Ícone do São Paulo, Marco Aurélio Cunha detalha à ESPN período especial com Rubens Minelli: "Acima do futebol"

Fonte espn
  • Jean Santos, de São Paulo (SP)
  • 23 de nov, 2023, 17:23
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  • Ícone do São Paulo , Marco Aurélio Cunha era um jovem com apenas 23 anos quando chegou ao clube. E o período especial como estagiário é justamente o mesmo em que Rubens Minelli , lenda do futebol brasileiro que morreu nesta quinta-feira (23), aos 94 anos , treinou o time tricolor.

    Ao ESPN.com.br , o médico, hoje com 69 anos, relembrou vários detalhes da relação que teve com o técnico entre 1977 e 1979, de coisas simples e corriqueiras de dia a dia até o que mais "abalou" o tetracampeão nacional em seu auge.

    "Eu cheguei no São Paulo, como estagiário, em 77, me formei em 78, foi isso. O José Carlos Ricci era o médico [do profissional]. Eu era da base, mas frequentava ali o profissional e ajudava o Ricci quando ele ia para o consultório ou saía para outras coisas, então, a gente [MAC e Minelli] teve muito contato", afirmou o ex-médico e ex-dirigente do clube paulista.

    Para MAC, Minelli, que é um dos apenas três técnicos, ao lado de Lula [com o Santos] e Muricy Ramalho [com o São Paulo], a ser tricampeão brasileiro de forma genuína, isto é, por três anos consecutivos, era diferenciado não apenas como técnico, mas também como pessoa dentro do futebol.

    "Ele era incrível! O futebol, em geral, é raso intelectualmente, mas ele era uma figura muito inteligente. Formado em Economia. Ele era acima do futebol", seguiu o também ex-deputado estadual por São Paulo.

    "Lembro que a gente juntava às vezes e ficava brincando de bola, fazendo joguinho 2 contra 2... Era muito gente boa, mas sempre muito firme, não pipocava [nas conversas e na defesa de suas ideias], e o diretor de futebol na época era o [José Douglas] Dallora, que era de uma elegância fora do comum. Aos sábados, recordo que eu almoçava junto com eles lá [comissão técnica e integrantes do departamento médico do profissional]", detalhou MAC.

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    Morre Rubens Minelli, um dos grandes técnicos do futebol brasileiro

    Histórico treinador foi campeão brasileiro por São Paulo, Palmeiras e Internacional

    Marco Aurélio Cunha também relatou como Minelli, quatro vezes campeão nacional, uma com o Palmeiras (1969), duas com o Inter (1976 e 1977) e uma com o São Paulo (1977, mas o campeonato só acabou em 1978 ), enxergava o futebol e gostava de montar seus times.

    "Foi uma fase [anos 1970] meio contraditória do futebol, né... O Brasil, como seleção, só foi ser marcador em 94, com o Dunga [Copa do Mundo disputada nos EUA que teve o Brasil como campeão e o volante como capitão]. O Minelli tinha a ideia de que tinha que ter jogadores maiores, fortes. Ele queria contrapor o que a Alemanha, que era um timaço, fez em 74 [Mundial ganho pelos alemães em casa]", começou a explicar MAC.

    "Foi com ele [Minelli como técnico] que a musculação passou a ter importância no São Paulo, porque jogador brasileiro tinha perna e mais nada. Com ele, passou-se a se ter mais consistência física na preparação, ele gostava de marcação forte. Trouxe o Marião, o Antenor. Passou o Bezerra [autor da cobrança de pênalti que selou o título de 1977 contra o Atlético-MG] de lateral-esquerdo para zagueiro, uma espécie de líbero. Tinha o Getúlio, o Chicão. Então, ele gostava de jogadores altos, grandes, não quer dizer que não gostava dos menores.

    Por fim, Marco Aurélio Cunha não titubeou ao destacar o que mais pesou para Rubens Minelli naquela década de 70, sem dúvida a do seu auge - em 1979, ele trocou o São Paulo pelo 'mundo árabe', indo dirigir o Al-Hilal, da Arábia Saudita. "Ele não ter ido para a Copa de 78 [como técnico da seleção brasileira] foi visto na época como injustiça. Foi uma grande injustiça, né. Acabou sendo o [Cláudio] Coutinho, que usava e falava a coisa do overlaping, do ponto futuro e tal. Mas, sim, aquilo abalou muito o Minelli."

    MAC tem toda a razão. Em entrevista à revista PLACAR em fevereiro de 1985, dada ao repórter Divino Fonseca, Minelli foi taxativo sobre o assunto e até desabafou: “Eu era tricampeão brasileiro e não fui lembrado. Depois disso, tive certeza que eu nunca seria lembrado”, disparou.

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    Comentários

    nelson galhardo
    11 0
    23/11/2023 19:11:01

    era tricampeão ,baita técnico mais não era carioca e não estava no flamengo aqui no Brasil é assim nem sempre o melhor é o técnico da seleção ,Carlos Alberto Parreira nem era e foi na seleção coisas que a CBF faz é no Rio.

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