Na súmula, Walce possibilita várias pronúncias: Valce, Ualce, Valcí, entre outros. Apesar dos recorrentes equívocos, Walce (da pronúncia correta Valce) não cogita mudar seu "nome" para facilitar a vida dos jornalistas ou a fim de atender os experts em marketing esportivo.
Aos 18 anos, Walce leva o nome do pai com muito orgulho, mesmo não tendo o conhecido. A história do zagueiro são-paulino começa no início da gestação da mãe, Izaura Rizo, que descobriu a chegada do terceiro filho no 13º dia de gravidez.
- A minha mãe tinha acabado de descobrir que estava grávida quando meu pai teve algumas complicações. Ele pegou uma pneumonia durante uma viagem profissional ao Rio de Janeiro, foi internado, e morreu poucos dias depois - explicou Walce, que ganhou o nome a pedido do próprio pai.
Com duas semanas de gestação, Izaura não sabia se viria um menino ou uma menina, mas Walce, o pai, parecia ter certeza.
- Minha mãe diz que ele pediu para ter o nome dele, e isso é motivo de orgulho para mim. As pessoas não sabem a história que existe por trás do meu nome. Eu jamais trocarei, e lutarei para que todos possam conhecê-lo da melhor forma possível - disse Walce, que sempre ouviu boas histórias a respeito do seu pai.
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Walce pai trabalhava como cinegrafista, era apaixonado por futebol e chamava atenção pela simplicidade (Foto: Arquivo pessoal)
Cinegrafista da afiliada Globo do Mato Grosso, Walce era conhecido pela simplicidade. Era apaixonado por futebol, e não à toa, deu ao primeiro filho o nome de Walber, em homenagem ao zagueiro são-paulino dos anos 90. Ingredientes que deram um toque especial à vida de Walce.
- As referências que carrego do meu pai são as melhores possíveis. Todos falam que ele era um cara simples, trabalhador, objetivo em seus sonhos. Ele respeitava a família, queria estar junto, cuidando de todos. Sempre ouvi isso e coloquei no meu coração que a história deveria continuar. Ser escrita por mim. Fazia parte de mim, mesmo não tendo conhecido - comentou o zagueiro são-paulino.
A herança não ficou apenas no nome e na paixão pelo futebol. Amigos e parentes notam semelhanças na fisionomia e também de comportamento. A mãe chega a se assustar em alguns momentos.
- A semelhança na aparência é notada pelas pessoas. Minha tia, pessoas que o conheceram, dizem que somos muito iguais. As pessoas até brincam, perguntam se não é o Walce, meu pai. Alguns detalhes, como a maneira de deitar, chamam a atenção da minha mãe. Ela diz: "Você está fazendo igualzinho ao seu pai" - lembrou.
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"Coloquei no meu coração que a história deveria continuar" (Foto: Celio Messias/saopaulofc.net)
Além de carregar o nome e as características, sempre que pode, Walce faz homenagens. Contra o Huracan-ARG, na Copa RS 2017 - o Tricolor foi campeão -, o zagueiro simulou uma filmagem com uma câmera imaginária, lembrando a profissão do pai, ao marcar o gol da vitória.
- Antes de começar o jogo, eu tinha em mente que, se eu fizesse um gol, faria uma comemoração especial. Não é uma homenagem ao meu pai, mas sim a todos aqueles que o conheceram. O Walce não foi por inteiro - disse.
E como não poderia ser diferente, a história escrita pelo filho caçula deixa a família Rizo, principalmente a mãe Izaura, emocionada.
- A minha mãe sempre se emociona. Meu irmão mais velho, a minha irmã Danyeli, todos ficam felizes e torcem muito pelo meu sucesso. Infelizmente faz parte da vida. Fui entender depois dos meus 15 anos, mas hoje tenho em mente e no coração que devo continuar essa história - declarou o zagueiro, que promete novas comemorações nesta Copinha. Caso marque um gol, novas imagens, agora no imaginário de todos, chegarão ao Walce pai.
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Família Rizo acompanha o sucesso de Walce, zagueiro titular do São Paulo (Foto: Arquivo pessoal)
Velho de casa
Walce está no São Paulo desde 2013. Jogava num projeto social em Cuiabá quando foi indicado ao São Paulo, por meio do seu técnico da época, conhecido por Profeta.
- Ele cuidava de vários garotos, meninos simples que não tinha oportunidade. Era um trabalho com futebol, mas que formava meninos. Fiz o teste em 2013, fui passando nos testes para alojar no São Paulo, e desde então sigo no clube - disse Walce, que jogou na vitória sobre o Cruzeiro-DF na última quarta-feira, por 6 a 2, e estará em campo neste sábado, diante do Sergipe, pela segunda rodada da Copa São Paulo de Futebol Júnior.