O presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres, agendou uma reunião extraordinária para o próximo dia 14 de janeiro. O objetivo da convocação é a votação que poderá resultar na destituição do atual presidente do clube, Julio Casares. A formalidade dessa convocação já foi estabelecida após um pedido de 57 conselheiros, que foi protocolado em dezembro. A votação ocorrerá presencialmente no auditório do estádio Morumbi, com duração prevista de duas horas e início programado para às 19h (horário de Brasília).
É importante destacar que Harry Massis Júnior, vice-presidente do São Paulo e empresário de 80 anos, não estará envolvido neste processo. Massis exerce suas funções desde o início da gestão de Casares em 2021, sendo sócio do clube há 61 anos, e assumiria o cargo caso Casares seja destituído. Entre os motivos ressaltados no pedido de destituição estão a 'administração temerária', que abrange o descumprimento sucessivo do orçamento – com a dívida do clube alcançando R$ 968,2 milhões ao final de 2024 – e a suposta venda de jogadores por valores inferiores ao mercado nas últimas janelas de transferência. Ademais, a comercialização irregular de ingressos por parte de dois diretores do clube também é apontada como razão para a ação.
O aceleramento do processo se deu após a revelação pelo UOL sobre a investigação policial em que o presidente se encontra envolvido, relativa a supostos desvios financeiros envolvendo o clube. O caminho a seguir agora consiste em duas etapas: a votação no Conselho Deliberativo, agendada por Olten Ayres, e, se aprovada, uma Assembleia Geral. Para que a destituição seja possível, será necessário o apoio de pelo menos dois terços dos 255 conselheiros, ou seja, 171 votos favoráveis.
Caso a votação resulte em apoio ao pedido, Casares será afastado e Massis assumirá temporariamente o cargo. A Assembleia Geral convocada posteriormente incluirá todos os sócios adimplentes do clube, que decidirão, pela maioria simples, se a destituição de Casares será ratificada. Essa decisão será definitiva.
Outros escândalos recentes envolvendo o presidente também vieram à tona, incluindo a investigação sobre R$ 1,5 milhão recebidos em espécie e 35 saques que somam R$ 11 milhões na conta do clube. Além disso, uma situação envolvendo Mara Casares, ex-esposa de Julio, e Douglas Schwartzman, diretor do clube, foi revelada em áudios que indicam um esquema de desvio de ingressos de shows realizados no Morumbi. A turbulência política resultou em conselheiros próximos a Casares recomendando sua renúncia, mas o presidente considera que isso signifique 'aceitar as acusações'. Até o momento, ele mantém sua posição e afirma que não planeja deixar o cargo.
De acordo com as regras, a reunião extraordinária do Conselho Deliberativo pode ser convocada pelo presidente ou por solicitação de ao menos 50 conselheiros, conforme especificado no artigo 63 do Regimento Interno. Caso um pedido formal de reunião seja feito, o presidente tem até 30 dias para convocar, sob pena de punição. Se essa convocação não ocorrer no prazo, o vice-presidente do Conselho deverá fazê-lo em até 15 dias, e se ainda assim houver omissão, caberá ao conselheiro mais antigo convocar a reunião. A destituição, se aprovada, requer o quórum de dois terços dos membros do Conselho, e, aprovada a destituição, a Assembleia Geral deve ser convocada em até 30 dias para ratificação.