Pimenta: "É uma decepção ver o São Paulo convivendo com o rebaixamento"

Fonte Lancenet - Crônicas do
José Eduardo Mesquita Pimenta, ou, simplesmente, Pimenta para os torcedores do Tricolor Paulista, foi presidente do São Paulo Futebol Clube entre 1990 e 1994, período em que o clube conquistou duas vezes a Libertadores e dois Mundiais Interclubes

Considerado por muitos o maior presidente da história, quando chegou ao cargo, em 20 de abril de 1990, o São Paulo atravessava uma profunda crise financeira e, dentro de campo, o time caminhava para a segunda divisão.
Com o apoio de um grupo de diretores, sendo dois gigantes da história do Tricolor, Khalef João Francisco e Fernando Casal de Rey, renegociou contratos de patrocínios, levantou fundos e iniciou um projeto que transformaria o clube em uma referência mundial quanto à estrutura.
Dentro de campo, no período de quatro anos, o São Paulo conquistou a impressionante marca de 23 campeonatos, colocando o clube na principal prateleira do futebol mundial e, também, Pimenta como o presidente que mais conquistou títulos no mundo em apenas uma gestão, marca que ainda não foi superada.
Atualmente é membro do conselho de administração e presidente do conselho consultivo, mas enfatiza que seu trabalho é fiscalizar, ainda que “86% dos recursos estejam vinculados aos Departamento de Futebol, administrados exclusivamente pelo presidente Leco”.
Na entrevista a seguir, Pimenta falou sua trajetória no São Paulo, a primeira decisão do Mundial Interclubes, quando Tricolor atropelou o Barcelona, e seu papel como membro dos conselhos consultivo e administrativo. Confira:
O que vem à mente ao relembrar o período de 1990 a 1994, quanto esteve na presidência do São Paulo e o clube conquistou inacreditáveis 23 títulos, sendo duas Libertadores e dois Mundiais Interclubes?
Pimenta – Sem dúvida, é um período fantástico do São Paulo e da minha vida. Muitas pessoas só enxergam os títulos conquistados, que são os resultados finais, o levantar de taças; porém, o que muita gente não sabe, ou não se recorda, é que quando chegamos à presidência, o clube atravessava uma grave crise financeira e a equipe caminhava para a segunda divisão.
Relembrar o passado e constatar que à época saímos de uma situação quase de terra arrasada para depois conquistar duas vezes a América e o Mundo, sem dúvida, nos enche de orgulho, não só pelos feitos como gestor, mas também porque sou um apaixonado pelo São Paulo.
Qual o método para reverter um quadro extremamente complicado e transformar o São Paulo em uma potência mundial?
Pimenta – Com seriedade. O primeiro ano foi determinante para colocarmos o clube em ordem e, a partir de então, criarmos as condições para projetar títulos. Assumi o clube em 1990 e, já no ano seguinte, conquistamos o Campeonato Brasileiro de 91, o que nos concedeu uma vaga para disputar a Libertadores de 1992. Há que se ressaltar que, naquela época, conquistar uma vaga na Libertadores era muito mais difícil, pois somente classificavam-se o campeão brasileiro e vencedor da Copa do Brasil.
Na final do Mundial Interclubes, em 1992, o Barcelona menosprezou o São Paulo?
Pimenta – Havia “uma certa arrogância”, porém, nos respeitaram, porque já os havíamos vencidos no mesmo ano, em agosto, por 4 a 1, no Torneio Teresa Herrera. Depois de golearmos nesse torneio, verdade é que perdemos o temor de enfrentar o Barcelona. Chegamos à final do Mundial Interclubes, batemos novamente por 2 a 1, a ponto do técnico do Barcelona, o lendário Johan Cruijff, afirmar que foram atropelados por uma Ferrari.
Durante sua gestão, o São Paulo conquistou 23 títulos, era um clube de vanguarda, porém, nos últimos 10 anos, o Tricolor passa por um período turbulento, até decadente. Como avalia a última década?
Pimenta – Fato é que fomos superados. Éramos vencedores, um clube de vanguarda, tornamo-nos um expoente mundial, copiados pelos demais; no entanto, agora, estamos na retaguarda. Evidente que ainda há tempo para se recuperar, pois o São Paulo não permanecerá em uma posição secundária para o resto da vida, mas é importante termos consciência de que estamos ficando para trás.
O São Paulo 2017 atravessa uma crise, flertando com o rebaixamento. O que é necessário fazer reverter essa situação?
Pimenta – Apesar de ser membro do conselho de administração e presidente do conselho consultivo, verdade é que os conselheiros têm uma participação muito reduzida nas decisões, porque o Departamento de Futebol, que concentra 86% das receitas do clube, são administradas exclusivamente pelo presidente Leco.
Dá para dizer que os Conselhos e conselheiros, nos moldes apresentados, são peças praticamente figurativas?
Pimenta – São figurativos, sem dúvida alguma.
Durante o processo eleitoral, realizado em abril, você foi o candidato da oposição contra o atual presidente Leco. Porém, mesmo perdendo, passou a integrar o Conselho de Administração e a presidência do Conselho Consultivo. Pode-se dizer que foi cooptado pela atual gestão? Como se posiciona em relação a isso?
Pimenta – Eu não fui cooptado. Não tenho nenhuma ligação com o Leco, ao contrário. Em realidade realizo um trabalho de fiscalização por meio dos conselhos consultivo e de administração. Ressalto que o trabalho desenvolvido junto ao conselhos é limitado, uma vez que o Departamento de Futebol é administrado exclusivamente pelo atual presidente e a diretoria de futebol.
Quais suas perspectivas para o segundo turno do São Paulo no Brasileirão?
Pimenta – Tenho dúvidas, porque o time não está afinado. Caso não se ajustar rapidamente, correremos sérios riscos. Se por um lado temos que relativizar a situação, já que existem outros clubes na tabela que oscilam, em contrapartida, diante do que vemos hoje, não dá para dizer que vamos estar no topo.
Como é para você ver o São Paulo, desde 2013, convivendo com a zona de rebaixamento?
Pimenta – É uma imensa decepção. Sinceramente nunca esperava presenciar essa situação. Depois de conquistarmos duas vezes as Américas e duas vezes o Mundial, realmente projetava que o São Paulo, a partir daqueles feitos, sempre estivesse disputando as primeiras posições.
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