Paulo Henrique Ganso comemora gol contra o Maribor, pela Liga dos Campeões: são quatro em nove jogos (Foto: REUTERS/Srdjan Zivulovic) Paulo Henrique Ganso quer receber mais chances no Sevilla. Aos 28 anos, o meia brasileiro ainda se vê com gás para conquistar mais objetivos na Europa – muito além dos nove jogos (604 minutos) disputados na temporada 2017/18. Em entrevista ao portal “Goal”, o jogador passou a limpo o seu momento e alguns pontos de sua carreira. Por exemplo, revelou ser mais identificado com o São Paulo do que com o Santos, clube onde ganhou projeção nacional ao lado de Neymar: - Quando você sai de um rival, no caso o Santos, e vai o São Paulo, a torcida fica um pouco chateada e triste. Os santistas gostam muito de mim, mas ficou aquele sentimento de "poxa, ele não precisava ter saído". Confira outros trechos da entrevista abaixo: O gol contra o Maribor na semana passada, que foi importante para o Sevilla na Liga dos Campeões, pode servir como o "empurrão" que faltava para deslanchar na Espanha? Se analisarmos os números, o meu início de temporada foi muito bom. Nove jogos sem perder, quatro gols e três assistências. Não é por falta de gol que a minha carreira não vai deslanchar aqui. Falta jogar mais, preciso jogar mais, até para pegar o mesmo ritmo do grupo. Todos dão pitacos e têm sugestões em relação ao seu futebol: deve virar volante, precisa entrar mais na área, falta chutar... Sempre foi assim. Muitos falaram: "Agora que vai para Europa, precisa jogar mais recuado, porque não tem dinâmica de jogo e intensidade para chegar ao ataque". Pelo contrário. Hoje estou provando que posso jogar na minha posição, chegando para fazer gols e dando assistências. Tenho que jogar mais na frente mesmo, e não recuado como muitos falavam. Te incomodou ou ainda te incomoda o fato de alguns falarem que você poderia ter ido mais longe na carreira? Não, não me incomoda. As coisas aconteceram da forma que tinham de acontecer. É óbvio que a gente quer chegar sempre o mais longe possível... Mas não estou velho. Estou mais experiente. É isso, estou mais experiente (risos). Tenho muita lenha para queimar ainda, espero chegar o mais longe possível na minha carreira. Sente que algumas pessoas ainda desconfiam do seu lado físico por causa das antigas lesões? Não, nem aqui e nem no Brasil. Não desconfiam do lado físico, e também não desconfiam do lado jogador mesmo. Quando cheguei ao futebol espanhol, teve quem disse: "Será que ele vai conseguir jogar no Sevilla?". Hoje acontece o contrário, pedem para que eu jogue. Qual foi o momento mais difícil da sua carreira? Foram as lesões mesmo. Depois também teve a mudança de clube no Brasil (Santos para o São Paulo, em 2012). É difícil chegar num rival e se tornar tão querido pelos torcedores. Mas as lesões foram os momentos mais complicados. Lesões que ficaram no passado, graças a Deus (risos). Já são seis anos sem nada, faz muito tempo. Repito: graças a Deus (risos). Ganso lembra com carinho de seu período no São Paulo (Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net) E o momento de maior alegria? Tive vários momentos alegres, em cada clube tive passagens especiais. No Santos, por exemplo, com os títulos, como a Libertadores. No São Paulo, conquistei apenas a Sul-Americana, isso sem falar daquela Eusébio Cup (risos). Brincadeiras à parte, o melhor momento no São Paulo foi a minha chegada. Não esperava ser tão bem recebido, a minha apresentação teve mais de 40 mil torcedores. O que achou da contratação do Guilherme Arana? Já joguei contra ele. É muito bom jogador, tem as suas qualidades. Pô, o menino só tem 20 anos (risos). Olha como o tempo passa rápido... Vem para o futebol europeu com uma idade boa. Foi duas vezes campeão nacional com o Corinthians, então chega com uma certa experiência. Já é um grande jogador, mas tenho certeza que vai crescer muito mais aqui. Santos ou São Paulo: onde criou maior identificação? No São Paulo, talvez. Quando você sai de um rival, no caso o Santos, e vai o São Paulo, a torcida fica um pouco chateada e triste. Os santistas gostam muito de mim, mas ficou aquele sentimento de "poxa, ele não precisava ter saído". Considerando a mudança conturbada de clube, a passagem pelo São Paulo foi até melhor do que esperava? Sim, foi muito mais do que imaginava. Muito mais. Não esperava que fosse tão bem recebido e tão bem tratado como fui no São Paulo. Foi diferente de tudo o que já vivi.