Gol de manual do São Paulo não anula decisões erradas no ataque

Gilberto garante vitória contra o Atlético-MG em lance que, de tão certinho, parecia de outro time; no resto do jogo, espaços dados pelo Galo mostraram deficiências do time

Fonte Globo Esporte
Gilberto comemora o gol da vitória do São Paulo no Independência (Foto: Rubens Chiri / Site oficial do São Paulo FC)
Um restinho da equipe de Edgardo Bauza, que tinha a palavra "organização" como mantra. Uma boa pitada do time de Ricardo Gomes, especialista em desperdiçar chances de gol. E um toque de Pintado, profissional que sempre teve a raça como lema de vida. Jogue tudo no liquidificador e tenha o São Paulo do penúltimo jogo de 2016, a vitória por 2 a 1 sobre o Atlético-MG, de virada.
Contra os reservas do Galo, dirigidos também por um técnico interino, o Tricolor teve espaço de sobra no setor ofensivo. Até os 45 minutos do segundo tempo, esse espaço só servia para comprovar a falta de qualidade dos homens de ataque. Não que o gol de Gilberto tenha transformado o grupo numa maravilha, mas foi fruto de uma jogada tão assustadoramente bem feita, que merece algumas considerações.
No contra-ataque que definiu o placar e colocou a equipe bem perto de disputar a Copa Sul-Americana do ano que vem, Wellington, que não era titular de clube algum há mais de um ano, ganhou no corpo, deu velocidade à transição e força no passe (assista no vídeo abaixo). Sério, reparem como são as trocas de passes do São Paulo: parece que falta força para fazer a bola chegar ao companheiro.
A de Wellington chegou a Cueva, e daí para Robson, para Gilberto. Nada errado, parecia outro time. No restante do tempo, a incapacidade de finalizar ou de tomar decisões corretas no chamado último terço de campo, aquele no qual se ganham os jogos, se repetiu.
Não vale a pena se aprofundar na parte tática num jogo que não deixará qualquer legado. Em 2017, Rogério Ceni pretende modificar corpo e alma dessa escalação, com a ajuda da diretoria, que terá de contratar. Os garotos são talentosos – especialmente David Neres e o lesionado Lucas Fernandes –, mas Luiz Araújo insiste na opção errada em quase 100% do tempo.
O jovem, que atua pela ponta esquerda, parece estar doutrinado a receber a bola e procurar um espaço para correr. Quando não encontra, corre do mesmo jeito. Caberá a Ceni ensiná-lo a pensar primeiro no jogo coletivo, na triangulação, em encontrar um cenário melhor.
Chavez teve chances de marcar de pé direito, mas é canhoto. Quando a bola caiu na esquerda, faltou velocidade. E quando foi em sua cabeça, faltou ser, por exemplo, Fred, o centroavante que estava do outro lado – e, cá entre nós, também não jogou nada.
Cueva precisa de força. No passe, no contato corporal, no chute. Precisa de uma preparação especial porque é o mais talentoso. Vira-se bem em espaços curtos, na bola parada, e participa de todas as jogadas ofensivas.
Em 2017, para que o São Paulo volte a ser protagonista, Rogério Ceni precisará de mais qualidade no ataque. Além de trabalhar para melhorar os que ficarem. Não será simples.
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