A recente goleada de 6 a 0 sofrida pelo São Paulo diante do Fluminense, ocorrida no Maracanã, marca um dos capítulos mais difíceis da história do clube. Esta derrota, a pior em 24 anos, reflete não apenas a fragilidade do time em campo, mas também os problemas que o clube enfrenta nos bastidores. Com lesões, eliminações e desentendimentos políticos dominando o cenário, a situação do São Paulo é alarmante.
O capitão Luiz Gustavo fez uma declaração contundente após a partida, sublinhando a necessidade de todos no clube assumirem suas responsabilidades. Ele alertou que é essencial que todos dentro da estrutura "coloque as caras" e faça sua parte para que o clube recupere sua grandeza no futebol. A pressão aumentou sobre os líderes e a comissão técnica, especialmente após um jogo onde o time foi reduzido a apenas 21 jogadores.
O técnico Hernán Crespo teve que lidar com um elenco drasticamente reduzido, contando com cinco jovens talentos da base e enfrentando a ausência de vários jogadores-chave devido a lesões. Os atletas com os maiores salários e maior experiência, como Calleri e Arboleda, estavam indisponíveis, o que acentuou as limitações da equipe. Crespo já tinha manifestado preocupação com a quantidade de lesões e a falta de jogadores suficientes para compor o elenco, o que se torna cada vez mais incompreensível para um clube de tamanha tradição.
Com a atual equipe sendo marcada por uma sequência de lesões musculares e resultados abaixo do esperado, o São Paulo se tornou uma referência negativa no cenário esportivo. A expectativa era de que o time alcançasse as fases finais em competições como o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil, o que não se concretizou. Os desafios enfrentados em campo são refletidos em uma administração que parece desarticulada, com diretores em rota de colisão política enquanto o time luta por um lugar nas competições relevantes.
A instabilidade na liderança do clube se intensifica com a luta interna entre o presidente Júlio Casares e o diretor de futebol Carlos Belmonte, ambos mirando nas eleições do próximo ano. Enquanto isso, o time é deixado à deriva, lidando com um orçamento já comprometido por uma dívida que ultrapassa os R$ 900 milhões. As prioridades de curto prazo parecem estar em desacordo com a necessidade de um verdadeiro plano de ação para enfrentar os desafios esportivos e financeiros.
Seguindo a lógica da atual administração, a reação a derrotas e instabilidades parece ser apenas paliativa. A exigência de um alinhamento claro entre as lideranças do clube se torna cada vez mais urgente. A perda por 6 a 0 não pode ser vista apenas como uma questão de jogo; é um sintoma de problemas mais profundos que devem ser tratados com seriedade e urgência se o São Paulo deseja reverter sua trajetória preocupante.