O São Paulo atravessa um grave momento de crise administrativa, marcado pela abertura de um inquérito para investigar possíveis práticas de corrupção no setor social do clube. O foco da investigação recai sobre António Donizete Gonçalves, ex-diretor social conhecido como Dedé, que teria oferecido vantagens financeiras em troca de uma "taxa de entrada" para certos negócios dentro da organização.
Essa nova apuração surge em meio a um contexto delicado, pois, desde o final do ano anterior, várias irregularidades começaram a ser reveladas. A primeira denúncia teve origem na venda irregular de um camarote da presidência, o que desencadeou uma série de investigações sobre desvios financeiros e gestão inadequada do caixa do clube.
A situação culminou no impeachment de Julio Casares, ex-presidente do São Paulo, que renunciou ao cargo logo após ser afastado. A decisão foi respaldada por 188 conselheiros, destacando uma mobilização significativa no ambiente político do clube. A sua saída foi um reflexo direto das denúncias que emergiram, as quais revelaram a exploração clandestina de camarotes durante eventos.
Adicionalmente, as investigações em curso levam em consideração transações que envolveram R$ 1,5 milhão em depósitos nas contas de Casares e levantam questões sobre 35 saques que totalizaram R$ 11 milhões entre 2021 e 2025. O Ministério Público também está conduzindo inquéritos civis e criminais para esclarecer a situação financeira do clube.
Harry Massis, vice na gestão anterior, assumiu a presidência interinamente até novas eleições, programadas para o final do ano. O novo presidente enfrenta o desafio de restabelecer a credibilidade do São Paulo, já que a imagem da instituição foi severamente abalada pela série de denúncias e a necessidade de uma reforma administrativa.
Em resposta à crise, o clube contratou a consultoria FTI Consulting e o escritório de advocacia Machado Meyer para realizar uma investigação interna. A iniciativa visa avaliar as práticas de governança do São Paulo e propor melhorias nos controles internos, fundamentais para a recuperação da confiança dos torcedores e stakeholders.
A atual situação é um reflexo das fragilidades no ambiente de gestão do clube, que precisa urgentemente de ajustes para garantir uma estrutura mais robusta e transparente. Os próximos passos serão cruciais, não apenas para a pacificação interna, mas também para o fortalecimento do desempenho no cenário esportivo em meio às dificuldades.