São Paulo concluiu a fase de oitivas e a coleta de documentos no processo que pode culminar na exclusão de Márcio Carlomagno do quadro associativo do clube. A informação foi divulgada nesta segunda-feira e indica que o caso do camarote do MorumBis entrou oficialmente em sua reta final.
A representação foi protocolada por conselheiros no dia 17 de dezembro de 2025 e tramita internamente desde então. Com o encerramento da fase de apuração, a expectativa é que o veredito final da Comissão de Ética seja anunciado dentro de um prazo estimado de até três semanas.
De acordo com o conteúdo do documento analisado pela comissão, um dos pontos centrais do processo é a possível omissão de Márcio Carlomagno diante da venda irregular de ingressos do camarote 3A, conhecido como “Sala Presidencial”. O entendimento apresentado sustenta que, caso tenha havido conhecimento prévio do esquema ainda no mês de fevereiro, a ausência de providências ao longo dos meses seguintes pode caracterizar omissão grave.
Ao longo da representação, os conselheiros responsáveis pelo pedido de investigação reforçam que as declarações atribuídas a Douglas Schwartzmann em gravações divulgadas publicamente, somadas às entrevistas concedidas posteriormente por Carlomagno, levariam a apenas duas interpretações possíveis dentro do processo interno: conivência com o esquema ou participação direta nos fatos apurados.
O relatório destaca que a falta de medidas concretas após a ciência do problema pesa de forma relevante na análise estatutária, especialmente por se tratar de um espaço que não possui autorização para comercialização de ingressos. A avaliação da Comissão de Ética considera não apenas a existência do esquema, mas também a postura adotada pelos envolvidos após o caso vir à tona.
Com o encerramento das oitivas, o colegiado agora se dedica à análise final do material reunido. A Comissão de Ética é formada por cinco integrantes e não necessita de unanimidade para avançar com uma decisão, sendo suficiente a maioria simples para definir o parecer.
As punições previstas no estatuto do São Paulo variam desde advertência formal e censura até a exclusão do quadro associativo, considerada a penalidade mais severa. Caso essa medida seja recomendada, o processo ainda poderá seguir os trâmites previstos no regimento interno do clube.
O caso do camarote segue sendo tratado com cautela nos bastidores do São Paulo, tanto pelo impacto institucional quanto pelas possíveis repercussões políticas. A definição do veredito é aguardada com atenção e deve marcar um dos capítulos mais sensíveis da história recente do clube.