A experiência de duas semanas da seleção dos EUA no Brasil não se resumiu ao trabalho intenso realizado nos gramados do CT do São Paulo. Fora de campo, os americanos cumpriram suas maiores metas no período de aclimatação para o grupo se acostumar ao país da Copa do Mundo de 2014. Os comandados de Jurgen Klinsmann voltarão à América do Norte sabendo algumas palavras em português, conhecendo a boa culinária da capital paulista e com um jogo de futebol na bagagem: São Paulo x Mogi Mirim, pelo Campeonato Paulista.
O último treino da seleção no Brasil será na manhã desta sexta. À noite, a delegação volta para os EUA. Em quase duas semanas de trabalho, dois jogos-treinos com o São Paulo serviram como parâmetro para aqueles que lutam pelas vagas restantes no “roster”, denominação dada pelos americanos para o elenco de jogadores. Dos 26 convocados para o retiro no Brasil, oito a dez devem estar presentes na Copa. A delegação americana deve chegar para o Mundial no dia 9 de junho.
– Foi uma ótima adaptação ao CT do São Paulo, que é maravilhoso e tem uma estrutura ótima para nós. Acho que teremos o melhor local de treinamentos para a Copa do Mundo – comemorou Klinsmann.
Fora de campo, a maior disputa foi pelos suculentos cortes do churrasco brasileiro. Na sexta passada, a comissão técnica teve um almoço farto com convidados da imprensa nacional. Os jogadores foram vetados, mas recompensados na mesma noite com um jantar no tradicional restaurante Terraço Itália, no centro da capital paulista.
O cardápio foi farto para os 45 integrantes da delegação americana e incluiu filé mignon à milanesa com risoto, além de filé de robalo com manteiga de amêndoa e acompanhado por risoto de rúcula com tomate seco. Nenhum dos pratos chiques, porém, tirou a maior vontade dos jogadores dos EUA. Nascido no Brasil, o meia Benny Feilhaber foi o responsável por levar os companheiros a uma churrascaria.
– O churrasco foi unanimidade, todos queriam provar. Acho que o grupo vai sair daqui satisfeito – disse Feilhaber.
O desejo da churrascaria só foi realizado na noite de quarta-feira. As carnes foram liberadas, e cerveja e vinho foram servidos com moderação. A única proibição foi Coca Cola, que Jurgen Klinsmann diz fazer mal à saúde dos atletas. Preparador físico da seleção dos EUA, o japonês Masa Sakihana deu aval para um dia de lazer.
– Costumo dizer que 80% do tempo precisa ser voltado para o trabalho, os treinos físicos, tudo que envolve o jogo. Nos outros 20%, deixamos um espaço para que eles descansem a mente e se divirtam. Puderam comer churrasco um dia e também deram uma volta pela cidade. O estresse nesses momentos é muito grande, e precisamos sempre encontrar esse meio termo – afirmou Sakihana, em conversa com o GloboEsporte.com.
No fim de semana passado, o passeio pela cidade também foi liberado. Alguns jogadores escolheram a Avenida Paulista como ponto de partida, tiraram fotos e caminharam pelo endereço mais conhecido de São Paulo. Enquanto isso, Klinsmann e sua comissão aproveitaram o sábado e domingo para visitar a Arena das Dunas, em Natal, e a Arena Pernambuco, no Recife, palcos de jogos dos EUA na primeira fase.
A segurança foi reforçada durante toda a estadia, com 30 homens destacados todos os dias para escoltar a seleção – uma ação conjunta das Polícias Civil, Militar e Federal. O maior controle foi realizado à noite. Além da segurança dos jogadores, a comissão técnica não queria ninguém em casas noturnas ou bares. Todos cumpriram à risca as recomendações.

Klinsmann assiste a jogo entre São Paulo e Mogi (Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net)
"Aquele é Rivaldo"
Faltava o futebol. Com os campeonatos estaduais ainda engatinhando, os americanos tinham pouca esperança de ver um jogo ao vivo. O São Paulo, porém, convidou a cúpula dos EUA para assistir ao jogo contra o Mogi Mirim, quarta à noite, no Morumbi. Klinsmann, sua comissão técnica e alguns jogadores viram a vitória tricolor por 4 a 0, mas se impressionaram com quem estava no outro time: aos 41 anos, Rivaldo foi reconhecido por ter sido decisivo no pentacampeonato mundial do Brasil, em 2002.
– É aquele Rivaldo? – perguntaram integrantes da comissão técnica a colegas do São Paulo.
Aos poucos, os americanos perderam a timidez e começaram a falar algumas palavras em português, quase todas ensinadas por Benny Feilhaber. O astro Landon Donovan foi quem mais se empolgou. Aprendeu até palavrões, acostumou-se a dar bom dia aos jornalistas antes dos treinos e admitiu estar à vontade no Brasil.
– Aprendi “obrigado”, “bom dia”, mais algumas palavras boas e outras ruins também (risos). Espero voltar em junho sabendo mais coisas – brincou Donovan.
Um software disponibilizado pela Federação dos EUA vai ajudar a delegação a chegar afiada para a Copa do Mundo. Bagagem, amizades e experiências, os americanos já estão. O maior desafio será ficar entre os dois classificados no difícil Grupo G, ao lado de Alemanha, Portugal e Gana. E com as maiores viagens do Mundial: para Natal, Manaus e Recife.