Altos voos e inesperadas aterrizagens têm sido comuns, até o momento, na trajetória de Ganso. A despeito da recém adquirida honra em assumir a mítica camisa dez tricolor, a mesma que vestiu ídolos como Pita, Gerson e Pedro Rocha - só para citar alguns - o desempenho do meia em campo ainda é errante.
Paulo Henrique parece viver em um mundo à parte, aéreo, eternamente a planar. Quem sabe, ainda sob o impulso dos apaixonados sopros elogiosos que se habituou a ouvir, desde o início, quando ganhou ares de craque pela primeira vez, nas categorias de base do Santos. Mas, se formos analisar sua carreira até aqui, descobriremos que seus loopings criativos não são exatamente uma novidade.
A primeira decolagem
Nascido em 1989, filho adotivo de uma família simples de Ananindeua, região metropolitana de Belém do Pará, o garoto Paulo Henrique, desde cedo, mostrava desenvoltura com a bola nos pés. Da rua W-18, passando pelas quadras de futsal da Tuna Luso ao time de base do Paysandu, seus recursos para o futebol já faziam decolar os primeiros - e entusiasmados - elogios.
Paulo Henrique, contudo, poderia ser apenas mais um menino dos rincões tupiniquins: Talentoso, pleno de alegria nos pés, mas sem muitas chances de fazer valer seus sonhos. Mas o garoto tinha sorte. Um de seus técnicos o apresentou para o ex-jogador Giovanni - também paraense. O ídolo santista dos anos noventa gostou do que viu - e o indicou para um teste no alvinegro da Vila Belmiro. Estávamos em agosto de 2005 e o adolescente flertava os 16 anos, que completaria dois meses depois.
Turbulência na base
Morando com a mãe - e já adaptado à vida na baixada santista -, o primeiro grande desafio de Ganso em sua carreira aconteceria no início de 2007: Uma séria lesão no joelho direito o faz pousar no departamento médico por longos seis meses.
Porém, apesar das inquietações que uma contusão desse nível causaria em um jogador em formação, como Ganso, esse ano ainda reservaria uma festa. Ao voltar a jogar, Paulo Henrique tem a oportunidade de participar da campanha vitoriosa do time santista, no campeonato paulista sub-20. A equipe praiana vence o XV de Piracicaba duas vezes e é campeã paulista da categoria.
Sobe e desce
Em 2008, já reconhecido como promessa, Ganso faz sua estreia como profissional contra o Rio Preto, em fevereiro, ao entrar no segundo tempo. Derrota por 2 a 1, em participação tímida. O treinador era Emerson Leão e os tempos, nebulosos para o time da Vila.
De fato, não era exatamente um céu de brigadeiro para Paulo Henrique Ganso, que pouco voou. O time do Santos claudicou tanto no campeonato paulista quanto no torneio nacional. As chances de começar jogando, assim, rarearam. Além disso, o jovem foi obrigado a duas aterrizagens forçadas, rebaixado para o time de base. Primeiro com o técnico Leão, depois com seu sucessor, Cuca.
Mas o ano não seria de todo ruim. Pela equipe de baixo, Ganso seria bi-campeão sub-20, em partida contra o São Caetano.
Céu de brigadeiro
Seria no biênio seguinte - 2009/10 -, no entanto, o tempo da consagração de Paulo Henrique. Um período de nuvens claras, céu azul e muitos - muitos! - elogios. Na verdade, as atuações de Ganso é que abriram o tempo. Assim, após sua efetivação na equipe de titular do Santos e uma série de atuações convincentes, a vida do jovem paraense mudaria muito. Até demais.
Nesse período, Ganso renovou seu contrato pela equipe do Santos - com direito a uma multa contratual de valores astronômicos. Também foi campeão paulista, campeão da Copa do Brasil e - se não bastasse - convocado para a seleção brasileira. Era o auge do garoto de Ananindeua.
E os elogios se multiplicavam. Paulo Henrique já nem era mais só Ganso, apelido que assumira ainda pela equipe de base do Santos. Craque? Ainda não seria suficiente para defini-lo. Com passadas largas e vasto repertório de passes, ele também era gênio, maestro, dono de uma visão de jogo privilegiada... Enfim, era tratado como uma das maiores promessas do futebol brasileiro, como nunca houve antes. E em tempo algum!
Raios no horizonte
Em agosto de 2010, contudo, a trajetória de Ganso voltava a declinar. Dessa vez, uma nova lesão - agora no joelho esquerdo - o deixaria longe dos gramados até o ano seguinte. A partir de então, mesmo colecionando títulos, Ganso passou a alternar boas e más apresentações. E passou a ser questionado. Fora de campo, desentendimentos contratuais pareciam atrapalhar ainda mais seu rendimento. E a torcida santista? Cobrava. De perto.
O céu de Paulo Henrique Ganso, então, esmaecera. Os elogios de outrora já não eram tão efusivos. E as críticas, do mesmo modo que os elogios, não tardaram a chegar. O meia não era mais tratado como um artista em campo. Não era inspirado, mas aéreo. Não era o cérebro responsável por fazer o time correr, mas parar. Muito menos seria Ganso o termômetro de qualquer equipe, mas sua âncora. Sem clima na vila, assim, Ganso decide migrar. E o São Paulo, segundo o jogador, seria a equipe perfeita para recebê-lo.
Novos ares. Novos tempos?
Mesmo antes de chegar ao Morumbi, às vésperas da primavera de 2012, Paulo Henrique Ganso já não era uma unanimidade. Seu histórico de lesões e as tempestuosas polêmicas envolvendo seus agentes e a diretoria santista já haviam acentuado o olhar crítico que imprensa e torcedores - e não apenas os santistas - lançavam sobre o ainda jovem jogador.
De qualquer modo, desde que vestiu o uniforme tricolor, o desempenho de Ganso continuou a oscilar. De Ney Franco a Muricy, passando por Paulo Autuori, o atual camisa dez frequentou o time principal tanto quanto o banco de reservas do São Paulo. Partidas e sequências memoráveis têm alternado inexplicáveis períodos de invisibilidade em campo.
Ganso ou galináceo?
Se há algo de regular, em Ganso, ao olharmos sua história, é precisamente sua irregularidade. Seus voos de galinha - no melhor estilo do pioneiro 14 Bis, de Santos Dumont - também. Do mesmo modo que seus rasantes costumam entusiasmar a torcida, ávida por talentos menos previsíveis em campo, seus rotineiros pousos, por outro lado, também a desapontam.
De todo modo, se durante os jogos o meia são-paulino parece muitas vezes parado no tempo, vento - e gramado! -, o mesmo não acontece com seu staff : Os encarregados de cuidar de sua imagem são, aparentemente, incansáveis. Assim, mesmo quando Ganso eventualmente parece invisível em campo, não o será em redes sociais. Elas sempre estarão todas ali, atualizadíssimas. Livres, lépidas e soltas. E voando alto.
Bem, pelo menos até a última boa partida do jogador.
Hoje, não se trata de saber se Ganso vai decolar ou não. Qualidade - e suporte - para isso não lhe faltam. Mas quanto tempo durará seu próximo voo.
Ganso: Os altos e baixos do novo camisa 10 do São Paulo
O Que Falta Para Ganso Decolar No Tricolor?
Fonte Esporte Interativo
5 de Março de 2014
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