Nelson Marques Ferreira, conhecido como Nelsinho, ex-diretor adjunto de futebol do São Paulo, está sob investigação da polícia civil em meio a polêmicas dentro do clube. As revelações foram feitas durante uma reportagem do Fantástico, exibida na noite de domingo (11). Nelsinho deixou seu cargo em novembro do ano passado e é alvo de apurações devido à abertura de 15 empresas enquanto ocupava essa função, iniciando sua gestão com Julio Casares em 2021.
A investigação se concentra em um escândalo envolvendo múltiplos dirigentes do clube e os recentes saques milionários das contas do São Paulo. A polícia busca entender a possível relação entre as empresas abertas por Nelsinho e os alegados desvios financeiros. Tiago Correia, o delegado responsável pelo caso, afirmou que surgiram denúncias apontando a existência de desvios estruturados e sistemáticos, além do envolvimento de dirigentes e empresas prestadoras de serviços.
De acordo com os advogados Bruno Borragine, que representa o presidente Julio Casares, e Pedro Ivo Gricoli Iokoi, advogado do São Paulo, os saques feitos pelo clube são destinados a despesas operacionais, como pagamentos de "bicho" no dia das partidas. Eles esclareceram que existem despesas que, em diversos casos, são pagas em dinheiro, especialmente em momentos cruciais como clássicos ou jogos importantes. Todos os valores sacados são rigorosamente contados e documentados, com registros detalhados sobre sua utilização.
A situação emergiu a partir de relatórios gerados pelo Coaf, órgão do Governo Federal responsável pelo controle de atividades financeiras. Informações sobre os saques em dinheiro, que totalizam aproximadamente R$ 11 milhões entre 2021 e 2025, chamaram a atenção de autoridades, resultando em uma investigação mais ampla. A denúncia indicava que Nelsinho teria criado cerca de 15 franquias em shopping centers durante sua gestão, o que levou a um exame mais aprofundado das operações do clube.
Por outro lado, a situação política do clube também se complica. O presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, anunciou um novo edital para uma reunião que discutirá o impeachment de Julio Casares, previamente marcada para 14 de janeiro, agora remarcada para 16 de janeiro. Embora tenha sido solicitado que a votação ocorresse online, esse pedido não foi aceito. A necessidade de um quórum qualificado de 75% dos membros para a aprovação da medida foi estabelecida, o que poderá resultar no afastamento do presidente, caso seja aprovado. A reunião será realizada presencialmente no auditório Monsenhor Doutor Francisco Bastos, no estádio do Morumbi, visando garantir a segurança e a legitimidade do voto secreto.