Calleri foi o artilheiro da Libertadores deste ano, com nove gols (Foto: Getty Images)
“Acabou. Passei seis meses muito lindos aqui. Não me arrependo de nada. Sou muito grato a todos, foi melhor do que eu esperava. Espero que voltemos a nos reencontrar”.
Foi desta forma que Jonathan Calleri, no dia 14 de julho, após a eliminação do São Paulo para o Atlético Nacional de Medellín-COL na Libertadores, se despediu do clube do Morumbi, no qual permaneceu no primeiro semestre de 2016 e deixou saudades. Três meses e meio depois, já defendendo as cores do West Ham-ING, o argentino, em meio a uma campanha de torcedores em redes sociais por sua volta, concedeu entrevista exclusiva ao Esporte Interativo, reforçou o carinho pelo Tricolor e revelou que segue acompanhando assiduamente seu ex-time.
“A verdade é que nem tenho palavras. Os torcedores do São Paulo sempre me trataram com carinho pelas redes sociais, o que me dá muita vontade de um dia voltar. Sempre acompanho e nesta temporada vi quase todas as partidas. Sei da situação em que se encontram e o momento me dá pena porque têm um grande grupo, com jogadores que desequilibram, e, se não fosse por detalhes, estariam lutando para se classificar à Libertadores”.
Hoje torcedor do São Paulo, Jony, como é conhecido, acredita que dentre os motivos que podem ter prejudicado a equipe na busca por uma vaga na Libertadores estão as trocas de treinadores e a irregularidade do time.
“Quem sabe não estejam tendo sorte. As trocas de treinador e as propostas que têm, quem sabe o time não tenha se adaptado ainda e por isso não estejam conseguindo as vitórias. É uma equipe que todo ano esteve irregular, tanto na Libertadores como no Paulista sempre fomos irregulares e nunca pudemos manter uma grande sequência de vitórias. Quem sabe a bola não esteja entrando como no semestre passado e isso faça com que a equipe perca muitos pontos”.
O alto desempenho do ex-camisa 12 tricolor na primeira metade de 2016 lhe rendeu bons frutos, um deles a convocação para a disputa da Olimpíada do Rio de Janeiro pela seleção argentina. Durante o evento, o atacante conheceu Marco Aurélio Cunha, hoje diretor de futebol do clube do Morumbi, com o qual mantém contato.
“Com Marco (Aurélio Cunha) falamos na Olimpíada. Não o conhecia e ele me contou muito da história do São Paulo. Falamos muito esse dia, trocamos os telefones e mantivemos o contato. É um senhor muito agradecido e que quer muitas coisas boas para o clube. Agradeço sempre pelo que fala sobre mim. Com o Leco não tive mais conversa, mas sempre afirmei que foi o melhor presidente que tive. Honesto, sempre presente e com muita vontade de ajudar o clube. Cada vez que conversávamos ele me dizia que queria que eu ficasse um pouco mais, porém isso não dependia de mim. Sou muito agradecido aos dois. São grandes pessoas e ajudam muito o São Paulo”.
Apesar de ter começado há pouco tempo sua trajetória na Europa, Calleri tem em sua mente a vontade de retornar ao São Paulo e não esconde de ninguém o desejo de concluir objetivos que ficaram incompletos em sua passagem. No entanto, o argentino afirmou que as conversas com Marco Aurélio Cunha são apenas diálogos entre amigos.
“O meu objetivo no primeiro momento era ser campeão da Libertadores. Saber que deixei as portas abertas me dá muita vontade de voltar e ser campeão. Tínhamos uma grande equipe e por coisas do futebol caímos fora (na semifinal)… (Com o MAC) foi só uma conversa de ‘amigos’, ele sempre quer o melhor para mim e para o São Paulo. Quem sabe quando eu voltar possa ter mais recordações. O tempo dirá o momento, pode ser dentro de pouco tempo ou em um futuro maior. Nunca se sabe”.
Confira outros trechos da entrevista com Calleri:
– Como estão sendo os primeiros meses na Europa?
A verdade é que estou muito contente por esta nova oportunidade. Meu sonho de pequeno sempre foi jogar na Europa e hoje graças a Deus tenho essa possibilidade. É um clube muito lindo, com jogadores de uma categoria muito alta e que têm gana de lutar por grandes coisas. Agora, não estamos passando por um bom momento, mas penso que com a qualidade dos jogadores podemos reverter. No pessoal, sabia que ia ser dura a adaptação. O futebol é muito distinto e sabia que teria seis primeiros meses muito duros onde seria difícil jogar. A medida que passa o tempo vou entendendo mais como se joga aqui e trabalho todos os dias para ter essa oportunidade.
– O que mais te chamou atenção no futebol inglês?
A verdade é que estou fascinado. A qualidade dos jogadores, os métodos de treinamento, os estádios e a organização que existe. Por tudo isso dizem que é a melhor liga do mundo.
– Por conta das tuas características, o futebol inglês te favorece?
Penso que sim. Ainda não tive muitas chances de ser titular e sabia que os primeiros seis meses seriam muito difíceis. Esse período serve para me adaptar, creio que com as minhas características posso render mais para o time. Quem sabe em algum momento eu consiga ter uma sequência e aí saber se estou realmente competente para estar jogando.
– Se ainda estivesse no São Paulo, acredita que teria tido oportunidades na seleção de Bauza?
Se pensarmos e sermos profundos na análise, creio que se tivesse tido continuidade no São Paulo, assim como no primeiro semestre, hoje o treinador da Seleção poderia ter me dado uma chance, como por exemplo deu ao Lucas Pratto, que foi bem no Atlético-MG e hoje é uma opção para a seleção argentina. Porém, não me arrependo de nada. Sabia que seriam só seis meses e que não dependia de mim. Tenho que acatar ordens de um grupo que me comprou e que queriam me trazer para a Europa, pois investiram muito dinheiro. Muitas coisas ficaram incompletas no São Paulo e espero algum dia poder terminá-las da melhor maneira. Tenho grandes recordações e a partir do momento que parti me tornei mais um torcedor.
– Amanhã jogam São Paulo e Corinthians, com Morumbi cheio. Você já disputou esse clássico, como é atuar em um jogo desse e qual seu palpite?
Será uma partida muito linda, com o estádio cheio ainda mais. Estarei torcendo daqui da Inglaterra por uma vitória no clássico para que o São Paulo já garanta a permanência na Série A e brigue, realmente, por uma vaga na Libertadores. Independentemente do rival, o São Paulo tem que ganhar por si mesmo e pela sua torcida. Acredito que o São Paulo vai ganhar.
'O tempo dirá, pode ser perto ou não, nunca se sabe', diz Calleri sobre retorno ao São Paulo
Argentino reforça carinho pelo clube e afirma que deixou ''coisas incompletas'' em sua primeira passagem pelo Tricolor
Fonte Esporte Interativo
4 de Novembro de 2016
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