Será o terceiro Majestoso de 2016, o terceiro duelo diferente de treinadores. O Tricolor, que nas outras oportunidades teve Edgardo Bauza, hoje técnico da Argentina, será dirigido pela primeira vez no clássico por Ricardo Gomes. O Corinthians, por sua vez, terá o terceiro comando: na vitória de fevereiro era Tite, atualmente na seleção brasileira; no empate de julho teve Cristóvão Borges, e agora tem Oswaldo de Oliveira no banco.
Veja as mutações e o resultado delas em São Paulo e Corinthians:
SÃO PAULO
Uma vitória para somar 45 pontos e, nas próprias contas, se livrar do risco do rebaixamento inédito. É tudo que o São Paulo quer no clássico deste sábado. Situação bem abaixo do esperado para um time que, apesar de um futebol pouco confiável, chegou à semifinal da Libertadores. Mas se desmanchou. Na reta final, Ricardo Gomes tenta construir uma base.

É possível escalar quase todo o time, mas o peso do jogo pode levar o técnico a promover a entrada do lateral-direito Buffarini no lugar de um homem mais ofensivo, conduzindo Wesley ao meio-campo para reforçar o setor. No ataque, a dúvida está entre Chavez, mais experiente e cascudo, porém num jejum de 10 partidas sem gols, e o garoto Pedro, inexperiente, porém cujas virtudes ajudaram o São Paulo nas vitórias sobre Fluminense e Ponte Preta.
Se Buffarini entrar, Gomes poderá utilizar um tripé no meio, com João Schmidt, Thiago Mendes e Wesley, num sistema semelhante ao 4-1-4-1 da Seleção de Tite.
CORINTHIANS
Vencer para voltar ao G-6. Obstinado pela vaga na próxima edição da Taça Libertadores, o Corinthians, sétimo colocado, precisa somar três pontos e torcer por, no mínimo, um empate do Atlético-PR, o sexto, que visita o Vitória no Barradão. Restarão ainda quatro jogos, é claro, mas a distância para o Botafogo, hoje na quinta posição, já é de quatro pontos. A vitória vale muito.
Sem desfalques por cartão, a única baixa de Oswaldo de Oliveira será no gol, já que Walter não se recuperou de dores na coxa direita.
Cássio, o substituto, dispensa apresentações. Ele será titular pela primeira vez com o novo treinador, que chega ao quinto jogo na equipe.
Com o Corinthians tendo sofrido 34 gols em 33 jogos, Oswaldo muda também na parte defensiva: Balbuena volta ao time após ser poupado contra a Chapecoense. E Willians substitui Camacho para dar mais força de marcação no meio.
Além disso, com Guilherme voltando de suspensão, o técnico tinha de barrar Marlone, Marquinhos Gabriel ou Romero. Optou pelo primeiro, embora admita que Marquinhos não vive grande fase. O esquema é o 4-1-4-1.
O São Paulo havia sido eliminado na semifinal da Copa Libertadores quatro dias antes pelo Atlético Nacional, em Medellín, e, consequentemente, perdido Calleri para o futebol europeu.
Edgardo Bauza manteve a estrutura tática de sempre, o 4-2-3-1. Daquele time para esse atual, Bruno e Hudson estão lesionados, Ytalo se machucou com mais gravidade e só voltará a atuar em 2017, e Centurión deixou o clube, emprestado para o Boca Juniors.
Michel Bastos, que já enfrentava problemas com a torcida naquela época, não tem sido relacionado, pois Ricardo Gomes não o vê bem mentalmente para jogar.
Apesar do impacto da eliminação, o Tricolor jogou melhor do que o Corinthians em julho, e conseguiu somar seu primeiro ponto no estádio rival, em toda a história. Cueva, de pênalti – sofrido por ele mesmo depois de ótima jogada pelo lado esquerdo –, fez o gol do São Paulo.

Em julho, time de Bauza tinha Ytalo e Centurión no ataque, e Michel Bastos era protagonista; Corinthians ainda atuava no 4-2-3-1 e, neste jogo, Cristóvão Borges apostou em Danilo de falso 9 (Foto: Arte GloboEsporte.com)
Para o Corinthians, o jogo marcou o início de um sentimento de rejeição da torcida com o técnico Cristóvão Borges, que vinha de quatro vitórias consecutivas em apenas cinco jogos de trabalho. Ao trocar Marquinhos Gabriel por Rildo, aos 30 do segundo tempo, quando o 1 a 1 já aparecia no placar, o técnico ouviu as primeiras de muitas vaias que sofreu na passagem pelo Corinthians.
Ainda atuando no 4-2-3-1, o Corinthians contou com Danilo de "falso 9" – uma lesão meses depois fez com que o meia só pudesse voltar a jogar em 2017. O mesmo aconteceu com o zagueiro Yago, autor do pênalti infantil naquele clássico, que atualmente faz tratamento no departamento médico.
O jogo contou com o retorno de Elias, substituindo mal Rodriguinho na etapa final. Ele não jogava havia um mês por conta de uma fratura na costela. Hoje, defende o português Sporting. Outro que partiu para a Europa foi Bruno Henrique, negociado com o italiano Palermo. Foi dele o gol salvador do empate.
Dali, o Corinthians empataria mais dois jogos em casa, patinaria em vários outros fora de casa e, dois meses depois, veria Cristóvão Borges ser demitido por péssima campanha. O auxiliar Fábio Carille comandou a equipe durante seis partidas até o acerto de Oswaldo de Oliveira.
Era apenas a quarta rodada do Paulistão, e Bauza tentava encontrar o São Paulo ideal. O time ainda não tinha jogadores que se tornariam importantes ao longo da temporada, caso de Maicon, que se apresentou dias depois. O técnico gostaria de ter escalado time reserva no primeiro clássico do ano, mas a derrota por 6 a 1 para o Corinthians no fim de 2015 fez a diretoria insistir pelo uso dos principais jogadores.
A partida estava equilibrada até Lucão, que virou absoluto coadjuvante ao longo do ano, dar de presente o primeiro gol dos anfitriões, marcado por Lucca.
O setor ofensivo do São Paulo tinha muito mais opções. Ganso (vendido para o Sevilla) e Calleri (com contrato só durante a Libertadores) foram titulares, assim como Centurión, que, após má atuação, foi substituído por Rogério (atualmente emprestado ao Sport). Kelvin também estreou no segundo tempo.
Apesar da pressão, Cássio fez boas defesas e o zagueiro Yago ainda marcou o segundo.
Recém-campeão brasileiro, o Corinthians iniciava bem sua caminhada na temporada, com quatro vitórias seguidas, mesmo diante do desmanche que havia sofrido. Gil, Renato Augusto, Ralf, Jadson, Vagner Love e Malcom já não faziam parte do grupo. Que, ao menos, ainda tinha Tite.
Felipe, hoje no Porto, matou no peito a responsabilidade de ser "o cara" da zaga e fez bom jogo. Maycon, recém-promovido do time que jogou a Copa São Paulo foi titular e mostrou talento e personalidade. Meses depois, acabou emprestado para a Ponte Preta para ganhar rodagem.

Com Tite e sem contar com Elias, Corinthians mantinha o 4-1-4-1 de 2015 e iniciava a trajetória de jogadores como Giovanni Augusto, André e o jovem Maycon, em seu primeiro clássico no profissional (Foto: Arte GloboEsporte.com)
O jogo, curiosamente, foi o de estreia para André com a camisa do Corinthians. O atacante até teve uma chance, mas não conseguiu ampliar o marcador. Aposta para o ataque, fracassou na Libertadores, sucumbiu às críticas e foi negociado com o Sporting durante o Brasileirão.