O pedido de demissão do vice-presidente Roberto Natel, na última sexta-feira chacoalhou a política do São Paulo e instalou em diretores e conselheiros o receio de que a nova crise no grupo da situação afete o time.
Natel disse ao blog que se desligou para tentar ser candidato dos situacionistas. ''Se a oposição lançar candidato, gostaria de uma prévia da situação para definir o nome. Se a oposição não apresentar ninguém, daí posso concorrer com o Leco (Carlos Augusto de Barros e Silva, presidente do clube e que já afirmou que quer tentar a reeleição), mas näo briguei com o Leco e nem quero rachar a oposição. Saí porque tenho desejos e pretensões. Estamos a seis meses da eleição e não me sentiria bem ficando e sabendo que o presidente também tem (vontade de se candidatar). O pleito está previsto para abril do ano que vem.
Para conselheiros situacionistas e oposicionistas, além de três diretores ouvidos pelo blog, o fato de Leco ter que enfrentar um concorrente que vem de sua diretoria poder fazer com que o presidente gaste energia e tempo demais com a política, demorando para tomar decisões importantes no futebol, atrapalhando a equipe. Além disso, acreditam que a pressão política tem potencial fazer o presidente cometer erros em diferentes áreas, incluindo o futebol. Outro receio é o de que desempenho de jogadores e da comissão técnica seja usado para minar o presidente.
Na avaliação dos diretores e conselheiros que temem que a disputa política afete a equipe, Natel deveria ter se desligado só depois do final do Brasileirão para evitar trazer mais intranquilidade para a equipe, que tenta se firmar e se distanciar mais da zona do rebaixamento.
''De maneira geral, antecipar o processo sucessório é ruim. Temos que apoiar o futebol e pensar em política em janeiro de 2017?, afirmou o também ex-vice-presidente Júlio Casares, sem citar o nome de Natel.
Por sua vez, Natel valia que a situação do time não é crítica e que sua decisão não vai gerar turbulência. ''Nao vou me alinhar com a oposição e não deixei de ser um dos responsáveis pela gestão porque saí. Penso algumas coisas de maneira diferente, mas isso é natural'', declarou Roberto.
Entre oposicionistas e situacionistas, o ex-vice é visto como um candidato forte, que deve conseguir apoio dos dois lados, enfraquecendo Leco e um eventual candidato oposicionista. Em algumas das análises feitas por conselheiros e diretores, esse cenário pode beneficiar Casares, que poderia aparecer como nome de consenso. Ele tem bom relacionamento com o empresário Abílio Diniz, que mesmo sem ser conselheiro tem prestígio junto a conselheiros do clube.
''Fui procurado por 32 conselheiros da situação e da oposição. Não tenho pretensão. Tudo é dinâmico, mas hoje não é uma prioridade. O foco é apoiar o time'', disse Casares.
Cartolas temem que nova crise política no SPFC afete o time
Fonte Uol Esportes
2 de Outubro de 2016
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