Provável titular da seleção brasileira no duelo contra o Chile, nesta quinta-feira (24), às 20h30 (de Brasília), pelas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo 2022, Antony tem ganhado cada vez mais espaço com o técnico Tite.
Destaque do Ajax, o atacante demorou um certo tempo até se firmar na base e demonstrar que poderia ser uma grande aposta no futuro. Ousado e driblador desde quando jogava futsal pelo time sub-9 do Grêmio Barueri, ele foi convidado com apenas 10 anos para um período de treinos e avaliações no Atlético de Madrid. Em seguida, foi integrado ao São Paulo, mas não era um dos maiores destaques daquela geração.
"No sub-15 ele era mais miúdo, e os mais fortes levavam uma certa vantagem momentânea. Não tinha muita exposição, apesar de ser muito técnico, habilidoso e ter essa relação com a bola. Sempre foi muito dedicado e gostava de jogar futebol, de dar caneta. Vejo esses dribles e na base ele fazia muito mais porque tinham mais jogadores inferiores", disse o técnico Menta, que comandou Antony no Tricolor, ao ESPN.com.br.
O treinador conta que o São Paulo soube ter paciência e esperar o amadurecimento físico do atacante e não quis dispensá-lo.
"Eu e o [técnico da base do São Paulo] Toninho sempre acreditamos no potencial do Antony. Em alguns momentos surgiram conversas sobre o biotipo dele não ser o ideal, por ser baixo. Mas a gente sempre disse para olhar o talento e esquecer o tamanho, ainda bem que nos ouviram. Futebol é o esporte mais democrático que existe".
"Muitos meninos passam numa fase mediana, mas tem muito a se desenvolver e conseguem colocar em prática tudo o que aprenderam. O time era muito forte com Helinho, Rodrigo Nestor, Rildo, Thiaguinho, Brenner... A gente tinha muita qualidade e essa competição nos treinos ajudou demais ao Antony a se desenvolver. Muitas vezes os treinos eram mais difíceis que os jogos contra os outros times", afirmou.
Antony foi inclusive um dos responsáveis pelo Tricolor criar a categoria sub-16, que serviria de transição para os garotos talentosos do sub-15 que não teriam espaço no time sub-17. Foi neste cenário que o atacante passou a chamar atenção realmente no clube.
"Muitas vezes tendo espaço a gente segura um pouco mais, dá atenção, tenta melhorar o que tem dificuldades. Nosso papel é formar bem para que possa chegar mais completo ao profissional. O São Paulo forma muitos jogadores para grandes clubes europeus e seleção brasileira. Casos como os do Antony são os nossos maiores troféus".
"Ele começou a virar a chave e se desenvolveu muito. Passamos a jogar mais vezes, ele se expôs e entendeu mais taticamente o jogo e se destacou. Comigo ele ganhou muito espaço mesmo. Ele tinha dificuldades para fazer gols, não finalizava tão bem, mas colocava todo mundo na cara do gol. Ele deixava dois ou três marcadores para trás e tinha muita facilidade para servir os centroavantes", recordou Menta.

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Sem medo de pancadas
Menta conta que desde a base Antony não tinha medo de receber pancadas dos zagueiros adversários. Muito pelo contrário. Às vezes, a violência era faísca para que ele "colocasse fogo" nas partidas, apesar dos alertas do treinador para que tomasse cuidado para não ser ferido.
"Quando um zagueiro começava a bater, ele se inflamava e ia para cima. Adorava dar por debaixo das pernas. Era muito corajoso e tinha um temperamento muito forte. Isso o ajudou a chegar aonde está hoje".
"Ele amadureceu, virou um jogador referência e passou a jogar na sub-17 e na sub-20, mas não foi um caminho tão fácil porque tinha uma concorrência muito alta. Em alguns momentos o Helinho estava à frente dele".
Promovido aos profissionais em 2018, Antony fez poucas partidas e desceu para o sub-20, sendo um dos destaques do time campeão da Copa São Paulo. Em seguida, voltou ao time principal e não saiu mais, tendo jogado 52 jogos (seis gols) até o fim da passagem pelo Morumbi.

Igor Gomes, Antony e Helinho em foto após anúncio de promoção ao elenco principal do São Paulo Divulgação
Na mira do Barça
Em 2019, Antony chegou a ser monitorado pelo Barcelona. O clube catalão, no entanto, viu no atacante apenas as dificuldades que enfrentava ao enfrentar jogadores mais velhos, como já explicou Eric Abidal, que trabalhava como secretário técnico na época.
Se o São Paulo insistiu no talento de Antony, os blaugranas não quiseram fazer a mesma aposta. "Naquele momento, ele tinha três anos a menos. Não era tão consistente assim", afirmou o ex-lateral francês e ex-dirigente do Barça.
Com a desistência dos espanhóis, ficou mais fácil para o Ajax comprar o jogador no começo de 2020. Pelo time de Amsterdã, ele fez 79 partidas (23 gols e 19 assistências) e faturou o Holandês.
"Quando o Ajax quer levar é porque enxerga um diamante, porque é um clube com uma história de formar jogadores de altíssimo nível. Fiquei muito feliz que ele tenha terminado a formação na Holanda depois de passar no profissional do São Paulo. Acho que foi a decisão certa para ele na carreira".

Antony comemora gol pela seleção brasileira Lucas Figueiredo/CBF
Destaque da seleção olímpica que venceu a medalha de ouro em Tóquio, o atacante passou a ser presença nas litas de Tite e cobiçado por grandes times da Europa. Apesar disso, o jovem não esquece as origens.
"Quando ele já estava no profissional, disse para mim: 'Você é um dos grandes culpados por eu ter evoluído tanto'. E sempre me agradeceu e me abraçou. Eu respondi: 'É fácil trabalhar com quem quer e tem talento'", disse Menta.

Ajax tem que vender nessa janela já.
Ou vai perder grana como o David Neres.