Brenner, diga-se, tem uma média de gols absurda, surreal em 2017. Marcou 44 em 21 jogos. Tudo bem que vários deles contra equipes pequenas, mas nos jogos contra os grandes ele também fez a diferença. Jogador da seleção sub-17, ele foi reserva no Sul-Americano da categoria. Mas quando entrou, deu conta do recado sempre. Voltou ao Tricolor e assumiu de vez um papel de protagonista, estreando até no time principal contra o Atlético-PR, quando o técnico ainda era Rogério Ceni.
Brenner, no entanto, não foi o único a brilhar, e sim o homem de qualidade que faltava para definir as jogadas muito bem construídas pelo trio de canhotos. E nesse trio, difícil dizer quem é melhor: Helinho, Rodrigo Nestor e Anthony.
Helinho, o camisa 8, foi o responsável pela jogadaça que terminou no primeiro gol de Brenner. Rápido, habilidoso e com uma visão de jogo acima da média, ele começou mal a competição. Estava com uma unha encravada e só resolveu o problema depois do jogo contra o Coritiba na primeira fase, em que o Tricolor empatou por 1 a 1 e quase foi eliminado no torneio. Depois disso, arrebentou contra o Goiás e foi bem em todos os jogos. É dinâmico, tem boa velocidade e bom chute de fora.
Rodrigo nestor, o camisa 10, é também um 5. Ou um 7. Ou um 11. Está em todos os lugares e resolve tudo com um toque só na bola. Sempre dá fluidez ao jogo e quase fez um golaço do meio-campo contra o Coritiba. É muito cotado para ir ao Mundial Sub-17, pois foi campeão sul-americano com a seleção, assim como Brenner. E ainda parece ter muito a evoluir fisicamente.
Antony, o 11, quase foi dispensado do clube no fim do ano passado. Havia atuado pouco por ser do primeiro ano de juveni. Mas ficou, ganhou espaço e hoje se mostra uma opção interessante até para a seleção sub-17. É um ponta extremamente rápido, habilidoso, driblador e que muda de direção com facilidade. Fez só um gol no torneio, contra o Goiás, mas impressionou a todos os que estiveram em Belo Horizonte e viram o São Paulo em campo.
Como se não bastassem esses três, ainda há mais canhotinhos no banco. Vitinho, que está no primeiro ano de juvenil, fez um gol importantíssimo no empate contra o Coritiba (um gol polêmico, em que o Coxa pediu impedimento e a auxiliar levantou a bandeira, dando a impressão a todos de que havia marcado, mas correu para o centro do gramado). Há também Ed Carlos, meia que tem um canhão no pé esquerdo e foi importante para manter o volume de jogo nos segundos tempos. Há o polivalente Lucas Fasson, que jogou de zagueiro na decisão, mas é também lateral-esquerdo ou volante.
O time do São Paulo é tão forte, mas tão forte, que durante a competição dois jogadores campeões sul-americanos sub-17 com o Brasil foram barrados: o goleiro Arthur, que perdeu a posição para Eduardo, e o lateral-esquerdo Weverson, que recuperou o posto na decisão, mas chegou a ser barrado por Lucas Fasson.
A escolha por jogadores canhotos tem sido um padrão em Cotia. Só na geração 96/97, que começa a dar o ar da graça nos profissionais com mais frequência agora, o clube vendeu quatro: Boschilia, Ewandro (mal vendido ao Atlético-PR e depois repassado ao Udinese), Luiz Araújo e David Neres. Outros dois centroavantes, Joanderson e João Paulo, também têm o pé esquerdo como dominante. Se há um padrão na escolha, porém, a regra na transição aos profissionais precisa ser. E nesse sentido, a falta de continuidade no processo quebrou tudo em anos passados.
Outra dúvida pertinente é sobre a repetição desse padrão de escolha a partir da geração 2002, não mais escolhida pelo falecido Geraldo Oliveira (a última foi a 2000) e Marcelo Lima, que comandavam o monitoramento diferenciado do clube com jogadores entre 10 e 14 anos. A julgar pelo bom desempenho em Votorantim neste ano sob o comando do técnico Rafael Paiva e pela presença do bom Pedro Smania, ex-Figueirense, na coordenação técnica, é possível dizer que a qualidade será mantida. Mas essa resposta só o tempo dará nos próximos anos.