[SPFC.Net] Conheça a vida de Juvenal. O "coronel" à paisana – Por Peixoto

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Juvenal Juvêncio é o último cartola ‘das antigas’ e relembra o estilo folclórico dos dirigentes passados. Ao estilo coronel, é tido como ditador até nos discursos. Para ter a peculiar desenvoltura verbal, fez cursos de oratória. É bem provável que a fala com o puxado “s” carioquês seja herança do professor do curso que ele frequentou.
É tratado com mel do interior. No café da manhã, lambuza quase tudo com o líquido açucarado: queijo minas, milho e até banana. Tudo acompanhado por sucos diversos. Depois do café da manhã, Juvenal lê jornais de cabo a rabo. JJ é fã da Dilma e eleitor do PT.
O presidente nunca deixa seu bom uísque escocês. Os mais próximos garantem: o único efeito é a vermelhidão no rosto e a língua mais solta, não perde a pose, não trança as pernas e não fica embriagado.
JJ nasceu no dia 25 de fevereiro de 1932. De Santa Rosa do Viterbo, a 307 quilômetros da capital, veio para São Paulo ao final da década de 40. Cumpriu o serviço Militar. Foi nesta época que Juvenal conheceu um de seus melhores amigos no concurso de projetos para o estádio Morumbi, João Batista Vilanova Artigas, o arquiteto escolhido. Vilanova projetaria a própria casa de Juvenal Juvêncio – construída em 1972 no Jardim Guedala, Morumbi.
Casou-se em 1954, quando tinha 22 anos, com dona Angelina Juvêncio. Marido metódico e áspero, dizem. A partir de então, foi auxiliar de investigador e tornou-se investigador policial (ou somente auxiliar como alguns da atual oposição do São Paulo atestam). Trabalho para o qual se dedicou até 1961. Queria crescer na vida e tornar-se ia um homem de gosto e recursos.

Juvenal e Angelina ao centro
Em 1961, foi escolhido como auxiliar do Sr. Plínio de Arruda Sampaio, secretário de Negócios Internos e Jurídicos da Prefeitura de São Paulo. Cuidava dos assuntos que chegavam e, por vezes, substituía o secretário na função. Foi quando Juvenal começava a desenvolver gosto pelo Direito e a Política.

Após filiar-se ao PDC - Partido Democrata Cristão – elegeu-se deputado estadual em 1962 com 7.935 votos. Durante a legislatura, assumiu, na condição de suplente, mandato de deputado estadual. Em 1965, tornou-se secretário do diretório estadual do PDC. No mesmo ano, se candidatou a vereador, mas ficou com a quarta suplência.
Abaixo, uma das passagens de Juvenal na primeira legislatura estadual:

1965 foi o ano mais produtivo de Juvenal Juvêncio na Assembleia Legislativa. Também, na mesma época, cursou e se formou em Direito na cidade de São José dos Campos. Durante a primeira legislatura, foram nove discursos e um projeto de Lei. O deputado tentou padronizar os taxis paulistas na cor amarela. Para justificar seu pedido, citou metrópoles modernas como Nova York, que já apostavam na uniformização da frota. Mas o projeto foi arquivado.

Pode-se afirmar que Juvenal Juvêncio colocou sua cidade natal entre as prioridades como deputado. Durante sua legislatura, o governo estadual empreendeu algumas ações no Município de Santa Rosa do Viterbo – fato que não ocorria anteriormente.
Em 1966, ao final do primeiro mandato, trocou de partido. Candidatou-se novamente e se elegeu deputado estadual pelo MDB com 7.366 votos, como segundo suplente da bancada de oposição. O segundo mandato terminaria em 1970. Juvenal também ocuparia a Subprefeitura da Penha, bairro paulistano.
Em uma de suas polêmicas ações, trabalhou na nomeação do amigo e arquiteto, Vilanova Artigas, para a coordenação do CECAP. Mas Vilanova era comunista e foi afastado da função em 1969, após a instauração do Ato Institucional nº 5 - AI-5 do Regime Militar.
Em 1971, no governo de Laudo Natel, Juvenal foi designado presidente do CECAP – Caixa Estadual de Casas Populares. Atuou no órgão até o final de 1976. Foi afastado por corrupção no início de 1977, sob o mandato do governador Paulo Egydio, e pediu demissão. O escândalo da CECAP foi o maior da década de 70. A instituição teve prejuízos de CR$ 150 milhões.

De político do PDC ao MDB. De ocupante de cargo público em governo da Arena (a base de apoio ao regime militar) a eleitor do PT. A trajetória política de Juvenal se encerraria. Após se dedicar a uma empresa administradora de bens, da qual era sócio, foi convidado para a Federação Paulista de Futebol.
Na gestão de José Maria Marin a frente da FPF, foi nomeado secretário responsável pelo patrimônio da entidade, em 1982. Advogou para a entidade até 1984 quando foi chamado por Carlos Miguel Aidar, presidente do São Paulo, para ser diretor de futebol. Exerceu a função por quatro anos. Foi eleito presidente do clube pela primeira vez, sucedendo Aidar em 1988.
Em 1990, após péssima gestão na presidência do São Paulo, Juvenal não se reelegeu e saiu do futebol. Dedicou-se aos negócios pessoais e à criação de cavalos. Em 1993, tornou-se presidente do recém-fundado Núcleo do Mangalarga Marchador da Alta Mogiana. Sua fazenda, em Santa Rosa do Viterbo, tornou-se local para exposições e leilões de cavalos de raça.
Juvenal nunca se desligou do São Paulo sendo conselheiro vitalício, mas se distanciou. Entretanto, em 1998, compôs o grupo de oposição com Marcelo Portugal Gouvêa para fazer oposição a José Augusto Bastos Neto nas eleições do clube. Perdeu. Nova derrota ocorreria em 2000. Mas, em 2002, JJ retornou como diretor de futebol do São Paulo ao lado de MPG.
O octogenário é pai de filhos com dona Angelina. Sua filha se casou com Marco Aurélio Cunha e deu um neto para pai. Mas o vereador divorciou-se. Juvenal continua com sua fazenda criando cavalos Mangalarga Marchador no seu haras, o Agropastoril Carolina, em Santa Rosa do Viterbo. Possui 60 cavalos no local.
Conhecendo os passos anteriores de Juvenal Juvêncio, poderíamos facilmente prever o momento pelo qual clube e torcedores passam atualmente – sofrimento da perca de competitividade do São Paulo Futebol Clube – como foi em 1990. Juvenal transformou o maior vencedor do Brasil em São Paulo Clube Futebol, priorizando o social, não o futebol.
Tivesse saído após o terceiro mandato, sem mudança de estatuto, em abril de 2010, Juvenal Juvêncio seria um dos melhores presidentes do Tricolor e teria mais tempo para cuidar de sua própria saúde, debilitada por um câncer de próstata. Mas preferiu a perpetuação, e se despede melancolicamente. Entretanto, poucos podem negar – JJ fez muita gente gargalhar.

WENDER PEIXOTO
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