Carlos Miguel Aidar já comandou o clube nos anos 80
Carlos Miguel Aidar foi a carta na manga de Juvenal Juvêncio nas eleições do São Paulo. Quando o presidente se viu sem opções para defender seu legado, convocou o antigo aliado – que foi presidente entre 1984 e 1988 – para dar continuidade ao seu trabalho. Mas o candidato mostra que apesar de ser da situação, discorda da atual gestão em alguns pontos e promete reformas.
Como defender um legado marcado por tantas polêmicas?
Não há muita dificuldade, as polêmicas e momentos mais críticos já passaram. A relação com os clubes será mais estreita, não tenho dúvidas, porque meu jeito de ser é diferente do Juvenal. Passa pela minha cabeça já nos primeiros dias de mandato convidar os presidentes dos clubes grandes de São Paulo para um bate-papo informal para me apresentar de alguma forma.
O que há de méritos nessa gestão?
O Juvenal tem muitos méritos, ele tem muitas conquistas no futebol desde a época de diretor de futebol, ele tem a reforma do estádio, o Morumbi hoje é um estádio muito moderno. Acho que ele não foi bem no futebol como presidente, quando foi diretor de futebol tanto meu quanto do Marcelo, ele foi o grande comandante, mas como presidente ele acumulou muita coisa, foi a parte política, a desportiva de relação com as entidades, mais a direção do clube e social. Foi uma carga muito grande e que não foi benéfica para a saúde dele. Mas sou fã dele, prestou muitos serviços ao São Paulo e precisamos reverenciar. Erro, claro, mas sempre tentando acertar, e teve autocrítica para entender, por exemplo, que no ano passado o Paulo Autuori não era o cara para dar o choque no elenco.
Na sua plataforma você fala em eliminar casuísmos, mas foi o idealizador do terceiro mandato do Juvenal. Isso não foi um grande casuísmo?
Foi, não tenha dúvida. Foi necessário porque não tinha ninguém pronto para assumir. Se você olhar três anos atrás, não havia nenhum candidato, tinha Cotia, a possibilidade da Copa ser no Morumbi, as brigas com a CBF. Só havia uma pessoa que enxergava a fotografia total, que era o Juvenal. Aí surgiu a questão de como e o que fazer. Ele perguntou na época "Carlos Miguel, você assume?", mas disse que não porque estava terminando de montar meu escritório de advocacia. Ele me disse que tinha alguns nomes, mas nenhum estava pronto. Então eu disse para ele "você já cumpriu um mandato de dois (anos) e um de três, vai poder concorrer de novo". Apresentei a emenda, o Conselho aprovou, a oposição foi na Justiça e ouviu que essa decisão é do Conselho. Já foi, já aconteceu. Casuísmo? Honestamente foi, mas foi absolutamente necessário. A alternativa era eu, mas não estava em condições.
Qual a primeira medida que pretende tomar se for eleito.
Chamar três ou quatro empresas de gestão para fazer o diagnóstico e modelo de gestão. Já falei com as quatro, mostrei o que é o São Paulo, mas quando assumir quero montar o orçamento com elas e receber, no máximo em 90 dias, o modelo de gestão que será aprovado pela diretoria e implementado.
O que fazer com a cobertura do Morumbi?
Estou tentando trazer a Andrade Gutierrez de volta. Ela só saiu do projeto porque dois ou três imbecis começaram a criticar falando que é uma empreiteira que recebeu suborno e blablablá. Já passaram por dissabores na construção de dois ou três estádios, não ficaria mais forte se fizesse mais um, tanto que saiu e doou tudo sem cobrar um centavo. Acredito nela porque ela desenvolveu o modelo jurídico, financeiro, ambos aprovados pela oposição. O que não foi aprovado pela oposição foi o detalhamento do modelo técnico e não será porque só depois de contratada a obra é que você fará. O projeto está captado na CVM, dá para fazer a obra tranquilamente e é uma obra necessária porque senão o Morumbi vira um campo de jogo só para o São Paulo. Estou brigando com o Juvenal para fazer a votação no dia 16 porque é o único dia que teremos quórum para isso, mas ele não quer misturar a coisa com a eleição.
E se ele não aceitar?
Aí terei que fazer eu a chamada e acho pouco possível que consiga fazer a chamada. O Conselho (Vitalício) está velho, cinco faleceram e cinco estão sem condições físicas de se locomover. Você tenta fazer dessa forma, senão parte para a mudança estatutária, mas surge um problema jurídico gravíssimo: como mudar uma cláusula de proteção de 75% para uma de maioria simples? É discutível, vai ter que prevalecer o bom senso dos conselheiros.
O que fazer com Cotia?
Não tenho um plano já pronto para implementar, tenho ideias para discutir. Penso que devemos fazer uma integração da base com o profissional, que a base precisa treinar e jogar como o profissional, que a diretoria de futebol tem que ser dividida em quatro pessoas: vice geral, diretor de futebol profissional, de base e diretor de relações internacionais de futebol, quero promover a integração entre as comissões e fazer reuniões semanais para discutir o futebol e motivar todo mundo. Preciso de um gerente, que hoje é o Gustavo, e ainda não sei se ele fica ou não, vai depender da estrutura. A única pessoa com lugar garantido chama-se Muricy Ramalho, nas outras não tem ninguém garantido.
Qual será sua relação com as torcidas organizadas?
Não sei, tem que ter alguém para fazer essa relação...não sei, não sei (risos). Sei que o São Paulo ajudou as duas torcidas no carnaval, isso já está arraigado na história. Diz-se que é um tabu ajudar torcida, mas você não pode perder seu bem mais precioso, se não tiver a torcida para gritar seu nome, não adianta nada. Essa relação precisa ter parâmetros, ainda não sei qual. A Independente já está reclamando que eu não falo com eles. Pegaram o Júlio Casares (vice de marketing) num evento e falaram "cadê o homem?".
Kalil Rocha Abdalla seria um bom presidente?
Se não tivesse a Santa Casa, seria. Com as duas coisas, é impossível. Ele não conseguiu gerir o departamento jurídico por causa da Santa Casa, como vai conseguir dirigir o clube inteiro? O José Edgar, gerente jurídico, ia despachar com ele na Santa Casa. Foi por isso que o número de escritórios terceirizados aumentou, por causa da ausência física. Seria bom presidente? Seria sem a Santa Casa, do contrário seria péssimo.
Aidar: 'O único com cargo garantido chama-se Muricy Ramalho'
Candidato da situação do São Paulo defende Juvenal, mas quer imprimir sua própria marca à gestão
Fonte Estadão
4 de Abril de 2014
Avalie esta notícia:
36
15
VEJA TAMBÉM
- São Paulo x Botafogo: onde assistir, escalações e pressão total no Morumbis- MONSTRO NA ZAGA? Livre no mercado, zagueiro histórico vira assunto no São Paulo com crise defensiva
- BAITA ATITUDE! Roger Machado abre mão de parte da sua rescisão contratual
- ALVO DEFINIDO: São Paulo busca a contratação de defensores para a equipe
- ADEUS! São Paulo oficializa rescisão contratual com zagueiro
URGENTE! Dorival Júnior é o novo técnico do São Paulo