A novela Diego Costa tem data, hora e local para acabar: nesta quarta-feira, às 18h (de Brasília), no estádio Vicente Calderón, quando o atacante do Atlético de Madri entrar em campo pela primeira vez com a camisa da Espanha. Será, assim, mais um jogador perdido pelo Brasil. Não exatamente o primeiro nem tampouco o último. Do outro lado, os adversários italianos tentaram recentemente a mesma manobra.
Na mira de Cesare Prandelli e seus colegas, estava o ex-são-paulino Lucas Piazon, negociado pelo time do Morumbi com o Chelsea em 2011 e atualmente emprestado ao Vitesse, da Holanda.
O jovem jogador de 20 anos recebeu cerca de duas semanas atrás a visita do coordenador geral das categorias de base da CBF, Alexandre Gallo, acompanhado de seu auxiliar Maurício Coppertino, e confidenciou ter sido procurado pelos europeus.
A consulta foi feita diretamente ao seu pai, Antonio Carlos, e ao empresário Giuliano Bertolucci.
Procurada pela reportagem, a promessa contratada pelo Chelsea por 6,2 milhões de euros (aproximadamente R$ 14 milhões) confirmou a história.
"Sondaram o meu pai e o meu agente, mas falei que agora não. Preciso esperar nesse momento. Não tem por que tomar uma decisão dessas aos 20 anos. De repente, se não vier a ter uma chance no futuro, e eles me procurarem de novo, talvez posso até cogitar, no entanto, não é esse o pensamento que tenho hoje", afirma ao ESPN.com.br.

O ex-são-paulino pertence ao Chelsea (Instagram)
A viagem de Gallo e Coppertino pelo velho continente tinha exatamente essa motivação: evitar ‘novos Diego Costa'. Além de Piazon, os dois estiveram ainda em outros quatro países e se depararam com situações semelhantes, como o caso de Andreas Pereira, do Manchester United, que já vinha atuando pela seleção belga e resolveu abrir mão do futuro europeu. Marcos ‘Rony' Lopes, do Manchester City, pode fazer o mesmo em relação à Portugal em breve.
Ainda na pré-temporada com o Chelsea, Lucas Piazon chegou a receber a oferta para se transferir para o Genoa, porém, convencido pela diretoria londrina, foi para o ‘parceiro' Vitesse em busca de maior ritmo de jogo.
Antes disso, ele já havia sido repassado também ao Málaga. Na conversa com a comitiva da CBF, ficou sabendo, inclusive, que fora chamado para a disputa do Torneio de Toulon, na França, no meio do ano passado, e por motivos desconhecidos a equipe espanhola não o comunicou do chamado.
Piazon não é convocado pelo Brasil desde a sua venda para o Chelsea. Nos bastidores, existia até pouco tempo atrás a informação de que atletas que deixassem o país ainda na fase de formação não seriam considerados pela CBF. Pelo menos, essa teria sido a resposta que o tetracampeão mundial Mazinho recebeu anos atrás ao notificá-la da possível ida de seu filho mais velho, Thiago Alcântara, para a seleção espanhola.
Gallo e Maurício Coppertino prometem mudar isso.
Mesmo com cidadania italiana, Lucas Piazon descarta nesse momento qualquer conversa com a federação italiana. No fim do ano passado, o brasileiro Jorginho Frello, então destaque do Verona e negociado posteriormente com o Napoli, admitiu atuar pela Azzurra ao fim do seu processo de naturalização.
No amistoso contra a Espanha, o técnico Cesare Prandelli conta em seu elenco com três ‘oriundi', como são conhecidos os nativos de outros países que têm direito ao passaporte italiano por ascendência familiar - o brasileiro Thiago Motta e os argentinos Pablo Osvaldo e Gabriel Paletta.
"Para mim não há estrangeiros neste caso, há 'novos espanhóis' ou 'novos italianos", resumiu, em entrevista coletiva nesta terça-feira.
Piazon teve a chance de ser o próximo e negou - pelo menos nesse momento.