O adiamento atrapalhou o planejamento do treinador tricolor. Muricy já tinha iniciado a preparação de sua equipe para enfrentar o time mexicano. Terá agora que preparar o grupo para a estréia no Campeonato Brasileiro, contra o Fluminense no Maracanã, dia 10 de maio.
Na manha desta sexta-feira, Muricy conversou com os jogadores com portões fechados. Os jornalistas que acompanham o dia a dia do clube tiveram que esperar por quase uma hora para entrar e ver o treinamento. “Eu ia falar com os jogadores e não queria ninguém ouvindo”, disse ao Blog do Boleiro.
Uma das preocupações do técnico é tirar o receio dos atletas tricolores de serem contaminados pelos oponentes do Chivas. “Clubes grandes como o São Paulo e Chivas tem estrutura para realizar testes e confirmar se todos estão sem o vírus da gripe suína”, disse.
Muricy viu pela televisão, alguns atletas do Chivas – especialmente o zagueiro Hector Reynoso – provocarem os adversários do Everton, de Viña Del Mar (Chile) ameaçando cuspir neles ou mesmo espirrar. A atitude dos atletas do time mexicano foi uma resposta ao que eles consideraram um “exagero” por parte dos chilenos.
A delegação do Chivas foi mantida numa ala isolada do hotel em Santiago, capital do Chile. Na noite da quarta-feira, o time empatou com o Everton em 1 a 1.
No dia seguinte, o site oficial do “Rebanho”(como é conhecido o time de Guadalajara), criticou a atitude dos chilenos, temerosos de enfrentarem um grupo de jogadores infectados pelo vírus da gripe suína.
O repórter do clube escreveu: “Durante os dias anteriores ao encontro, os chilenos se preocuparam tanto com a idéia absurda de que os mexicanos poderiam contagiá-los com o vírus da gripe, apenas pela presença em Viña Del Mar, que eles esqueceram da velocidade, o deslocamento e o desequilíbrio provocado pelos atacantes do Rebanho”.
Por isso, em campo, alguns atletas do Chivas ameaçavam “contaminar” seus marcadores. Muricy Ramalho acha que eles deveriam ser advertidos por esta atitude.
“Isso é brincar com coisa séria. Uma provocação dessas chega a ser ridícula diante de uma questão muito séria que é esta gripe”, afirmou o treinador. De manhã, em Guadalajara, Reynoso pediu desculpas por ter tossido e assoado o nariz perto de Sebastián Pénco, do Everton.

Não é fácil ser atleta de um time mexicano. Eles viraram, involuntariamente, “ameaça exponencial” a quem entra em contato com eles. O risco de pandemia da gripe suína fez com que países latino-americanos fechassem as portas para quem vem do México.
Depois do empate com o Everton, a delegação teve que mudar o plano de volta. Estava programado deixar Santiago, fazer escala em Lima e seguir para Guadalajara. O governo peruano, no entanto, já tinha decidido suspender voos para ou do México. Foi preciso fretar um avião que fizesse a rota Santiago – Guadalajara.
Nesta sexta-feira, a tarde dos dirigentes do São Paulo foi cheia de alternativas. O clube brasileiro não sabe até agora onde vai enfrentar o Chivas, de Guadalajara, na próxima fase da Libertadores. Logo de manhã, eles descobriram que a partida não seria mais em Bogotá, porque as autoridades sanitárias da Colômbia proibiram.
A segunda opção passou a ser Santiago, capital do Chile. Muricy gostou da idéia: “É mais perto, a viagem é mais curta”. Mas as autoridades chilenas vetaram a idéia. Tetaram Assunção, no Paraguai, e ouviram a mesma recusa.
No final da tarde, a Conmebol acenou com uma mudança radical: colocar os dois times mexicanos – Chivas e San Luis – em uma das partidas pelas oitavas de final e assim o São Paulo teria outro adversário pela frente. Esta alternativa desagrada Muricy Ramalho, que já começou a treinar o time de acordo com a forma de atuar do Chivas.
Ainda no meio desta sexta-feira, a Confederação Sul-Americana levantou a idéia de fazer os dois jogos entre São Paulo e Chivas no estádio do Morumbi. O Coritiba ofereceu o estádio Couto Pereira para servir de palco da partida.
O treinador tricolor diz que esta indefinição prejudica mais o pessoal da logística. “Eles precisam fazer as reservas nos voos e nos hotéis. Nós temos apenas que cuidar do time que vai jogar e como vai jogar”, disse.
Muricy acha o Chivas um adversário forte, experiente em Libertadores e que tem jogadores de boa qualidade como o próprio Reynoso.
Na Libertadores, os dois times já se enfrentaram quatro vezes. Todas em 2006. Nas duas primeiras partidas, na fase de grupo, os mexicanos venceram por 2 a 1. Na semifinal, o São Paulo deu o torço e ganhou por 1 a 0 e 3 a 0, passando para a final contra o Internacional de Porto Alegre. em 2006, o time mexicano levou vantagem com vitórias em casa e no Morumbi.
Já o treinador do Chivas, Francisco Ramirez, disse – no site oficial do clube mexicano – que seus atletas terão que se adaptar às dificuldades causadas pela epidemia de gripe suína. O time não vai mandar seus jogos no estádio Jalisco, em Guadalajara, a 1590 metros acima do nível do mar.
“Para nós, seria fabuloso jogar com o apoio da torcida e com a altitude a favor. Mas temos que nos adaptar o mais rápido possível ao que aparecer pela frente”, afirmou Ramirez.
