Foto: AFP
O escândalo de corrupção da Fifa tem gerado consequências na Confederação Brasileira de Futebol (CBF), além da prisão do vice-presidente José Maria Marin. Na tarde desta terça-feira, o mandatário da entidade, Marco Polo Del Nero, prestou esclarecimentos na Comissão de Esportes da Câmara dos Deputados, em Brasília, sobre as questões polêmicas envolvendo a instituição.
Antes do início das perguntas dos deputados, Del Nero teve um tempo para falar sobre o que considerava mais importante no assunto. “Lamento o que vem ocorrendo. São fatos graves e atingem um grande companheiro com quem convivi nos últimos anos (José Maria Marin), ele é como um irmão. Isso machuca muito mais. Torço por ele. É de doer o coração. Mas não posso falar com ele, só a família”.
O dirigente fez questão de enfatizar que está auxiliando nas investigações. “As denúncias me surpreenderam. Temos que aguardar os resultados das investigações em curso. Tudo está ocorrendo nos EUA, não tenho informação sobre nada. Não posso pré-julgar uma pessoa. O que puder esclarecer, esclarecei. Entreguei ao Ministério Público os documentos questionados pela Justiça”.
O presidente explicou sobre a retirada do nome de Marin da fachada da sede da CBF. “Tiramos porque houve uma determinação da Fifa devido ao banimento provisório do Marin por 90 dias. Se ele for absolvido, o nome dele estará lá novamente. Não mudou no estatuto”.
Pressionado, o mandatário ainda garantiu que não irá renunciar. “Vou até o fim do meu mandato. Fui eleito e vou cumprir. Com as coisas que acontecem, temos vontade de ir embora, mas tenho obrigação com meu eleitorado e vou ficar na presidência até o último dia do mandato”.
Um dia após a explosão do escândalo, durante o Congresso de Fifa em Zurique, onde seriam realizadas as eleições presidenciais da entidade máxima futebol, Del Nero deixou o hotel na Suíça e retornou ao Brasil.
“Quando fiquei sabendo da prisão, estava dentro do hotel com outros membros da Conmebol. Ficamos perplexos com tudo. As informações que sabemos são as da imprensa, mais nada. Por isso, tive que voltar ao Brasil, a situação era muito séria. Mas o presidente da Conmebol nos representou na eleição da Fifa. A tendência da Conmebol era votar no Blatter, em bloco. Porém, no dia, foi diferente. Falei com o Napout (presidente da Conmebol) e ele disse que o Blatter não estava sendo acusado de nada. No fim, ele me telefonou e disse que sete votaram a favor dele, e três, contra”.
Nos relatórios do FBI, 14 pessoas foram indiciadas, mas algumas não foram nomeadas. Porém, a descrição de uma delas se relaciona com as características de Del Nero. “Não tenho ideia de quem possa ser. Tenho certeza de que não sou eu, por que não fiz nada de errado. Tenho a consciência limpa”.
Em ‘sabatina’, Del Nero chama Marin de irmão e rechaça renúncia
Fonte Gazeta Esportiva
9 de Junho de 2015
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