O São Paulo jogou como Barcelona - e isso foi péssimo

por Pedro De Luna

Fonte Globo Esporte
Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net
Que noite difícil, amigos. São 4 e pouco da manhã e o fantasma de Axel, bom volante que é, já me desarmou o sono umas cinco vezes. Na véspera de feriado, o Morumbi recebeu quase 44 mil almas, mas esteve longe de ser aquele ambiente incandescente e hostil que tantos rivais já assustou noutras jornadas. Muito disso passa pelos méritos do excelente time do Cruzeiro, mas, é bom que se diga, boa parte do clima ameno que se viu no estádio se deve aos nossos próprios deméritos também. Usando um pretexto da moda, vamos às 7 Reasons Why do nosso insucesso de ontem:
1) A marcação alta do juventino Cruzeiro
Talvez os 2x0 tenham sido um castigo exagerado, não sei. Mas o fato é que, desde o apito inicial, a estratégia defensiva celeste - que subia seus marcadores até a intermediária de defesa são-paulina - deixou o time tricolor extremamente desconfortável. A marcação alta dos comandados de Mano Menezes não era sinônimo de pressão intensa no homem da bola nem de sufoco para recuperar a posse com rapidez, mas sim de peças bem posicionadas para fechar as linhas de passe possíveis e assegurar que a pelota não chegasse limpa ao distribuidor Cícero, o homem encarregado de decidir pela bola curta ou longa.
Este, por sua vez, não fez assim tanta questão de aparecer para jogar, confortavelmente se aconchegou detrás da firme marcação cruzeirense e, por pouco, não pegou um cobertor, uma pipoca e começou a assistir seriados na TV em pleno gramado no friozinho de outono paulistano. Neste aspecto, Abila, Thiago Neves, De Arrascaeta e Rafinha executaram um trabalho impecável, encaixotando os homens da saída de bola do time da casa. O Cruzeiro, tal qual a Juventus que amassou o Barcelona terça-feira pela Champions League, deu a bola para o São Paulo jogar, mas vigiou cada palmo do gramado e controlou as ações da partida por 90 minutos.

O fato de ter resolvido a partida em duas bolas paradas, aliás, não deve ser tratado como uma suposta "prova" de que o bom resultado foi um golpe de sorte. Jogos como estes servem para combater o mito de que não ter a bola no pé pela maior parte do tempo significa necessariamente jogar mal. Não é, tanto é que não foi - e não nos custa reconhecer.
2) A posse de bola improdutiva do quase barcelonista São Paulo
Os 65% de posse do Tricolor se traduziram em 5 chutes ao gol. Sugiro o exercício: tentemos nos lembrar de cabeça de alguma defesa que tenha exigido que o goleiro Rafael sujasse o uniforme. Houve sim a despretensiosa cabeçada de Pratto no segundo tempo e, vá lá, a bola esticada para Wellington Nem dividir com o arqueiro na primeira etapa. Muito pouco para um estático dono da casa que não soube construir, pensar e executar com velocidade e recorreu a 35 cruzamentos (26 errados) para sair de uma marcação que lhe irritou.
Impossível não notar certo grau de semelhança com o Barcelona que, visitando a supracitada Vecchia Signora em Turim, teve 68% da posse de bola e mesmo assim não foi senhor das ações da partida em momento algum. O termo "tiki-taka" foi, nos últimos anos, deturpado para expressar pejorativamente o ato de se tocar a bola ad infinitum sem agredir o adversário. No caso do Tricolor, com a pressão adicional de fazer o resultado em casa, os passes laterais e inócuos eram impacientemente interrompidos por chuveirinhos na área, aos quais a defesa celeste certamente agradeceu. Pelo chão, não houve jogo.
3) Atuações individuais muito abaixo da crítica
Não foi apenas Cícero que teve uma noite para esquecer. Os jovens Júnior Tavares e Luiz Araújo, que tão bem se saíram nos clássicos contra Santos e Corinthians, por exemplo, desta vez foram presas fáceis para a marcação da dupla Rafinha (lembram dele?) e Mayke, e não ganharam praticamente nenhum duelo nem completaram uma tabela perigosa ou jogada de linha de fundo. Pareciam estranhos um ao outro. Ao notar isso, Rogerio Ceni tentou inverter Araújo e Wellington Nem de lado no primeiro tempo, mas não obteve êxito algum.
O ex-atacante do Fluminense, por sinal, esteve em mais uma jornada deveras infeliz e, apesar do visível esforço, vem tomando sempre as decisões erradas na hora de concluir as jogadas. O fato de Nem não ter o passe vertical e a visão de jogo que diferenciam o ausente Cueva dos demais já deveria servir de motivo para que Ceni desistisse de encaixá-lo nesta função. Por mais personalidade que demonstre, o ponta dificilmente fugirá da má fase se seguir sendo escalado fora de suas características. Reitero que, dentro do plantel, vejo Shaylon, o lesionado Lucas Fernandes e o recém-chegado Thomaz como os únicos substitutos capazes para o camisa 10.

4) Sem construir, nos restaram estratégias de ligação rudimentares
Com exceção da bela arrancada de Jucilei ainda no início do primeiro tempo (servindo Luiz Araújo, que, desequilibrado, disparou um chute fraco e sem perigo), o São Paulo adotou técnicas pouco refinadas para chegar à área cruzeirense. Maicon - provavelmente o melhor são-paulino em campo - cansou de arriscar lançamentos a esmo, sem destino certo, lembrando os (não tão) melhores dias de Rafael Tolói no clube.
Quando isso não acontecia, Buffarini se aventurava em incursões pela direita - e parecia que Mano deixava, de propósito, de olho num contra-ataque que nunca veio. Voluntarioso, o lateral com cabelo de Zoolander cruzou no mínimo meia dúzia de bolas (de direita e de canhota) na área cruzeirense, com altíssima incidência de erros. Buffa, aliás, jogou até bem para os parâmetros que ele próprio estabeleceu em sua passagem pelo clube, que até aqui infelizmente não são dos mais altos. Torno à reflexão feita no penúltimo texto do blog: será que Rogerio não anda dando murro em ponta de faca?
5) A bola parada defensiva: até quando sofreremos?
A bola parada defensiva (o que inclui os escanteios) tem sido um dos pontos críticos na auspiciosa Era Ceni. Dessa forma, apenas que eu me lembre de cor, sofremos gols contra o Audax, São Bento, ABC (2 vezes), Santo André e Novorizontino. No capítulo de ontem, tivemos o ex-atleticano Pratto lembrando os dias áureos de Oséas ao fazer um gol contra e, no segundo tento, um cochilo de Cícero, que permitiu que a famosa e implacável Lei do Ex fosse aplicada e Hudson o antecipasse e cabeceasse a pelota com suas madeixas frondosas e tosadas. Cabe notar que o lance se desenrolou mais ou menos como no terceiro gol da Juventus contra o Barcelona, quando Mascherano foi jantado por Chiellini: um atacou a bola, o outro apenas a olhou.
6) Que fair play é este, Maicon?
O capitão tricolor se destacou com desarmes, antecipações, coberturas, cabeceios ganhos e outros fundamentos bem executados em meio a um pântano de apatia que abateu o Morumbi. Sua opção por lançamentos longos me parece parcialmente premeditada e instruída por Ceni, que não utiliza do mesmo expediente com Rodrigo Caio, o defensor que conduz em vez de lançar.
Maicon é passional e já demonstrou mais de uma vez representar as pulsões mais prementes das arquibancadas, como na comemoração frente ao Corinthians, em boa parte de suas entrevistas e na lendária batalha de La Paz na última Libertadores. Ontem, em dado momento da segunda etapa, já com o placar em 0x2, o goleiro Rafael caiu no gramado, numa manjada tentativa de fazer cera. Eu sabia, o juiz sabia, os quero-queros sabiam que era um teatro, uma estratégia pouquíssimo convincente para ganhar tempo. Eis que Maicon, ao dominá-la, devolveu ao rival. Ok, é um bom samaritano que segue o insuportável código de ética da boleiragem. Mas o que eu xinguei na hora...
7) O que esperar do Majestoso domingo?
Para a semi do Paulista, domingo, projeta-se que o Morumbi esteja repleto novamente, em jogo de torcida única. Nós, torcedores, ainda estamos bastante sentidos com a derrota, mas se queremos que os jogadores "virem a chave" em campo, precisamos nós mesmos fazê-lo nas arquibancadas primeiro. O Majestoso tem vida e importância próprias e uma vitória seria a confirmação de que o ainda incipiente trabalho de Rogerio à frente do clube é bom e merece continuidade.
Embora também atue num 4-2-3-1, o cascudo time de Fabio Carille dificilmente deve avançar seus homens de frente tanto quanto os de Mano Menezes fizeram ontem. Blocado, o Corinthians leva imenso perigo nos avanços de Arana, nos pivôs de Jô e no poder de organização do trio Jadson, Rodriguinho e Maicon, que se mexe por todo o meio-campo. Cabe a nós vigiarmos as armas deles de perto e a Rogerio Ceni repensar sobre o aproveitamento de algumas peças. Com o pesado desfalque de Bruno, Araruna pede passagem na lateral. Para este jogo, Gilberto ou Pratto no comando do ataque? As dúvidas serão sanadas em breve, e é pra isso que serve o Paulista. Só esperamos um São Paulo mais criativo, que saiba o que fazer com cada 1% de posse de bola. Não somos o Barcelona, ainda bem.
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