Ídolo do São Paulo, França explica por que nunca explodiu na seleção e compara épocas: "Tem jogador que fica com a 9 por anos e não faz gol"

Fonte espn
  • Murilo Borges
  • 11 de out, 2023, 05:56
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  • Richarlison , Gabriel Jesus e Matheus Cunha travam uma disputa por uma das mais cobiçadas posições do futebol mundial: a de principal atacante da seleção brasileira . Se o número 9 seguirá com o Pombo, o lugar no time que enfrenta a Venezuela nesta quinta-feira (12), às 21h30 (de Brasília), na Arena Pantanal, está aberto – ainda mais pela recente fase do jogador do Tottenham com a camisa amarela.

    Muitos tiveram a possibilidade de usar a 9 da seleção na história, e nem todos fizeram sucesso, por mais qualificados que fossem. Quinto maior artilheiro da história do São Paulo , com 182 gols, França teve a chance de representar o Brasil em uma época que artilheiros brotavam no país, mas jamais conseguiu repetir o que fazia semanalmente no Morumbi. Mais de 20 anos depois, ele admite: a culpa foi toda sua.

    "Eu não posso reclamar. Tenho consciência de que fiz um trabalho incrível no São Paulo, mas não fiz um trabalho muito bom na seleção. E também tenho consciência que não é culpa de ninguém. Recebi minha chance da seleção e fui incompetente, vamos dizer assim. Na seleção você tem pouca chance dentro da área para fazer um gol. No clube você tem mais. Por isso que na seleção é bem mais difícil", contou França, em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br .

    Então destaque máximo do São Paulo, França defendeu a seleção em apenas oito jogos, apenas três completos. Estreou nos amistosos contra País de Gales e Inglaterra , partida em que anotou seu único gol com a camisa amarela. Foi dele o tento do empate por 1 a 1 contra os ingleses, no antigo Wembley (antes de ser reformado), em Londres.

    Depois dos amistosos, França ganhou a confiança de Vanderlei Luxemburgo para seguir na seleção. Foi titular em três jogos seguidos nas eliminatórias ( Peru , Uruguai e Paraguai), depois perdeu espaço para concorrentes como Elber, Guilherme, Luizão, Amoroso e, claro, Romário. Voltou em 2002, com Luiz Felipe Scolari, e brigou até o fim por vaga na Copa do Mundo , mas um estiramento às vésperas da convocação final encerrou de vez a história.

    "Aquela [derrota do São Paulo para o Corinthians na Copa do Brasil de 2002] foi uma noite terrível para mim, porque eu tive a chance de fazer o gol no Dida de pênalti e errei. Depois, teve uma bola enfiada para mim que eu estiquei demais [a perna], não consegui alcançar a bola e tive um estiramento muito grave. Lembro muito bem dessa cena. Fiquei deitado no chão, o Dida foi o primeiro que chegou perto de mim e eu falei assim: Dida, acabou a Copa do Mundo para mim. Eu tinha certeza que ia. O médico da seleção ligou para o médico do São Paulo para ver como eu estava e isso é um sinal maior".

    França ficou fora da Copa, como esperado, e jamais voltou a ser chamado para a seleção mesmo com o sucesso no Bayer Leverkusen , da Alemanha. Algo que, se fosse na atual época, poderia ser diferente.

    Em meio às críticas aos centroavantes que hoje brigam por espaço nas convocações, seja com Tite ou atualmente Fernando Diniz, o ídolo do São Paulo acredita que a atual geração tem mais oportunidade de se firmar na seleção brasileira, o que ele, pela concorrência intensa, não teve.

    "No meu caso eu tive algumas partidas de titular, contra o Peru, contra a Colômbia no Morumbi. Tive a chance de carimbar o passaporte de vez. Se eu tivesse feito todos os gols nas eliminatórias, com certeza eu ia ficando, porque treinador não tira o atacante que faz gol. Tanto é que quando aconteceu com a Inglaterra, eu fiz o gol, aquilo ali garantiu minha convocação já para os próximos jogos", explicou França.

    "Por isso a diferença. A geração de hoje tem mais tempo. Tem jogador que fica com a 9 durante anos, não faz gol e ele fica lá com a 9. Na minha época, não. Você tem dois jogos ou um jogo pra fazer. Sai, já entra outro, porque tem muita qualidade".

    Além do desempenho esportivo, França acredita que sua história na seleção também foi curta pelo aspecto mental. Estrela do São Paulo, o atacante não tinha o mesmo status com a camisa do Brasil, o que certamente influenciava em campo.

    "Eu sinto que eu era muito tímido na seleção. Acho que deveria me soltar mais, ter mais um pouco mais de personalidade, não de jogar, mas de conquistar do zero o respeito que eu tinha no São Paulo. Porque, no São Paulo, quando eu vinha no vestiário, já dava para ver a alegria dos meus parceiros. 'Pô, chegou o homem que vai dar o bicho para a gente'. Eu queria ser chamado assim na seleção como Romário era, como o Ronaldo era. Mas para isso você tem que fazer gol para caramba para ganhar esse respeito. Então, se eu tivesse a chance de jogar bastante jogos, assim como o Richarlison tem, o Gabriel Jesus teve, eu com certeza conseguiria esse espaço".

    A época de França já passou. Agora, os convocados de Fernando Diniz têm a oportunidade de se firmarem na briga pela camisa 9 de olho na próxima Copa. Richarlison, titular no Qatar em 2022, começou a campanha nas eliminatórias, enquanto os demais esperam uma oportunidade, que pode acontecer a partir do confronto de agora com a Venezuela.

    O Brasil lidera as eliminatórias com seis pontos e um saldo de cinco gols, um acima da Argentina , a única outra seleção com 100% de aproveitamento.

    Próximos jogos do Brasil
  • Venezuela (C) - quinta-feira (12/10), às 21h30 (de Brasília) - eliminatórias para a Copa do Mundo

  • Uruguai (F) - terça-feira (17/10), às 21h (de Brasília) - eliminatórias para a Copa do Mundo

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    Comentários

    nelson galhardo
    0 0
    11/10/2023 15:24:24

    ele falou que perdeu pênalti contra o Corinthians que o Dida pegou ,o Raí , perdeu 2 com ele também contra o São Paulo todos goleiros jogam é uma praga depois entregam para os outros ,o Raí quando perdeu o segundo acho que teve vontade de pisar ou chutar a cabeça do Dida.

    3mundial
    14 0
    11/10/2023 07:56:47

    França era craque de bola. Não teve muitas chances na seleção porque naquela época, a concorrência era braba! Ronaldo, Romário…
    Teve muito craque naquela época que também não recebeu muita chance: Djalminha, Marcelinho, Alex…
    Se fosse hoje em dia, o França seria titular fácil. Naquela época jogadores como Richarlison, Gabigol, Gabriel Jesus, Pedro e outros seriam considerados pés de rato. Não seriam nem cogitados para convocação. França jogou dez vezes mais que todos eles.

    murillo franco
    10 0
    11/10/2023 07:20:08

    Uma análise clara e bem lúcida. É isso mesmo. França foi um baita atacante.

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