A classificação do São Paulo para a semifinal do Campeonato Paulista, após a vitória por 2 a 1 sobre o Red Bull Bragantino, acabou sendo ofuscada por uma declaração machista que gerou indignação no futebol brasileiro. O zagueiro Gustavo Marques, autor do gol do time de Bragança, atacou verbalmente a árbitra Daiane Caroline Muniz dos Santos logo após a eliminação.
Revoltado com o resultado e com decisões da arbitragem, o jogador fez comentários de cunho machista ao criticar a atuação da juíza, afirmando que partidas desse porte não deveriam ser apitadas por mulheres. A fala repercutiu negativamente nas redes sociais e no meio esportivo.
Durante entrevistas ainda no gramado, Gustavo Marques questionou critérios da arbitragem e insinuou favorecimento ao São Paulo, apesar de reconhecer a tradição do clube. As declarações, no entanto, ultrapassaram qualquer debate esportivo ao atacar diretamente o gênero da árbitra responsável pela partida.
A situação ganhou ainda mais repercussão quando o jogador voltou a se manifestar na zona mista, reiterando críticas que reforçaram o teor machista das falas. O episódio foi amplamente condenado por torcedores, jornalistas e entidades ligadas ao futebol.
Horas depois, já mais calmo, o zagueiro retornou aos jornalistas para pedir desculpas públicas. Ele reconheceu o erro, afirmou ter agido com a cabeça quente e disse ter se desculpado pessoalmente com a árbitra e sua assistente, além de estender o pedido de perdão a todas as mulheres.
A árbitra Daiane Muniz aceitou as desculpas, mas o episódio reacende o debate sobre respeito, igualdade e profissionalismo no futebol. A Federação Paulista de Futebol e o Tribunal de Justiça Desportiva podem avaliar o caso nos próximos dias.
Dentro de campo, o São Paulo fez sua parte, venceu com méritos e garantiu vaga na semifinal do Paulistão. Fora dele, porém, o futebol voltou a ser palco de uma discussão necessária sobre limites, responsabilidade e respeito.