No Brasil, Guilherme Choco pouco atuou profissionalmente, mas na Bulgária ele conquistou títulos, jogou a Champions League e se tornou ídolo. Hoje, o jogador sonha em um dia voltar a disputar a maior competição de clubes do mundo.
Nascido em São Paulo, o garoto começou no futsal da General Motors, em São Caetano do Sul. No clube, ele ganhou o apelido que carrega até hoje por causa da semelhança física com Choco, ex-pivô que brilhou na seleção brasileira.
Seu primeiro time no futebol de campo foi o São Paulo, no qual jogou como atacante por um ano antes de sair.
"Eu fui mandado embora depois daquela seleção que foi feita par saber quem iria subir de categoria. Nisso, eu fui para o Santos. Fiquei mais um ano jogando na frente, mas o Lima era meu treinador no infantil. Ele um dia me colocou como ala e fui muito bem. Depois disso, não saí mais", disse, ao ESPN.com.br.
Na Vila Belmiro, Guilherme Choco ficou por mais de seis anos na base e atuou ao lado de Neymar, Ganso, André, Rafael Cabral.
“O Neymar, magrelinho como a gente chamava quando estávamos na base, sempre foi muito atentado, ele e o André. Nunca deixavam ninguém quieto. Jogamos juntos na Copa São Paulo de futebol júnior, a relação do grupo era muito boa. Sempre brincávamos, inventávamos apelidos para todo mundo, o Narciso, que era o técnico, ficava louco conosco”, revelou.
Ainda na base, o defensor passou apuros em sua primeira viagem de avião para a disputa do Campeonato Brasileiro Sub-20.
“Estávamos todos com muito medo e sentamos todos perto uns dos outros. Eu estava do lado do Thiago Lopes. A gente suava de medo, eu agarrei a perna dele e não soltava por nada. Quando o avião pousou, minha mão estava até vermelha de tanta força que fiz”, relatou o jogador.
Ídolo na Bulgária
Depois de alguns anos na base do Santos, Choco foi promovido ao time principal, mas não chegou a ser aproveitado pelo treinador Vágner Mancini e resolveu sair.
“Havíamos disputado um campeonato na Espanha onde o treinador do Ludogorets me assistiu, gostou do meu futebol e o time fez uma proposta para mim. Conversei com o meu pai e concordamos que era o caminho a ser seguido”, continuou o lateral.
Ao chegar à Bulgária, Choco era o único brasileiro no time e encontrou bastante dificuldade de adaptação. Além do clima mais frio, ele sofreu com o idioma e os costumes diferentes.
“Lá eles têm costumes diferentes dos nossos. Os gestos de ‘sim’ e ‘não’, por exemplo, são inversos, que nem no Chaves [série mexicana de sucesso protagonizada por Roberto Bolaños]”, disse o atleta, que contou como descobriu isso.
“Eu não sabia disso e teve um dia, estava muito frio, muito mesmo. Quando terminamos o treino, eu fui para o ônibus e me encolhi no assento para me esquentar. Nisso, o massagista veio até mim e perguntou se eu queria água. Como estava com muito frio, apenas balancei a cabeça de um lado para o outro, negando o pedido. Ele entendeu errado, achou que eu tivesse concordado e ficou lá, em pé, esperando que eu pegasse a água. Eu não entendia o porquê ele continuava ali. Só alguns minutos depois que o tradutor percebeu o que estava acontecendo e veio resolver a situação. Foi muito engraçado”, relembrou Choco.
Além das histórias divertidas, o defensor ajudou o Ludogorets a subir da segunda para a primeira divisão do país. Na elite, a equipe venceu quatro vezes a Liga Búlgara e jogou a fase de grupos da Uefa Champions League.
“Nosso primeiro jogo foi contra o Basel. Foi difícil dormir na véspera, era muita ansiedade. Na hora de entrar em campo então, confesso que segurei o choro quando escutei a música da Champions, é demais”, relatou o jogador.
“Outro orgulho foi poder jogar contra grandes times. Liverpool, PSV, Lazio, Valencia, Real Madrid. Não eram apenas partidas, era um sonho. Nunca imaginei estar ali, jogando contra o Real Madrid, eles estavam em nível muito acima. Não conseguimos jogar, é bem diferente”, confessou Choco.
Volta ao Brasil e ida à Lituânia
Apesar da boa passagem pela Bulgária, onde ficou bem conhecido e se tornou querido pela torcida do Ludogorets, o defensor deixou a equipe, em 2015.
“Foi bem triste. foi muito tempo lá, minha família estava adaptada, mas eu queria coisas novas. Acabei confiando em um empresário que não cumpriu com sua palavra e fiquei seis meses desempregado. Depois disso, fui para o Apoel Nicosia, do Chipre”, relembrou o jogador.
Guilherme ficou por seis meses no Apoel antes de acertar seu retorno ao Brasil. Por aqui, ele ficou também cerca de meio ano e atuou por Sampaio Corrêa-MA e Itabaiana-SE.
Depois deste período, o lateral voltou à Bulgária, mas desta vez defendeu o FK Montana e o Lokomotiv Plovdiv. Nesta temporada, ele acertou um novo desafio.
“Hoje, estou na Lituânia, no Suduva. Aqui é um pais bem tranquilo, bem organizado, muito limpo. Me surpreendi, não achei que fosse tão assim. É um pais muito barato, custo de vida bem baixo. Estou gostando de estar aqui, graças a deus está dando tudo certo. Estou trabalhando muito forte para que um dia eu possa voltar a escutar aquela música da Champions de novo no gramado”, finalizou