Aderllan foge até de amigo para guardar camisa e realizar sonho

Fonte UOL
Aderllan foi contratado em julho, mas só estreou contra o Flamengo, no último domingo
O cronômetro marcava 49 minutos do segundo tempo quando Militão saiu de campo mancando e muito festejado pela torcida do São Paulo, ansiosa para que a vitória por 2 a 0 sobre o Flamengo fosse consumada no Pacaembu. A expectativa era tanta que poucos perceberam que o escolhido por Dorival Júnior para gastar o tempo no jogo do último domingo era Aderllan. Como é? Aderllan?

É, Aderllan, lembram? Aquele zagueiro que viveu uma certa novela para ser emprestado pelo Valencia. Que foi aprovado por Rogério Ceni, mas não teve tempo de encontrar o ídolo. Que chorou quando lembrou a infância humilde como torcedor do Tricolor e como a falta de dinheiro no interior de Pernambuco o impedia de ter uma camisa do clube do coração.
E se foi difícil fazê-lo tirar até o uniforme que ganhou quando foi apresentado, imaginem o que ele usou na estreia pelo São Paulo. O árbitro Rafael Traci encerrou a partida e Aderllan mostrava uma euforia quase infantil pelo feito do último domingo. Caminhava aos pulos em direção ao campo do Flamengo e ganhou abraço caloroso de um rival e amigo: Diego Alves, goleiro rubro-negro, era seu companheiro no Valencia e quis trocar de camisa com o parceiro dos tempos de Espanha.
Só quis. Aderllan não deixou que ninguém se aproximasse de seu troféu. Diego Alves precisou recorrer a Lucas Pratto porque a camisa do zagueiro já tinha destino. Vai se juntar à da apresentação em sua coleção particular, mas com cuidado especial: protegida e à mostra em um quadro. Uma pequena conquista para o jogador de 28 anos, que não atuava no Brasil desde 2009. Um sonho realizado para o menino humilde de Salgueiro, Pernambuco.
"Ele quer todas as camisas para ele, não ganhei uma até agora (risos).", brinca Celso Paulina Silva Filho, que trabalhou como intermediário na transação entre Valencia e São Paulo: "Acho que vai presentear os familiares no fim do ano (com as camisas). Ele é uma pessoa sensacional, muito querido por todos e por onde passa. Estou há nove anos trabalhando no futebol e nunca encontrei um atleta como ele".
Foram três meses e 11 dias entre o anúncio da chegada ao São Paulo e o primeiro jogo do defensor. Aderllan precisou encarar semanas e semanas sem nem sequer ser convocado para as partidas no Campeonato Brasileiro. Treinou como zagueiro reserva, como lateral, e em grupo separado dos demais. Dorival Júnior ainda não o via em condições. Até domingo, por menos de um minuto, com só um toque na bola, mas muita história para contar.
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