Bravo, Ceni!

Fonte Blog do Torcedor
Vamos admitir: ganhar é ótimo. Ganhar um clássico contra um arquirrival vizinho de muro, atual campeão nacional e possivelmente dono do elenco mais estelar do continente é muito melhor. De quebra, o Tricolor manteve uma escrita de 15 anos invicto frente ao Palmeiras no Morumbi, naquele que ficará eternizado para muitos como o Choque Rei da Valsa. A relevância histórica do feito deve ser celebrada sem moderação pela torcida, mas o que o jogo de sábado trouxe de melhor vai bem além do placar favorável frente a um adversário bem mais rico e que era, com relativa justiça, apontado como favorito por quase todos: falhas de Fernando Prass e pênalti perdido por Jean à parte, o São Paulo se preparou para este duelo, jogou bem e mereceu o resultado.
Poderíamos mirar aqui nos destaques individuais da partida, que não foram poucos. É impossível ficar indiferente à movimentação inteligente e à luta incansável de Lucas Pratto, com e sem a bola. O gol e a assistência acabam por se revelar apenas consequências naturais da busca intensa por espaços que o urso argentino imprime normalmente a seu jogo. Luiz Araújo, recém desperto da anestesia geral que acometia seu bom futebol há 2 meses, fez com que Mina comesse poeira feito um juvenil inseguro pela ponta-esquerda e, não menos importante, voltou a ser combativo para retomar a posse de bola. Maicon, dessa vez fixado ao centro dos três defensores, não concedeu uma única colher de sopa ao azar e foi atento como sempre deveria ter sido, a exemplo de seus parceiros Lucão e Rodrigo Caio. Junior Tavares e Cícero, que pareciam preocupantemente ter tomado a mesma anestesia de Luiz Araújo, foram sólidos operários à frente da zaga.

Há um elemento preponderante, porém, que amarra todas essas peças às demais: Rogerio Ceni. O treinador repetiu a estratégia do primeiro tempo da estreia contra o Cruzeiro e, abrindo mão de algumas de suas próprias convicções, recorreu a um futebol reativo, dedicado a aproveitar cada falha do Alviverde, a quem cedeu 58% da posse de bola para ganhar em troca o contra-ataque. A sacada de escalar Marcinho - que partidaço! - como ala-direito (à la Victor Moses no Chelsea de Antonio Conte) rendeu frutos, a começar por gerar em Cuca a ideia aparentemente emergencial de recuar o volante e cabo eleitoral Felipe Melo ao centro de uma linha de três zagueiros, espelhando assim o 3-4-2-1 são paulino.
O conceito de jogar no erro do adversário frequentemente é rechaçado pela cultura futebolística brasileira, em especial quando estamos tratando de um grande clube. "Se você treina o São Paulo, não importa o adversário, deve tentar massacrá-lo". Ao menos é isso que dita o senso comum da mesa de boteco, tomado, é verdade, por certo orgulho que resvala no discurso de carteiradas argumentativas como "o futebol pentacampeão mundial", "6-3-3", "enea", entre outros, mas que tem enorme resistência em debater métodos, questionar verdades absolutas e refletir sobre algumas evidências que matam qualquer generalização.
É perfeitamente possível controlar o jogo sem ter a maior parte da posse de bola, como os três times que nos eliminaram jogando melhor no Morumbi do que o próprio dono da casa mostraram categoricamente. Sábado era dia de inverter essa lógica: quem tinha de controlar as ações, mesmo que isso significasse abrir mão da posse de bola e da marcação alta, era o São Paulo. E assim foi. Bravo, Rogerio! E domingo, contra uma Ponte Preta que utiliza a mesma receita, teremos mais? Será um duelo interessantíssimo.
Sobre o assédio europeu por Araújo, Tavares e Thiago Mendes, a óbvia conclusão
Pega a calculadora aí e vai somando os milhões de reais: 19 no Lyanco (Torino), 9,6 no Augusto Galvan (Real Madrid), mais 50 no David Neres (Ajax) - parte disso condicionada a algumas metas de desempenho previstas em contrato. São 79 milhões entrando quase que de uma só vez na conta de um clube em busca de se reestabilizar financeiramente, em troca de três atletas sub-20 com enorme projeção futura, mas que ainda engatinham em suas carreiras profissionais.
Agora, na janela de verão da Europa, os mesmos holandeses acenam com mais 30 por Júnior Tavares, enquanto os franceses do Lille, sob a batuta de Marcelo Bielsa, voltam à carga por outro made in Cotia, Luiz Araújo, com 38 milhões na maleta, de quebra querendo levar Thiago Mendes por outros 30,7 junto na bagagem. Descontadas as respectivas porcentagens devidas a terceiros, caso sejam mesmo confirmadas as propostas pelos valores divulgados, o São Paulo embolsaria algo em torno de 71 milhões de reais nessa nova investida europeia, que, somados à quantia anterior, totalizariam cerca de R$ 150 milhões por 6 jovens jogadores.
Para quem ama o clube, é inevitável o sentimento agridoce entre o que o NX Zero certa vez classificou como razões e emoções. A necessidade racional de correr atrás do prejuízo aberto no caixa tricolor pelas gestões anteriores é evidente, mas a sensação de impotência ao ver algumas peças fundamentais para o elenco próximas de um súbito adeus muito antes de atingirem seu ápice esportivo é igualmente frustrante. A pulga do "e se ele tivesse permanecido?" tem um poder corrosivo na imaginação dos torcedores, especialmente em eventuais momentos de insucesso. O resultado, inegavelmente, regerá as análises aqui. Se Luiz Araújo embarcar e tomar de assalto a Ligue 1 enquanto o São Paulo claudicar em busca de um substituto, diremos que o garoto foi a preço de banana. Se, por outro lado, se tornar um discreto rabisqueiro no modesto Lille e o Tricolor encontrar rapidamente uma reposição, todos cravaremos: que ótimo negócio!

Há, entretanto, um aspecto aliviante que deve ser considerado em meio a tanta matemática: não se pode dizer que a diretoria esteja entre a cruz e a espada neste momento. Para a temporada 2017, o clube estipulou a meta de arrecadar R$ 60 milhões em transferências, cota que já foi cumprida com sobras com as vendas de David Neres, Lyanco e do menino Galvan no início do ano. Com os cofres irrigados, Leco se permitiu investir no fortalecimento da equipe, para cobiçar títulos: pagou alto por Lucas Pratto e renovou os contratos de peças importantes do plantel, como Rodrigo Caio, Cueva, Bruno, Araruna e os agora cobiçados Thiago Mendes e Luiz Araújo, concedendo-lhes polpudos aumentos salariais.
Assim, o presidente são paulino sinalizou com um planejamento claro: dar fim à era de reformulações e desmanches seguidos no clube e apostar na manutenção de uma base por dois ou mais anos. Em outras palavras, após colocar parte da cozinha em ordem e pelo menos apagar o incêndio, Leco visava encontrar a estabilidade e a continuidade de que o São Paulo tanto careceu nos últimos anos. Com um time bom e projeto estável, bons resultados. Com bons resultados, boas ofertas e tranquilidade para decidir sobre o custo-benefício das vendas. Essa é a ordem ideal das decisões a serem tomadas na gestão de uma equipe. Mas aí vem o choque de realidade: ao receberem propostas gordas, jogadores naturalmente tendem a receber pressões de muitas partes e têm, também, o direito legítimo de decidirem seus destinos. Ao clube, cabe adaptar-se às condições que se apresentarem, zelar por seus interesses e tentar reduzir ao máximo os danos de cada ruptura.
Qualquer que seja o desfecho dessa chuva repentina de ofertas, resta claro que a Europa valoriza Cotia e que só faltava mesmo o São Paulo fazer o mesmo, dando espaço de vez para suas promessas no time de cima, como Rogerio Ceni faz e Ricardo Gomes - com todos os poréns de seu trabalho - também fez. Seja em campo ou nos cofres, nossa base terá papel decisivo no processo de devolver a estabilidade ao Tricolor para reencontrar o lugar que merece no futebol brasileiro.
PS: Amanhã tem post sobre a novela a respeito da renovação de contrato de Lugano. Fiquem ligados.
PS 2: Tem Twitter? Me segue lá: @pedro_de_luna
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