Acredite...
Centurión até demorou um pouco para conquistar o status de referência, já que acumulou polêmicas em sua chegada ao Boca - vídeo alcoolizado, acidente com sua BMW e até vazamento de fotos íntimas. Em 2017, porém, o atacante comanda um time que lidera o argentino, já com seis gols.
Apenas para comparação, as bolas na rede em 17 aparições pelo Boca já quase igualam os oito gols marcados em 80 jogos no São Paulo - uma marca modesta para quem chegou prestigiado em 2015, após ter sido campeão argentino pelo Racing, elogiado pelo então técnico Muricy Ramalho e contratado por R$ 15 milhões, com a ajuda de Vinicius Pinotti, na época torcedor e hoje executivo de futebol tricolor.
Já na Argentina, o exemplo mais recente da mudança de status do jogador é uma música criada em sua homenagem, pela banda de cumbia "Por El Pancho y La Coca", após Centurión se lesionar em um treino em abril. No refrão da canção, ele é simplesmente o "Neymar argentino".
"Um amigo me propôs fazer uma música a Centurión, que estava voando. A ideia que ele teve era fazer uma comparação com Neymar, pela forma que os dois têm de jogar. A comparação encaixava bem, gostei e fiz", disse o cantor Christian Conte, de 32 anos, em entrevista ao diário "Olé".
Entre outras coisas, Conte também canta que "quando Centurión dá uma caneta, a torcida fica louca" na música, que, embora a última, não é a única demonstração do que o ex-são-paulino se tornou na Argentina. Até a idolatria por Tevez, que trocou o Boca pela China, ficou em segundo plano.
Em entrevista à ESPN também em abril, o presidente do Boca, Daniel Angelici, falou sobre a possibilidade de um retorno de Tevez e também sobre o esforço necessário para que Centurión siga no clube - o empréstimo termina em agosto, e os argentinos precisam comprá-lo do São Paulo.

"Quando chegar o momento, falaremos com o São Paulo. O valor que pedem é excessivo para o futebol local, com impostos são quase 9 milhões de dólares (R$ 28 milhões na cotação atual). Pela idade e possibilidade de revenda, nos parece muito. Mas falaremos de um (novo) empréstimo ou veremos se querem algum jogador como parte do pagamento. Eles têm um jogador nosso (Andrés Chávez)."
O alto valor de Centurión e a eventual possibilidade de pagamento da cláusula de rescisão de Tevez na China fez com que veículos argentinos fizessem enquetes aos torcedores sobre qual negócio seria mais vantajoso. A resposta? Comprar o ex-São Paulo, claro, para 77% dos 58.361 votantes.

Lesionado, Centurión está sem jogar desde 9 de abril, mas se recupera rápido e já voltou aos treinos. O Boca prepara "seu jogador mais desequilibrante", como define o Olé, para o Superclássico contra o River Plate, no próximo dia 13. O time lidera o Argentino a oito jogos do final.