A máquina de futebol do São Paulo vivia falhando e quebrando. Ninguém dava jeito. A “empresa” não encontrou profissionais capacitados no mercado para solucionar. Insatisfeito com a mão de obra local, desqualificada, o mandatário buscou alguém no exterior para trabalhar no gigantesco equipamento.
Os profissionais brasileiros do futebol são limitados, infelizmente. Era preciso pensar diferente e não houve saída melhor. O engenheiro gringo chegou mostrando domínio e capacidade acima da média. Com experiência internacional e formado no exterior, ele iniciou os trabalhos. Impressionou a todos.
A máquina subiu de rendimento em poucos dias, mas o trabalho está em andamento. O equipamento está sendo ajustado com maior critério. Novos procedimentos estão sendo adotados. Treinamentos teóricos e práticos são ministrados para a equipe operacional assimilar. É imprudente acelerar para produzir ao máximo agora. Oscilações são esperadas quando uma nova metodologia é implantada.
Os clientes (torcedores) precisam ter paciência para que o produto (futebol) seja produzido com maior eficiência e qualidade. O torcedor brasileiro se habituou às soluções simplistas dos nossos técnicos. Exemplos de trocar seis por meia dúzia e o vamo vamo (sic), não cabem mais. Futebol hoje é método apoiado na ciência, em dados estatísticos.
Durante a semana, o engenheiro planejou uma situação de produção de acordo com o cenário projetado. Mandou aplicar coerentemente, entretanto a equipe não praticou conforme foi treinado. Souza confessou: “Ele fez o que nós treinamos, foi incompetência nossa”. Os próprios jogadores são retranqueiros e recuam sem necessidade, comodamente.
A torcida não pode cair na cornetagem da mídia, madrinha de técnicos 1x7 obsoletos. Mediante o excessivo volume de críticas ao trabalho de Juan Carlos Osório, há um dilema no ar. A imprensa age de forma suja por convicção ou a gosto de torcedores? No domingo e depois, os comentários de são paulinos foram assombrosos.

Criticar a imprensa é fácil, mas a resistência e impaciência com trabalhos diferenciados vêm da torcida. A imprensa detona geral para tudo seguir exatamente como está, no entanto a mídia planta e a torcida compra. Neste caso, o maior culpado é o comprador. O torcedor cai ingenuamente na pilha dos analistas de resultado.
Em tempo: Achar que três zagueiros é ser retranqueiro... 7x1 foi pouco demais. É preciso revolucionar a mídia e importar jornalistas de fora também para abrir a mente dos torcedores. A Alemanha até usou quatro zagueiros na Copa-2014 e a Holanda três, os dois melhores ataques.
Wender Peixoto
Twitter: @peixotowender