A nova frente de apuração investiga possíveis crimes de corrupção privada no esporte e delitos patrimoniais que teriam causado prejuízos aos cofres do clube. O caso se soma a outros dois inquéritos já em andamento, que tratam da exploração de "camarotes clandestinos" e supostos desvios financeiros envolvendo a gestão passada.
O Áudio do Impasse: "Joias" e Maquininhas
O inquérito foi deflagrado após o recebimento de uma denúncia acompanhada de um áudio em que Dedé aparece negociando concessões de serviços dentro do clube. Na gravação, o ex-diretor menciona a cobrança de uma "joia" — taxa de entrada para fornecedores — cujos valores oscilariam entre R$ 100 mil e R$ 150 mil.
Outros pontos cruciais do áudio sob investigação incluem:
Percentual de Faturamento: A negociação de uma taxa de 20% sobre o faturamento bruto das empresas concessionárias.
Controle de Pagamentos: A afirmação de que "as maquininhas (de cartão) são nossas", o que levantou suspeitas sobre o destino final desses valores.
A Defesa: "Valores iam para o caixa do clube"
Procurado para esclarecer os fatos, Antonio Donizete Gonçalves confirmou a autenticidade dos áudios, mas negou qualquer irregularidade ou benefício próprio. Segundo o ex-diretor, que deixou o cargo no último dia 21 de janeiro, as cobranças eram procedimentos oficiais e padronizados pelo clube para permitir a entrada de parceiros comerciais.
Dedé sustenta que as taxas de entrada e as porcentagens de faturamento (que chegavam a ser reduzidas para 10% em certos casos) eram destinadas integralmente ao caixa do São Paulo. Sobre as máquinas de cartão, ele afirmou que o uso do sistema contratado pelo clube era uma exigência para garantir o controle contábil e a transparência do fluxo financeiro.
Impacto Institucional
A abertura deste novo inquérito amplia a pressão sobre a governança do clube. Embora o ex-diretor afirme que todas as transações foram lícitas, a força-tarefa busca cruzar os dados para verificar se os montantes citados nos áudios coincidem com os registros nos balanços oficiais do Tricolor.
A investigação segue em sigilo relativo, enquanto sócios e conselheiros aguardam o desenrolar das perícias financeiras para entender a extensão dos possíveis danos ao patrimônio do clube.
Palavras-chave: São Paulo FC, Investigação, Ministério Público, Corrupção Privada, Departamento Social, Dedé São Paulo.
30 milhões de euros