VITO CORLEONE É UMA FIGURA SENSACIONAL
Para as inúmeras horas de avião e noites de hotel que a vida no futebol exige, livros e filmes clássicos. A viagem para Medellín para o jogo da Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional, ano passado, foi escolhida para eu rever, e reviver, a trilogia de “O Poderoso Chefão”.
Na obra, o universo secreto da máfia italiana radicada nos Estados Unidos do pós-guerra, e seu império oriundo do comércio ilegal, é ricamente desnudado pelo autor Mario Puzo, que nos oferece a intimidade da “Famiglia Corleone”, suas relações sociais, comerciais e de rivalidade, banhada a sangue com os demais clãs ítalo-americanos: são cinco no total.
Personagem principal da trama e chefe da família, Don Vito Corleone é uma figura extraordinária e, não à toa, é um dos personagens da literatura mais festejados da história. Embora responsável por algumas atrocidades, entendidas como necessárias à manutenção do poder, desperta enorme simpatia e identificação por sua força e carisma, e atos que provocam reflexão sobre os conceitos tradicionais de bem e mal, justo e injusto, certo e errado.
Algumas passagens são emblemáticas, como a que Don Vito recebe, um a um, os pedidos de favores durante o casamento de sua filha. Cada favor atendido pelo “Padrinho”, de forma nem sempre lícita, se transformava em dívida cobrada pela máfia. Ou mesmo a cena em que Michael, o filho que sucede a Vito como Don, recebe silenciosamente a confirmação do assassinato do irmão que, por traição, ele próprio ordenou.
