Com “facões” – termo utilizado para jogadas em que o ponta faz a movimentação de fora para dentro do campo, numa espécie de diagonal – mortais pelos lados do campo, a equipe de Montevidéu marcou gols em contra-ataques nas três partidas que venceu na competição continental. Eles ainda somam um empate e uma derrota na chave. La U, com nove pontos vem na sequência. Cruzeiro com sete e Garcilaso com três hoje não se classificariam para as oitavas de final.
La Violeta conta com dois protagonistas de um potencial futuro absurdo. A jovem dupla De Arrascaeta e Felipe Gedoz, revelada nas próprias categorias de base do Defensor, são os grandes responsáveis pela boa campanha até então. O primeiro, uruguaio e com 19 anos, trata-se de uma enorme promessa do país vizinho. Rápido, técnico e de um poder de raciocínio incrível, o menino coloca a bola onde quer e deixa os companheiros na cara do gol a todo momento. Já Gedoz, brasileiro e gaúcho de 20 anos, impressiona na frieza para finalizar e tem uma precisão fora do comum nas cobranças de falta.
E a grande jogada do Defensor nesta Libertadores ainda tem um coadjuvante importante. O veterano de 35 anos, Nico Oliveira, com passagens marcantes por Sevilla (ESP) e futebol mexicano, é quem comanda a molecada aberta pelas pontas.
Sem a bola, o 4-3-3 se fecha. De Arrascaeta, pela direita, e Gedoz, pela esquerda, fecham os lados e armam uma das maiores armadilhas desta Libertadores. O setor defensivo uruguaio, que marca duro e consegue boas antecipações nas partidas, recupera a bola e joga direto em Oliveira. Experiente, o meia – que muitas vezes vira centroavante invertendo posição com o caneludo Risso – faz a parede e lança a bola na diagonal para os atacantes.

Este campinho mostra a movimentação dos contra-ataques do Defensor. Na linha pontilhada, o destino da bola. Na seta vermelha, os facões De Arrascaeta e Gedoz
É aí que o facão, citado anteriormente, entra em ação. Como flechas, os dois jovens fazem a movimentação nas costas do laterais. Em velocidade, não há zagueiro ou volante na cobertura que consegue segurar a arrancada dos garotos, que, na maioria das vezes vão para dentro do gol ou fazem jogadas de linha de fundo sempre muito perigosas.
O esquema num todo é muito bem montado pelo treinador. A defesa, do também muito jovem (22 anos) e promissor Matías Malvino, funciona. Tem laterais que sabem subir na hora certa e que poucas vezes deixam espaços em suas costas. A dupla de volantes Fleurquin e Cardacio, mesmo não sendo muito técnica, faz o feijão com arroz e não compromete.

Esquema tático do Defensor não é muito diferente do 4-3-3 tradicional. O ponto interessante é a troca de posição de Risso e Oliveira em alguns momentos
Sem grande poderio financeiro, o Defensor tem um time arrumadinho e com grandes talentos individuais. Não dá para cravar que vai longe nesta Libertadores, mas se derem espaço, o facão entra em cena.