Kalil (esquerda) aposta em Marco Aurélio Cunha
Kalil Rocha Abdalla foi diretor jurídico do São Paulo nas gestões de Marcelo Portugal Gouvêa e Juvenal Juvêncio, mas brigou com o atual presidente e migrou para a oposição. Sua aposta é em Marco Aurélio Cunha, ex-superintendente, para ser o vice-presidente de futebol.
O que te fez romper com o grupo de Juvenal?
Não houve rompimento, vamos ser honestos. Estava sendo procurado pela oposição há algum tempo, que dizia que eu tinha credibilidade e um trânsito grande na situação e na oposição, isso foi em agosto. Houve um incidente, ele (Juvenal) ficou nervoso no vestiário, quando cheguei ele começou aos gritos, dizendo "por que você tinha que falar com o Marco Aurélio disso?" sobre o Teodoro, ex-jogador que estava chegando dos EUA e que ele havia me pedido para receber na Santa Casa. Eu gritei nos mesmos termos e daí em diante...mas isso não foi importante, foi um fato irritante para ajudar o desligamento. Insistiram e mandei uma carta pedindo meu desligamento, sem brigar. Encontro com ele e cumprimento, normal.
O que começou a te incomodar então?
O pessoal da oposição é que me procurou dizendo que tinha credibilidade e que tinha o perfil. O Marco era o líder do movimento, mas é uma pessoa impulsiva e que tinha uma série de atritos dentro da própria situação, eles acharam que ele era um nome mais viável e falaram comigo. Daí pedi demissão e saí para o movimento São Paulo Forte, que é um movimento muito bonito.
Como você avaliava a gestão até então?
Eu fazia parte, não vou falar mal senão é falar mal de mim. O Juvenal era um centralizador, posso dizer que havia mais de um ano que não tinha reunião de diretoria. Um exemplo recente é o das reformas do Morumbi, ele nunca me falou que pretendia fazer alguma obra, só de vez em quando ele fazia umas reuniões no salão nobre e armava aquele carnaval todo, um festival de autoridades. Passou três, quatro anos falando de cobertura, mas nada de efetivo. De repente surgiu a figura do José Francisco Manssur, que não era diretor jurídico e sequer entrou na sala do jurídico, e virou um assessor e o Juvenal passou a dar os processos para ele, que montou um escritório com o Carlos Ambiel e o Gustavo (Vieira de Oliveira, atual gerente executivo de futebol) e os processos mais importantes do São Paulo passaram para ele. Depois os casos passaram para o escritório do Carlos Miguel (Aidar), que é o pai da criança do terceiro mandato. Ele é muito meu amigo, tenho ótima relação com ele, mas foi ele que inventou isso. Todos admitiram essa reforma, eu não estava porque estava viajando, mas se estivesse lá provavelmente teria votado (a favor) porque tudo era o "amém", tudo o que o Juvenal falava era aceito, não havia discordância. Sempre foi unanimidade.
Você então também aceitaria pelo "amém"?
Só aceitaria por "amém" porque era uma decisão integral, ninguém discordava dele.
Por quê?
Porque ele era o papa, era o rei. Não havia vozes discordantes no Conselho. A gente tem que pedir perdão pelo que foi feito, mas a verdade é essa e precisa ser falado.
Olhando em retrospecto, valeu a pena o terceiro mandato?
Claro que não, tanto que todo mundo faz mea-culpa. Mas agora já foi, fazer o quê? É para isso que existe o São Paulo forte e uma oposição que quer mudar as coisas.
O que dá para tirar de positivo dos mandatos do Juvenal?
(Pausa) Não sei se dá para tirar algo. A única coisa nesse período que vejo englobando Marcelo e Juvenal é a compra do CT de Cotia, cuja escritura fui eu que assinei. Foi uma maravilha, mas hoje é lamentável, a situação administração é lamentável.
Se for eleito, como construir um ambiente governável?
Não existe unanimidade e não há necessidade. Vou administrar com meu pessoal e a oposição fará seu papel de oposição, não teremos oposição na situação. Não há problema nenhum. Não tenho briga com nenhum deles, me dou bem com todos. Só não aceitamos a forma da atual administração trabalhar.
Como lidar com Cotia? Onde estão os erros?
Desde a portaria até lá em cima.
Mas que erros são esses?
(Silêncio e risos) Tem que ser reformulado totalmente. Só ouço dizer e não estou lá dentro para verificar, as críticas são pesadas em relação aos meninos, a empresários, à administração. Pretendo reformular tudo isso e colocar gente da minha confiança.
Você já tem essas pessoas?
Não sei se vou ganhar a eleição, não adianta eu convidar alguém sem saber, tanto que sempre disse que não tinha nenhum cargo distribuído a ninguém, exceção ao Marco Aurélio, que será meu vice de futebol. Será montada uma equipe com ele, um treinador de gabarito para Cotia porque tem que ter um entrosamento com o futebol, um superintendente...e pretendo trazer uma equipe com preparador físico, fisiologista. Não sei por que tiraram aqueles elementos; poderia ter algum problema, não sei, mas Turíbio, Carlinhos, Rosan, esse pessoal era importante. Não sei porque Renê Simões foi mandado embora de Cotia, isso nunca foi explicado.
E para o futebol profissional, o que você pensa?
Para o futebol profissional eu diria não uma reforma, porque isso ficará restrito ao Marco Aurélio. Ele, o superintendente e o Muricy tomarão as decisões. Não temos bola de cristal, mas é difícil entender porque nenhum jogador dá certo. Se você olhar o balanço, verá que a relação dos últimos jogadores é negativo.
Então ele terá carta branca para agir?
Sim, mas não só ele, mas todos os que tomarão conta dos departamentos. Farei uma administração transparente e descentralizadora.
Carlos Miguel Aidar seria um bom presidente para o São Paulo?
Gosto muito dele, acho que seria um bom presidente. Mas se o Juvenal for seu diretor de futebol, se continuar dando as cartas, não posso acreditar. Ele já declarou que o Juvenal terá um lugar especial na diretoria dele. Aí será a continuidade.
Kalil: 'É difícil achar algo positivo nessa administração'
Candidato da oposição do São Paulo vê necessidade de resgate do clube
Fonte Estadão
4 de Abril de 2014
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