Em uma coletiva de imprensa realizada na última sexta-feira, 9 de janeiro, o presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres, abordou questões relevantes sobre a votação do impeachment do presidente Júlio Casares e as investigações que envolvem a política do Tricolor nas semanas recentes. Ayres enfatizou que seu foco está em servir aos interesses do clube, deixando de lado questões pessoais.
O dirigente foi questionado a respeito das alterações na votação do impeachment, que foram anunciadas com uma nova data para o dia 16 de janeiro, além de manter as votações presenciais e limitar o quórum necessário para a destituição de Casares a 75%. Ele esclareceu que a mudança na data se deu em razão da necessidade de conformidade com o Estatuto do clube, que exige a publicação de editais com oito dias de antecedência.
Ayres também se referiu à contradição existente entre dois artigos do Estatuto que tratam do quórum necessário para a aprovação de medidas, uma vez que um sugere 75% e outro, dois terços. Ele defendeu que, em situações dessa natureza, deve prevalecer a norma mais favorável, conforme o princípio jurídico do in dubio pro reo. Ao justificar suas decisões, ele reafirmou que não havia interesses pessoais envolvidos.
Na terça-feira, 7 de janeiro, um grupo de nove membros do Conselho Consultivo se reuniu para discutir o impeachment de Casares. Ayres participou desse encontro e se manifestou contra tanto o impeachment quanto a renúncia do presidente. Desde então, alguns grupos políticos dentro do clube têm se reorganizado, com uma parte deixando a Coalizão que apoia a gestão de Casares, enquanto outros continuam a fornecer apoio, como o Movimento São Paulo FC e a Força Tricolor.
Questionado sobre seu papel no Conselho Consultivo e sua relação com a chapa de Casares, Ayres esclareceu que sua análise é estritamente jurídica e que sua função requer imparcialidade, sem alinhamentos políticos. Ele mencionou que, apesar das pressões recebidas, a posição do Conselho Deliberativo é de atuar dentro das normas estabelecidas pelo Estatuto do clube.
Ainda que a decisão sobre o quórum tenha mudado, a votação da próxima semana ocorrerá de forma presencial. Isso foi uma resposta às solicitações da oposição, que queria que a votação fosse feita online, uma proposta que foi rejeitada. Ayres ressaltou que o voto presencial é um direito garantido e que não há possibilidade de contestação legal em relação a essa decisão.
O presidente do Conselho se mostrou seguro em relação às responsabilidades decorrentes das decisões tomadas, afirmando que todas foram analisadas com pareceres jurídicos que respaldam as conclusões. A reunião extraordinária para a discussão do impeachment está marcada para ocorrer no auditório Monsenhor Doutor Francisco Bastos, no Morumbi, com o objetivo de garantir a segurança, o sigilo do voto secreto e a legitimidade do processo.