O zagueiro Fabão participou de um time que marcou época no São Paulo, onde conquistou os principais títulos recentes de equipe como a Copa Libertadores da América, Mundial de Clubes e Campeonato Brasileiro. Conhecido pelo estilo sério dentro de campo, ele não aliviava para os atacantes adversários.
Fora das quatro linhas, porém, fazia a alegria do elenco do clube do Morumbi com seu jeito descontraído, suas histórias engraçadas e alguns micos. O defensor era considerado uma das maiores "figuras" entre os jogadores. Sua caixa postal "Você ligou para o negão mais bonito da Bahia" era reproduzida até mesmo nos programas esportivos diários na televisão.
O zagueiro também era conhecido por sua vaidade típica dos 'boleiros', sempre andando com correntes de ouro e se vestindo com a última moda de 'grifes' famosas estrangeiras.
"O Fabão adorava andar na estica com roupas todas de marca bem chiques. Daí a galera queria saber aonde ele tinha comprado, ele respondia que as elas não falavam português, que eram todas italianas e tal", revelou o zagueiro Alex Silva, ex-companheiro do defensor no São Paulo. atualmente no Rio Claro, em entrevista ao ESPN.com.br.
"Um belo dia, a galera estava desconfiada e um cara descobriu que na verdade ele comprava tudo na 25 de março [famosa rua da capital paulista], era tudo falsa mesmo (risos). Pra quê né? A gente zoava demais depois disso", seguiu o defensor.
Outro episódio que marcou a lembrança do jogador conhecido como "Pirulito" foi durante as refeições no Centro de Treinamentos do São Paulo na Barra Funda.
"A gente estava no refeitório e terminando de almoçar e o tinha o queijo e a goiabada numa mesa. O Fabão falou assim: 'Vou ali pegar o 'Adão e Eva'' (risos). Ele trocou as bolas, ao invés de chamar de Romeu e Julieta", divertiu o ex-zagueiro do São Paulo.
Cavalos de Juvenal e celular de Chulapa
Atualmente com 30 anos, Alex Silva lembra que chegou garoto quase 10 anos atrás ao Morumbi em uma equipe que havia muitos jogadores experientes e remascentes da conquista no Japão. Um deles é Aloísio Chulapa, atacante que deu o pase para o gol da vitória diante do Liverpool.

Fabão fez gol na final da Libertadores de 2005
"Um dia o Romarinho [homenagem ao atacante campeão em 94], filho dele, foi visitar a gente no CT do São Paulo. Ele foi pegar o garfo e derrubou, fez a maior confusão. Daí ele chegou pro 'Chula' e falou: Papai, derrubei o ‘galfo'. Ele respondeu: 'Filho, já te falei que não é ‘galfo', é taié'"(risos), contou.
As 'habilidades' do 'rei do danone' com os aparelhos tecnológicos divertiam os companheiros de equipe. "O Chulapa mal sabia mexer no celular e pedia para o Josué mandar as mensagens para ele", recordou.
Para os jogadores que se destacavam, o então presidente Juvenal Juvêncio presenteava com um cavalo. Um dos agraciados foi o meia Souza, que passou apuros com o animal na capital paulista.
"Eu nunca cavalo dele, só ganhei 'patada' mesmo (risos). O Souza guardou o dele uns dias na garagem do prédio dele, acredita? Daí deu vários problemas com os vizinhos, que ficaram bravos, ele ficou na vaga do estacionamento. Acabou mandando o bicho para Alagoas (risos). É o cara mais resenha que já vi no futebol", finalizou.