Na última sexta-feira, o Lille, da França, chamou a atenção no Brasil ao comprar o atacante Luiz Araújo e também ficar muito perto de levar o volante Thiago Mendes, ambos do São Paulo, por 18 milhões de euros (R$ 65 milhões).
As contratações foram um pedido do técnico argentino Marcelo "El Loco" Bielsa, e a equipe não teve pudor em gastar uma bela quantia pela dupla brasileira, mesmo não estando no mesmo patamar dos principais times da Ligue 1.
Dinheiro, porém, não é problema para o Lille, que, desde o início de 2017, é propriedade do espanhol/luxemburguês Gérard López.
Um dos fundadores da Mangrove Capital Partners, gigante empresa de investimentos em tecnologia, o magnata arrematou o clube por 80 milhões de euros (R$ 293,2 milhões), assumindo também as dívidas da equipe de Hauts-de-France.
Sob seu comando, é esperado que aconteçam grandes investimentos e Les Dogues voltem ao protagonismo na França, como na temporada 2010/11, quando foram campeões da liga francesa e da Copa da França com o meia Eden Hazard "comendo a bola" e o atacante brasileiro Túlio de Melo, atualmente na Chapecoense, arrebentando.
No entanto, se depender da experiência anterior de López no mundo dos esportes, é bom os torcedores do Lille ficaram com a pulga atrás da orelha.
Entre 2009 e 2015, o espanhol, apaixonado por carros e corridas, foi dono da Lotus, tradicional equipe de Fórmula 1 nos anos 1990, que ajudou a colocar de volta no mapa - e também a passar vexame. Ele comprou o time através da Genii Capital, outra empresa de seu conglomerado.
A gestão de López à frente da Lotus foi marcada por poucos momentos de brilho e muito endividamento.
De positivo, houve o ressurgimento do finlandês Kimi Raikkonen após o piloto voltar de seu ano sabático. Em 2011, o "Homem de Gelo" conseguiu um improvável 2º lugar no GP do Bahrein, sendo muito elogiado pela grande corrida.
Um ano depois, terminou no 1º posto em Abu Dhabi de maneira incrível, conquistando a 1ª vitória da Lotus na volta à Fórmula 1.
Além disso, o magnata apostou no francês Romain Grosjean e foi correspondido, ajudando o piloto a resgatar sua carreira decadente no automobilismo. Desde então, Grosjean segue na F1, e atualmente compete pela Haas.
Por outro lado, a gestão de López e da Genii Capital foi um desastre no aspecto financeiro.
Em 2014, após os donos terem diversos problemas na busca por patrocínios ou parceiros, a situação chegou a um ponto tão vergonhoso que Raikkonen chegou a abandonar as duas últimas corridas da temporada por atraso de salários.
O espanhol, então, veio a público e admitiu que a escuderia tinha uma dívida de 114 milhões de libras (R$ 477,5 milhões, na cotação atual).
A situação seguiu insustentável no ano seguinte, e Gérard López não teve alternativa a não ser vender seu projeto fracassado na Lotus.
No fim das contas, a equipe foi comprada por um valor simbólico: apenas 1 libra (R$ 4,19) pela Renault - a Genii Capital ainda tem uma pequena porcentagem.
Apesar disso, o espanhol não considera que tenha fracassado na F1.
"Meu tempo na Lotus não foi um fracasso. Compramos a equipe investindo 40 milhões de euro em refinanciamento de dívidas e salvamos 450 empregos. O time não tinha patrocinadores e conseguimos atrair muitos", garantiu, à AFP.
"Mas, quando chegamos ao equilíbrio operacional, os custos explodiram e os patrocinadores abandonaram. Podíamos ter fechado a equipe, mas decidimos vender a salvar 540 empregos", prosseguiu.
"O time não tinha dívidas quando vendemos para a Renault. Havia apenas o débito de 114 milhões de libras, mas que era responsabilidade dos acionistas", finalizou.