Luis Fabiano recebeu sorridente a reportagem do Estado para a entrevista exclusiva concedida nesta sexta. Motivos não faltam; o 2013 de lesões e atuações irregulares (que não o impediram de terminar como artilheiro do São Paulo, com 22 gols) ficou para trás e a reviravolta foi tão rápida que nem mesmo ele esperava.
O momento atual e as dúvidas que o perseguiram no ano passado foram só alguns dos temas. O atacante também falou sobre aposentadoria, diz ser possível ultrapassar Serginho Chulapa e virar o maior artilheiro da história do clube e admite que a expulsão na final da Sul-Americana de 2012 o persegue até hoje.
ESTADO - Você consegue entender essa relação de amor e ódio com a torcida?
LUIS FABIANO: É difícil saber o porquê disso, mas todas as vezes que joguei aqui foi parecido; quando está dando certo sou bom e na primeira dificuldade o alvo mais forte sou eu. Sinceramente, estou acostumado e estou tranquilo porque sei que tem gente que gosta de mim no momento difícil. Encaro com tranquilidade e sei que isso só vai acabar quando conseguir conquistar um grande título.
No ano passado você viu o Aloísio ocupar seu posto de xodó. Como foi para você?
LUIS FABIANO: Estamos sujeitos a ver isso acontecer. O inesperado foi ter tido lesões e ficado fora de tantos jogos, o Aloísio ter feito gols, não, ele é atacante e um cara que se doa muito dentro de campo. A torcida se identifica muito com isso e naquela ocasião vivíamos um momento difícil e ele pela sua disposição fez bons jogos e a torcida acolheu e deu carinho, isso é bacana. Não estou aqui para ser o grande ídolo, se todo mundo contribuir quem ganha é o grupo.
Você esperava uma recuperação tão rápida?
LUIS FABIANO: Sinceramente? Não. Para você entrar em forma você precisa de uma sequência de trabalho e de tempo. Esperava me recuperar, mas não tão rápido. Na minha cabeça eu faria a pré-temporada, que é um momento duro e de esforço, começaria o Campeonato Paulista razoável e melhoraria com o tempo, mas o trabalho e o planejamento foram tão bem feitos, está sendo tão legal que a melhora veio a curto prazo e venho jogando sem dor. Perdi muito peso nesse tempo; tem tido resultado. Estou fazendo jogos legais e faça bons jogos o ano inteiro.
Quanto disso é mérito do clube e quanto é seu?
LUIS FABIANO: Da minha parte ponho minha vontade e disposição, o treinador tem parte nisso porque ele cobra muito e com ele não tem preferência, joga quem tiver melhor. Entendi essa parte e o que muda é que no ano passado tinha vontade mas não tinha força, me sentia fraco. Eu queria e não tinha condição, hoje quero e tenho condição. O pessoal tem me dado um suporte enorme para eu treinar e levar a vida como jogador normal que eu era até a cirurgia.
ESTADO: Você pensou em sair no ano passado?
LUIS FABIANO: Antes de terminar a temporada meu empresário veio ao CT conversar e expôs tudo o que pensávamos. Eles me deixaram à vontade para tomar uma decisão e disseram que contavam comigo. Conversei com o treinador e ele falou que se eu me dedicasse e mostrasse condição eu iria jogar. Recebi algumas propostas mas não quis sair agora, o que eu queria era começar a temporada e ver como seria. Quando você passa um momento difícil e as coisas acontecem, mexem com sua cabeça e em algum momento você pensa...não em sair, porque nunca tive essa decisão. Você às vezes se pergunta "será que seria bom recomeçar em outro lugar?", mas nunca efetivamente disse que queria. Estamos bem na cidade, minhas filhas no primeiro ano só perguntavam quando iríamos para casa, só que na Espanha. Elas só tinham morado lá. Agora que as coisas acalmaram e decidimos ficar aqui mais esse ano e ver o que vai acontecer no ano que vem.
ESTADO: Mas e esse ano de 2015 em que você ainda tem vínculo?
LUIS FABIANO: Futebol a gente não sabe o que pode acontecer. No ano passado, pelo momento, muita gente me colocou fora do São Paulo. Tenho esse ano, depois tenho mais um e vamos ver o que acontece. Se der tudo certo e fechar os quatro anos que assinei, aí pensamos depois no que fazer.
ESTADO: Mas foram clubes do Brasil?
LUIS FABIANO: Os clubes são alguns que estão na Libertadores fizeram essas sondagens, mas é difícil. Não me vejo jogando em nenhum outro clube brasileiro.
ESTADO: Você poderia ter voltado ao Brasil e jogado no Corinthians. Por que não quis?
LUIS FABIANO: Não era o que queria. É difícil você ter uma identificação com um clube e ir para outro. Existia a possibilidade de jogar no Corinthians, mas o pensamento sempre foi voltar para o São Paulo. Nunca passou pela minha cabeça jogar pelo Corinthians. Se eu quisesse seria muito fácil porque estava tudo certo, o Sevilla estava acertando e era só falar que iria. Falei que não, porque não tinha proposta do São Paulo e queria esperar para saber se daria certo. Felizmente deu.
ESTADO: E depois de 2015, pensa em fazer o quê?
LUIS FABIANO: É difícil, essas coisas são complicadas. Tenho conversado muito com ex-jogadores e eles me explicam como é difícil parar de jogar. Na minha cabeça tinha pensado em parar aos 37 desde que estivesse legal e fisicamente bem. Gostaria de ir aos 37; acredito que nesses dois anos de contrato que ainda tenho com o São Paulo ainda posso jogar em alto nível, depois não estou projetando muito. Com o passe na mão vão surgir várias possibilidades.
ESTADO: Inclusive ficar aqui?
LUIS FABIANO: Sim, se eu fizer esses dois anos bem e de repente o São Paulo querer renovar por mais um ou dois seria muito bacana.
ESTADO: E como adaptar o estilo de jogo à idade que vai avançando?
LUIS FABIANO: Isso é o mais difícil, saber que você não tem mais condição de pegar a bola no meio e ir carregando até o gol. Você não tem mais a mesma explosão, talvez tenha a uns 30 metros do gol, então você fica mais perto da área e vai se adaptando, consegue prender os zagueiros. Essas coisas precisam aprender nem que seja na marra.
ESTADO: Você tem sido elogiado por estar mais tranquilo. Você procurou alguma ajuda?
LUIS FABIANO: Desde os 19 anos falam (risos). Para esse ano, não. No ano passado aconteceu uma coisa atípica, uma suspensão mais manipulada do que merecida (Luis Fabiano foi suspenso por quatro jogos após ser expulso contra o Arsenal de sarandi quando o jogo já tinha acabado). Já vimos coisas muito piores na Libertadores. Mas nesse ano deu uma acalmada; a partir do momento que você se sente bem e as coisas andam você fica mais calmo. No ano passado a coisa não estava boa e você fica mais nervoso porque quer que tudo dê certo, mas esse ano como as coisas estão boas não posso reclamar.
ESTADO: As críticas ainda te incomodam muito?
LUIS FABIANO: Se me incomodassem não jogaria futebol porque sou muito criticado, especialmente quando não faço gol. Acho que as críticas injustas aparecem, aí sim eu falo "pô!".
ESTADO: E o que são críticas injustas?
LUIS FABIANO: Difícil dizer, mas por exemplo o cara que diz que não estou me dedicando no treino, por exemplo. Mas ninguém sabe que eu venho à tarde muitas vezes quando não tem treino, por exemplo, até porque isso não é para ficar divulgando. Dizer que não me dedico, que estou com má vontade, isso me incomoda.
ESTADO: O que mudou?
LUIS FABIANO: A mentalidade dos jogadores, no ano passado víamos jogadores insatisfeitos com muita facilidade. Era só não jogar que ficava p... e reclamava. Hoje temos um treinador que cobra muito e só joga quem estiver bem. Todo mundo entendeu que precisa se dedicar para, quando aparecer a oportunidade jogar. O grupo é quase o mesmo, só que hoje o cara que não joga fica mais tranquilo e disposto a trabalhar para dar a volta por cima. É bom porque você não vê mais jogador insatisfeito, falando coisinha por trás. Às vezes o cara está fora, olha para quem joga e diz "sou melhor que ele". Essas coisas hoje a gente não vê mais.
ESTADO: Como vai a adaptação com o Pato?
LUIS FABIANO: Treinamos pouco juntos, mas treino é fácil, jogo é diferente. Podemos fazer uma dupla legal se juntar os dois. A gente se adapta, com um jogador de qualidade é muito fácil.
ESTADO: O que falta para você aqui?
LUIS FABIANO: Falta ganhar um título de expressão, um Brasileiro, uma Copa do Brasil, uma Libertadores. É isso que gostaria, os gols são consequência.
ESTADO: Aquela expulsão na Sul-Americana ainda te machuca?
LUIS FABIANO: Muito. Tem um quadro no caminho do meu quarto e toda vez que eu olho fico p...da vida. Fiquei muito chateado mesmo. Ainda hoje bate aquele arrependimento de ter tomado cartão.
ESTADO: E bater o recorde de gols do Serginho Chulapa?
LUIS FABIANO: Em dois anos...fácil não está, mas dá para chegar. Difícil, difícil não é. Tem que jogar bastante, se no ano passado eu estava mal e fiz 22 (risos). Nesse ano já tenho seis...de repente dá pra assustar o Serginho.
Luis Fabiano: 'não me vejo jogando em outro clube'
Atacante dá entrevista exclusiva ao Estado e fala sobre o momento, futuro e a fome de títulos
Fonte Estadão
1 de Março de 2014
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