Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net
Mudam as peças, muda o esquema, mas os problemas do São Paulo permanecem os mesmos jogo a jogo no Campeonato Brasileiro. Nesta quarta-feira, no 1 a 1 com o Sport, o ataque mais uma vez deixou a desejar e a equipe perdeu a chance de matar o jogo no primeiro tempo, quando inclusive saiu na frente com um gol marcado por Thiago Mendes. E, como sempre acontece, caiu sensivelmente de rendimento na etapa complementar e só não saiu de campo com a derrota porque Denis fez um milagre em finalização de Apodi.
A equipe começou a partida com a formação 4-2-3-1. Só que, ao contrário dos três volantes que foram utilizados contra o Flamengo, o time teve três homens ofensivos na última linha antes de Chavez: Kelvin, Michel Bastos e Carlinhos. O primeiro aberto pela direita, o camisa 7 atuando centralizado, ao contrário do que normalmente faz e o lateral-esquerdo, que ganhou liberdade total para atacar, mas também tinha a responsabilidade de voltar e recompor o sistema defensivo para que Matheus Reis não ficasse sobrecarregado.
O time melhorou sensivelmente. Tanto que, só nos primeiros 45 minutos, além do gol marcado por Thiago Mendes, aos 25, teve mais cinco lances de perigo. Aos 5, Magrão fez milagre em chute de Chavez e, aos 20, Carlinhos acertou o travessão. Chavez ainda perdeu uma grande chance aos 19, quando finalizou errado, e foi fominha aos 31, quando podia tocar para Carlinhos, livre na área, mas preferiu chutar e foi travado. Magrão ainda praticou uma boa intervenção em lance de Michel Bastos.
Disparado, o melhor jogador da equipe na etapa inicial foi Carlinhos, que começou aberto pela esquerda, mas também caiu pelo meio para fugir da marcação adversária. O camisa 6 mostrou que pode ser boa alternativa para o futuro, principalmente se Ricardo Gomes quiser voltar a utilizar Cueva centralizado no meio-campo, quando o peruano retornar das Eliminatórias Sul-Americanas. Já Michel Bastos, a outra surpresa na escalação, soube valorizar a bola no meio-campo, mas ainda carece de maior intensidade para pensar em voltar a ser titular.
O jogo estava controlado, o primeiro tempo se aproximava do final quando o empate marcou o gol de empate. E, apesar de Diego Souza ter feito um golaço de voleio, a falha são-paulina foi clamorosa no início da jogada. Matheus Reis, limitado, estava com a bola dominada na lateral e, ao tentar dar um passe para Hudson, que estava praticamente ao seu lado, bateu errado e propiciou o início da jogada de ataque que resultado no belo gol do camisa 87 rival. Matheus Reis foi, disparado, o pior do São Paulo na etapa inicial, tanto que não voltou para o segundo tempo. Foi substituído por Buffarini.
Apesar da ducha de água fria com o gol adversário, o rendimento da equipe dava esperança de que a vitória poderia ocorrer no segundo tempo. Mas, como se fosse mágica, o São Paulo esqueceu o futebol no vestiário. A troca de passes com velocidade, que existiu no primeiro tempo, sumiu na etapa complementar. Bruno não foi notado no apoio pela direita. Na esquerda, Buffarini arrumou o problema de marcação que existia e ainda foi uma grata surpresa no apoio, mesmo sendo destro. Mostrou que não pode ser reserva dessa equipe.
O esquema 4-2-3-1 foi mantido na etapa complementar, mas Ricardo Gomes resolveu mudar as peças. Primeiro, promoveu a estreia de Jean Carlos, que passou a atuar centralizado. Como Kelvin foi substituído, Michel Bastos passou a atuar aberto pela direita. O time perdeu completamente a jogada de profundidade, já que o camisa 7 não atacou uma única vez. Não criou mais nada. Jean Carlos entrou fora de ritmo, o que é absolutamente normal, mas teve a iniciativa de voltar e buscar o jogo. No futuro, pode ser uma alternativa interessante para o técnico tricolor.
A essa altura da partida, o São Paulo estava satisfeitíssimo com o resultado. Aos 30, Ricardo Gomes reforçou a marcação com a entrada de João Schmidt na vaga do cansado Thiago Mendes. Já Oswaldo de Oliveira arriscou do outro lado com a entrada de Apodi, lateral de origem, mas que foi atuar como ponta direita. E foi ele que teve a chance de definir a partida, aos 42. Mas Denis, como tem se tornado rotina, brilhou, fez uma grande defesa e evitou o segundo gol da equipe pernambucana.
O que fica de lição dessa partida? O São Paulo claramente tem suas limitações, mas Ricardo Gomes pode arriscar mais. Quando você escala três volantes, se ganha em marcação, só que se perde muito em criatividade. E isso, para um time que já não sabe ser muito ofensivo, é quase que fatal. Agora a equipe terá uma semana para se preparar para o clássico do dia 13, contra o Santos. Rival que está muito acima do Tricolor na tabela do Campeonato Brasileiro e na qualidade do futebol apresentado.
Análise do empate do São Paulo na partida contra o Sport
Fonte Globo Esporte
6 de Outubro de 2016
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