Quatro dias após o confronto violento entre torcedores do São Paulo e a polícia militar no jogo do Tricolor contra o Rondonópolis, em Mogi das Cruzes, pela Copa São Paulo de Futebol Júnior, o presidente do clube, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, admitiu que a agremiação possui relação promíscua com torcidas organizadas, incluindo repasses de ingressos e apoio financeiro. A declaração, dada ao jornal “Folha de S.Paulo”, atesta que o problema da violência no futebol está longe de ser resolvida, segundo o jornalista Carlos Eduardo Mansur. O repórter de “O Globo” lembrou que o plano de segurança em estádios prometido pelas autoridades brasileiras em 2013, após a chamada “barbárie de Joinville”, não saiu do papel, mas poderia ser crucial no combate à violência.
O plano foi proposto após reunião em Brasília que envolveu o Ministério do Esporte, da Justiça e diversos órgãos de segurança, entre promotorias e delegacias especializadas. A motivação foi a violenta briga de torcedores no estádio do Joinville, em Santa Catarina, durante a partida entre Atlético-PR e Vasco, pela última rodada do Campeonato Brasileiro de 2013. Organizadas de cada time entraram em conflito que deixou ao menos quatro pessoas feridas gravemente – uma delas deixou a arena de helicóptero.
- Prometeu-se a criação de um plano nacional de segurança em estádios que estabelecesse regras de combate à violência, com normas de segurança. Você poderia ter uma série de protocolos estabelecidos para o combate a este tipo de episódio. Desde então, nada ocorreu. Fica se esperando a próxima morte, a próxima ocasião grave.
A declaração de Leco gerou uma resposta do Ministério Público de São Paulo, que prometeu investigar o financiamento de clubes a torcidas uniformizadas. Mansur lembrou, no entanto, que o próprio promotor Paulo Castilho, que atua no órgão, esteve ligado ao encontro de autoridades após a barbárie de Joinville.
- O Paulo Castilho era na época um dos integrantes do Ministério do Esporte e estava nesta discussão – disse.
O comentarista Paulo César Vasconcellos criticou o conformismo de dirigentes com o modelo no qual as torcidas organizadas acumulam poder dentro dos clubes. O jornalista disse que nem os próprios integrantes tem interesse em melhor a imagem do grupo. Para ele, os times poderiam angariar mais empresas e patrocinadores caso se tornassem mais profissionais.
- Não vejo internamente, a torcida A, B ou C, qualquer uma dessas facções, quando alguém envolvido em cenas de violência pertence àquela facção, ela dizer que ele está expulso e não pertence. Posso não ter percebi, erro meu, mas nunca assistir a uma atitude firma de clube ou de uma facção para dizer que não querem aquele elemento. Volta e meia, vemos sujeitos que são reincidentes. Ele continua pertencente àquela facção.
Repórter critica fracasso em plano de segurança dois anos após "barbárie"
Carlos Eduardo Mansur destaca que promessa das autoridades após conflito na Arena Joinville, em 2013, não saiu do papel: "Fica se esperando a próxima morte"
Fonte SPORTV
21 de Janeiro de 2016
Avalie esta notícia:
3
0
VEJA TAMBÉM
- NOVA ROTA? São Paulo pode mudar estratégia após negativa por zagueiro do futebol europeu- TRETA! São Paulo vive turbulência política após empresário pedir saída de Olten Ayres
- Scarpa ou Igor Gomes? São Paulo avalia dois nomes que podem mudar o time de Dorival
- MELHORA! São Paulo vê zagueiro evoluir em recuperação durante intertemporada
- NOVA ROTA! Reunião com lideranças é feita para traçar novos rumos no SPFC após saída de Rui Costa
URGENTE! Dorival Júnior é o novo técnico do São Paulo