A disputa velada entre clubes da Série A dentro da Liga tem como motivação final a divisão de dinheiro de futura venda dos direitos do Brasileiro (a partir de 2025). De um lado, 10 clubes se uniram para fundar a "Forte Futebol" e querem uma distribuição mais igualitária. De outro, times grandes de São Paulo e Flamengo já iniciam a formatação da liga com a ideia de manter diferenças no fatiamento do bolo.
Para entender esse debate, é preciso responder algumas perguntas: Quais são os percentuais e regras em discussão entre os clubes? Qual a diferença para como funciona atualmente no Brasileiro? Quais são as práticas de divisão nas ligas mais avançadas do mundo?
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O Flamengo e os cinco times de São Paulo —Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos e Red Bull Bragantino— assinaram um acordo com a empresa Codajas Sports Kapital para que esta formate a Liga. A empresa apresentou proposta e conversou com todos os 20 clubes da Série A. Mas, por enquanto, foram esses seis que toparam —o Atlético-MG também sinalizou que iria aderir.
No escopo de trabalho da Codajas está criar uma fórmula para a divisão de receitas da Liga. Isso parte de duas premissas: 1) exemplo de outras ligas do mundo 2) melhor formato possível para se chegar a um consenso que seja aceito pelos 20 clubes.
Dentro desses princípios, o Flamengo e os cinco clubes paulistas já debateram o esboço de uma fórmula. Por esse modelo, a diferença entre o time que mais ganha e o que menos ganha seria entre 3,5 e 4 vezes. Ou seja, a equipe que mais fatura poderia arrecadar até o quádruplo da outra.
É uma evolução em relação ao modelo atual. Com contratos individuais, vinculados, a Globo estabeleceu critérios iguais para distribuição das verbas de TV Aberta e Fechada: fatias iguais, por posição e por exibição nas plataformas.
Mas há os contratos de pay-per-view que são regidos pelo percentual de torcida ou por ganhos fixos, Flamengo e Corinthians têm garantido cerca de R$ 140 milhões. Com esse modelo, clubes chegam a ganhar nove vezes mais do que o time que menos arrecada. Assim, Flamengo e clubes paulistas estariam fazendo uma concessão em termos proporcionais de distribuição.
A questão é que o grupo "Forte Futebol" tem um discurso igualitário. Não houve definição de uma proposta de distribuição, mas está claro que essa divisão é o principal foco do grupo. Entre os 10 clubes está o Athletic-PR, cujo presidente Mario Celso Petraglia fez discurso durante anos sobre a desigualdade na divisão das receitas.
Em geral, clubes defendem o modelo similar ao da Premier League, que é o mais igualitário no mundo do futebol. Pelas regras da Liga, a diferença entre o time que mais ganha e o que menos ganha pode ser no máximo de 1,8 vez. Nas últimas temporadas, esse percentual tem sido de 1,6 vez.
Mas equipes grandes —como Liverpool, United e City— conseguiram vantagens nas regras da distribuição da venda de direitos no exterior. Foram incluídas neste bolo —hoje maior do que o doméstico— os critérios de número de jogos exibidos na TV e de posição na tabela. Esses itens já eram usados para divisão interna.
Já a Liga Espanhola, que passou por reforma recente, tem uma distribuição de dinheiro menos igualitária. Real Madrid e Barcelona ganharam o triplo do que o Alavés na última temporada, uma diferença de 110 milhões de euros. Na La Liga, há um critério que favorece os grandes: cálculo de audiência na temporada e receita de bilheteria.
Todos os clubes têm noção desses parâmetros. A queda de braço entre os grandes e os outros clubes da Série A é justamente puxar o lado que mais o favorece.
Quem está envolvido no projeto da Liga entende que será inviável cobrar dos times de maior torcida uma concessão grande demais. Neste caso, os clubes podem sair da mesa e vender seus direitos sozinhos ou em conjunto entre eles. Neste caso, a Liga impediria e os outros 10 clubes teriam metade do Brasileiro.
É um cenário que ninguém parece querer, mas ele só será evitado a depender de quanto cada um estiver disposto a abrir mão.
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Eu sinceramente duvido que vai sair uma liga no Brasil, a verdade é que nenhum clube grande aqui vai abrir mão de parte dos seus privilégios por uma visão mais coletiva que enquadre os times menores, eles preferem ganhar menos com cotas individuais mas mantendo a distância dos investimentos dos adversários.. na Europa funciona pq eles têm uma visão mais coletiva do negócio, eles entendem o valor do espetáculo em si, em suma, com os times menores mais fortes, com mais investimentos, jogos serão melhores, mais competitivos, mais atrativos para TV, atraindo mais patrocínios, etc. a liga fica mais forte! Aqui no Brasil é cada um por si!
Tudo gira em torno do Marketing, e não ha como fugir da realidade, Sul e Sudeste são populosas e ricas, óbvio que isso tem peso! O Centro Oeste é rico perto de todas as outras regiões, mas a populaçao é pequena! O estado de Sao Paulo tem uma população igual a Argentina e se fosse um país estaria entre os mais ricos do mundo, óbvio que seus clubes teriam que ter um percentual maior!
Deveria ser por tamanho de torcida, os 10 maiores teriam valores maiores que os 10 menores! Muitos falariam FLAMENGO TEM QUE GANHAR MAIS, ai entraria a região, é preferivel ter mais torcedores no Sul e Sudeste, onde o público gasta muito mais do que as outras regiões!