Quase quatro meses após ser apresentado pela diretoria, o técnico Juan Carlos Osorio ainda não conseguiu convencer os tricolores de que é o treinador ideal para o São Paulo. Tão inconstante quanto todo o resto do clube, que vive um 2015 de muitas trocas entre seus cartolas e saídas de atletas, o colombiano resolveu praticamente abrir mão de uma disputa de vaga na Libertadores da América pelo Brasileiro para buscar o que lhe daria respaldo no Morumbi: um título de grande expressão e inédito na história são-paulina, a Copa do Brasil.
“A Copa do Brasil é nossa possibilidade mais forte no momento”, afirmou Osorio, ciente de que a ideia de levar uma equipe alternativa para encarar o Avaí, no final de semana, na Ressacada, seria muito contestada tanto na imprensa quanto entre os torcedores. “Tomei uma decisão pensando nos jogos contra Vasco e Palmeiras. Peço que esperem e, depois deles, me cobrem”, completou, lembrando dos jogos contra os cariocas, pela Copa do Brasil, nesta quarta e no dia 30, além do clássico de domingo.
Mesmo podendo voltar ao G4 em caso de vitória sobre o rival, o técnico não esconde o desejo pela outra taça em disputa. Por ser mata-mata, a Copa do Brasil é encarada como um torneio mais palpável diante das dificuldades a ele apresentadas, além de oferecer a mesma vaga no torneio continental.
Seria também a primeira conquista de expressão dos tricolores no país desde o celebrado tricampeonato brasileiro (2006/07/08, uma chance para, dentro de campo, começar consertar todas as questões que o incomodam fora dele. Para isso, foi necessário focar os esforços em ter um time 100% fisicamente contra os cariocas, o que só foi visto como possível descansando peças importantes de seu esquema.
Após uma sequência longa sofrendo com muitos desfalques por lesão (contra Joinville e Internacional foram 13 e 12 ausências, por exemplo), Osorio tinha até boa parte do grupo à sua disposição. Sua opção, no entanto, foi por deixar Paulo Henrique Ganso e Rogério Ceni em São Paulo, além de manter Alexandre Pato, Thiago Mendes e Bruno ao seu lado no banco de reservas, fazendo subir de seis para 11 a conta de desfalques. Michel Bastos e Luis Fabiano estavam suspensos, Wilder, Alan Kardec e Hudson, machucados, e Centurión foi liberado para resolver problemas pessoais.

Alexandre Pato é visto como essencial por Osorio na luta para levar a taça da Copa do Brasil (Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press)
Ao se analisar a sequência de partidas que viviam os escolhidos, o comandante consegue ter uma boa base para sua decisão. Dos nomes, apenas Ceni pouco vinha atuando, já que se recuperava de lesão na coxa direita, mas precisa de cuidados especiais devido aos seus 42 anos. Thiago Mendes somava nove jogos sem descanso, enquanto Bruno entrava em campo há cinco. Ganso tinha sequência semelhante, mas já havia sido baixa ante a Chapecoense, no meio da semana passada, por dores no joelho. Pato participou de 18 dos 20 últimos embates.
Por coincidência, ou não, Mendes, Ganso e Pato são os atletas considerados sem substituto no elenco. Osorio é fã da capacidade física do volante, marcador e com boa saída de jogo, enquanto o camisa 8 reina sozinho com características de armador. Pato, por fim, é o único dos avantes que atuam pelo lado com boa capacidade de finalização na visão do comandante, tanto que é o artilheiro do time no ano, com 22 gols. Ou seja, perdê-los em uma decisão acarretaria muito à equipe, na avaliação da comissão técnica.
É nesse momento que entra a falta de opções do grupo são-paulino, grande motivo para a desistência do Nacional. Osorio faz questão de lembrar das sete saídas que o elenco de atletas sofreu desde que ele assumiu o comando (os zagueiros Rafael Toloi, Dória e Paulo Miranda, os volantes Denilson e Souza, o meia Boschilia e o atacante Jonathan Cafu). “Com eles, tudo seria diferente”, expôs, indicando que as vendas foram praticamente o ponto final na esperança de conquistar o Brasileiro.