Resumo:
A caminho da Granja Comary, ônibus da Seleção Brasileira foi cercado por grevistas quando saía de hotel no Rio de Janeiro; aos gritos de 'não vai ter Copa', professores colaram adesivos da campanha salarial no coletivo que levava os jogadores; cerco foi rápido e terminou sem maiores incidentes; chegada ao local da concentração, em Teresópolis, teve reedição do protesto, com manifestantes do sindicato dos professores e militantes do PSTU e do PSDB; atos mostraram que ações pontuais de protesto podem ocorrer com grande frequência nesta reta final de preparação para o Mundial; técnico Felipão disse que autoridades são responsáveis por segurança da equipe; faltam 17 dias para a abertura da Copa; jogadores já perceberam que clima será tenso, ao menos até a bola rolar.

RIO DE JANEIRO/TERESÓPOLIS (Reuters) - O ônibus da seleção brasileira saiu de um hotel no Rio de Janeiro em direção ao centro de treinamento da Granja Comary, em Teresópolis (RJ), nesta segunda-feira, sob protestos de professores em greve.
Apesar do cordão de isolamento montado pela polícia, os manifestantes dificultaram a saída do ônibus e acertaram alguns socos e pontapés no veículo. Os grevistas ainda conseguiram colar inúmeros adesivos sobre a greve no ônibus, que deixou o local lentamente e sob forte esquema de proteção.
Os batedores do Exército e os policiais federais que escoltaram a delegação foram vaiados e hostilizados pelos manifestantes. "Pode acreditar, educação vale mais que o Neymar", gritavam os professores, que estão em greve há quase três semanas.
Mesmo com o vidro escuro do ônibus foi possível ver jogadores como Neymar e Daniel Alves de pé acompanhando o protesto.
"Ninguém aqui é contra a seleção. Foi um ato simbólico contra um país que não tem dinheiro para saúde e educação", disse o coordenador do sindicato, Alex Trintino.
Na chegada à Granja Comary, onde a seleção ficará concentrada para a disputa do Mundial que começa em 12 de junho, manifestantes estenderam um grande cartaz em inglês reclamando dos gastos da organização da Copa do Mundo no Brasil.
Segundo eles, até hoje nenhuma casa foi entregue pelo governo às vítimas da tragédia provocada pelas chuvas na cidade da Região Serrana em 2011, em que cerca de 1 mil pessoas morreram.
As manifestações estão entre as maiores preocupações dos organizadores do Mundial no país desde os protestos de junho do ano passado, em que milhares de pessoas foram às ruas para protestar, entre outras coisas, contra os custos da Copa do Mundo.
O Mundial será disputado de 12 de junho a 13 de julho. A partida de abertura será Brasil x Croácia, em São Paulo.