Para não repetir escândalos de gestões anteriores, SP tenta aprovar estatuto

Fonte UOL
O presidente do São Paulo, Leco, vê com bons olhos o novo estatuto
O São Paulo vive o clima de decisão na esfera política. Nesta quarta-feira, o Conselho Deliberativo vota se aprova ou não o novo estatuto do clube.
O texto foi redigido por nove associados que integraram uma Comissão de Sistematização. A ideia era modernizar o clube e evitar que escândalos que marcaram gestões anteriores se repetissem. No total, cerca de 120 propostas e 500 emendas foram enviadas para a Comissão.
Entre as mudanças se destaca a criação de um Conselho de Administração. Inspirado em modelos empresariais, o órgão contará com nove integrantes e será responsável por orientar e dar diretrizes de como deve ser feita a gestão do clube, além de aprovar atos.
Desta maneira, o presidente e o diretor vão ter autonomia para contratar quem quiser, independentemente do valor, desde que esteja dentro do orçamento (hoje o departamento de futebol conta com cerca de R$ 200 milhões por ano).
Caso seja estourado o limite, será necessária a autorização do Conselho. Contratos com valores que superem 1.500 contribuições associativas (cerca de R$ 360 mil) precisam ser informados ao Conselho. Já os que ultrapassarem 5.000 contribuições associativas (cerca de R$ 1 milhão) necessitam passar também pelo Conselho Deliberativo.
Ou seja, a ideia é acabar com a caixa-preta do futebol, sendo mostrado para o Conselho como o dinheiro será empregado, se há comissões e como os contratos são definidos. Porém, não há uma trava para a diretoria trabalhar, desde que se cumpra o orçamento. Os administradores, por sua vez, também serão responsabilizados por seus atos.
O presidente também terá um prazo previsto para apresentar o orçamento à Comissão. Caso a data não seja cumprida, ele será afastado para apuração de responsabilidade.
Como parte deste processo de profissionalização, o presidente, desde que se dedique exclusivamente ao clube, e os diretores executivos passam a ser remunerados. Com mandato de três anos, o mandatário não poderá mais concorrer à reeleição. O processo eleitoral não será mais em abril e passará para dezembro.
Outra mudança cogitada no pleito é a participação de sócios ou sócios-torcedores. Porém, o presidente eleito em abril de 2017 terá 12 meses para fazer um estudo sobre o assunto.
Neste sentido, alguns representantes da oposição ao presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, lutam pelo voto secreto por entenderem que há uma intimidação do grupo da situação que impediria o conselheiro de ter a liberdade protegida para votar naquilo que entender correto.
Outro ponto reivindicado pela oposição é que se coloque em votação de destaque no Conselho momentos antes do pleito para a aprovação do estatuto, se esta votação será aberta ou secreta. Desta maneira, seria dado poder de escolha ao conselheiro.
De qualquer maneira, mesmo que seja aprovado pelo Conselho Deliberativo, o estatuto ainda deverá passar por uma assembleia geral no dia 3 de dezembro, e só será colocado em prática após a eleição presidencial de 2017. Em 2023, é prevista também uma revisão no texto.
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