Então, enquanto batemos recordes de óbitos, nosso futebol volta à atividade. Os dois clubes de Porto Alegre estão treinando, claro, com todo o cuidado possível. Os do Rio aderiram ao retorno a partir de segunda-feira, menos Botafogo e Fluminense, que não acham o momento adequado para isso. O Rio verga diante da doença. Os times de São Paulo estão, por enquanto, trabalhando em bloco. Todos decidiram voltar juntos, nenhum agora. Eles participaram de encontros online com a FPF e tomaram o encaminhamento de não voltar aos treinos. Os jogadores vão trabalhar em casa. São Paulo, como todos sabem, é o Estado brasileiro onde mais gente morre pela covid-19.
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Em situação paralela, o governo também defende a retomada das atividades do País, de modo a “salvar a economia e o trabalho das pessoas”. Ora, mesmo antes da pandemia, o País registrava 12 milhões de desempregados. Esses continuam sem emprego. Voltar então para onde? Para a rua, na esperança de conseguir alguma migalha para salvar o dia, que seja uma moeda, como dizem os pedintes nos faróis paulistas. Quando o governo “enfrenta” as mortes e vai para as ruas, como se nada estivesse acontecendo, pronto para um churrasquinho, ele passa a todos a coragem para fazer o mesmo. Ocorre que as condições de cada um não são as mesmas. Ninguém do governo morreu pelo coronavírus. O Brasil bate na casa dos 10 mil mortos. Essa é a diferença. Há, portanto, dois Brasis, o de Brasília e o do da pandemia.
Da mesma forma, quando os clubes retomam suas atividades esportivas, eles passam para os milhares de apaixonados torcedores a mensagem de que está tudo bem, de que a vida no País esta sendo retomada aos poucos e que todos podem deixar o isolamento social e recuperar suas atividades. Não é isso. O futebol volta cheio de regras e procedimentos de segurança de saúde que o torcedor comum não tem como fazer. São testes para todos. Uma, duas, três vezes se for necessário. Os profissionais dos times grandes têm condições financeira de usar bons hospitais. Uma condição que a maioria não tem, nem chega perto de ter. O povo brasileiro se vale do Sistema Único de Saúde (SUS), que descobrimos valer mais do que imaginávamos, mas ainda longe do que precisamos. Passar mensagens erradas pode ser fatal nesse momento, em pleno crescimento da doença no Brasil.
É preciso saber que países na Europa que estão ‘reabrindo’ e voltando com o futebol, já passaram pelo que os brasileiros estão passando agora e passarão nas próximas semanas, com a diferença ainda de serem nações menores, não continentais como o Brasil, com menos gente e mais dinheiro. O Brasil mostrou o tamanho de sua pobreza com essa pandemia, inclusive para o presidente Jair Bolsonaro, que esperava 20 milhões de pessoas correndo atrás do fundo emergencial de R$ 600 por três meses e foi surpreendido com 70 milhões de brasileiros.
O futebol prega a vida, a alegria, a competição em condições iguais, o abraço na hora do gol… Nada disso faz parte da vida do torcedor nesse momento.
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Também acho que não está na hora de voltar mesmo.Nosso Presidente quer a volta do futebol pra desviar o foco da sua incompetência de governar.Quer jogar os números dp desemprego por causa sa Pandemia. Mas antes ja e istia mais de 12 milhões de desempregados e este crapula nada fez.Esta certo que somos o pais do futebol.Mas agora é hora de cuidar de nosso povo.O futebol pode esperar.